<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940</id><updated>2011-11-18T14:36:33.436-08:00</updated><category term='contemporanea'/><category term='pintura'/><category term='Cabidela Funarte Laura Castro Romance-post blogue narrativas Notas Poesia Literatura Livro contemporâneo escrita e leitura sobreposições Cacá Fonseca'/><category term='lisa appignanesi'/><category term='carola saavedra paisagem com dromedário literatura construção simbólica arte triângulo amoroso morte estética instalação'/><category term='hotel'/><category term='literatura trans teorias queer corpo desejo erotismo pornografia'/><category 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Literatura'/><title type='text'>mais temporada de patos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' 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E podem “chorar” as mazelas dos homens dessas cidades invisíveis. As paisagens que ninguém quer ver.&lt;br /&gt; É assim que “Salvador Negro Rancor” contradiz a Salvador alegre e harmoniosa feita para turista ver. Fábio Mandingo, jovem escritor baiano, nasceu em Santo Amaro e cresceu nas periferias de Salvador. &lt;br /&gt; Com a sua escrita, ele decide fazer denúncias, revelar o canto calado e colocar a pele negra e pobre sob discussão. Foi, ironicamente, lançado longe de Salvador. Encontrei-o por acaso, numa livraria paulista, numa noite movimentada, autografando e fazendo leituras de seu livro. Leitura que emocionou-me e despertou-me a curiosidade, já que ele, no momento em que cheguei à livraria, lia um conto sobre o carnaval com uma linguagem ritmada de forma diferente e com uma ironia refinada, construída com as gírias e vocábulos que pensamos esconder belezas.&lt;br /&gt; “Descoberto” pelo “Ciclo Contínuo de Literaturas” do projeto VAI, apoiado pela prefeitura de São Paulo, cidade de tantos nordestinos, Fábio leva a Bahia contemporânea sob outro olhar e vai expondo as fotografias que só em notícias de jornais aparecem.&lt;br /&gt; Mas não é sem qualidade literária ou poesia. Seus contos, que são seis – “Cisco”, “Kaska”, “Pipoca”, “Paulista”, “Por acaso” e “Salvador negro rancor” - vão fazer uma curva de berimbau, cujo arco distribui choros, soluços e risadas em sons particulares que em qualquer parte se reconhece: capoeira, Bahia, Salvador, candomblé, negros.&lt;br /&gt; O berimbau de Fábio, contudo, está longe das batucadas que enfeitam a Bahia. Esse é afinado de outro jeito. Os contos são construídos, na maioria, em terceira pessoa; o narrador é sempre uma personagem irônica e pessimista. A linguagem é a das ruas, cadente, com uma música própria. Essa musicalidade, inclusive, vezes se aproxima do universo Hip Hop que, diferentemente do samba, tem umas “quebras” abruptas que parecem soluçar no descompasso das desigualdades. Essa entrada do Hip Hop na linguagem também acolhe essa mescla de fala e música, um “slam” solto e livre. Com umas expressões e gírias deslocadas, o autor revela seu domínio da pena, sua destreza literária.&lt;br /&gt; As imagens também são elaboradas de forma a estarem coladas na história contada, nas palavras e nos sons, saindo das meras descrições usuais, como no conto Pipoca, Cisco e Paulista. Com exceção de “Kaska” – conto em que o autor brinca com o título colocado entre parêntesis  (“Ou um estudo sócio-etnográfico sobre os gringos carentes”) – os contos trazem diálogos que revelam as tensões sociais e raciais existentes na cidade. &lt;br /&gt; O encontro com o outro é sempre discutido, seja esse outro a polícia, o gringo ou o rico. O crack é denunciado, como no conto “Cisco”, mas sem tornar marginal o usuário: esse um vítima das políticas públicas – ou da falta delas – na cidade. Em “Salvador Negro Rancor”, título que dá nome ao livro, o narrador é em primeira pessoa e, apesar do título, ali vê-se amor pela cidade e a cultura baiana. Mas o conto denuncia e, de maneira interessante, a capoeira é trazida para a estrutura do conto, alem de ser o instrumento, o cenário e o meio de de se contar os encontros tensos e constantes com o “outro”, nesse caso, o gringo.&lt;br /&gt; Aliás, “gringos” são alvo constante de Fábio em seus contos. Razão até de análise. Mas é interessante ver como ele observa esses lugares de troca, seja ela pacífica ou violenta. Por alguns contos, há expressões em inglês e muito bem ficam elas no cenário da Salvador “para turista ver” que ninguém enxerga. O nosso português tupiniquim agora de outro jeito, com outras línguas diferentes daquela do momento do Modernismo, mas ainda nesse lugar antropofágico.&lt;br /&gt; O livro de Fábio, prefaciado por Róbson Véio do coletivo Blackitude, merece um forte “Salve”. É um bom começo para esse escritor que, sem medo, faz o seu trajeto até outras cidades para cantar a nossa. Agora o baiano lança também aqui o seu livro. De amor, mais do que de rancor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador Negro Rancor – Secretaria de Cultura- Prefeitura de São Paulo – 79 p. $15&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1134443009724217362?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1134443009724217362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/as-rasuras-da-cidade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1134443009724217362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1134443009724217362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/as-rasuras-da-cidade.html' title='As rasuras da cidade'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4517541779165025459</id><published>2011-11-13T10:09:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T10:09:44.262-08:00</updated><title type='text'>Lendo com o coração</title><content type='html'>Finkielkraut não é um desses críticos reacionários. Ao contrário, é um desses raros estudiosos que se entrega sem medo às letras, desejando ser transformado a fim de compreender a modernidade em perspectiva. Diante da escassez de “leitores complexos”, Alain é um ousado leitor que, contra o espírito da época encarnada pelos caprichos do imediatismo, do entretenimento forçado, ou dos ditames de uma socialização excessiva, inerente ao “progresso das mídias”, acredita na cumplicidade permanente da literatura. &lt;br /&gt; Em sua opinião, o romance não se reduz à produção de ficção, mas é exigido pela inesgotabilidade dos seus discursos para o mundo. O seu encantamento diante do livro vem acompanhado de uma surpresa, talvez a mesma surpresa que o leitor encontra na citação sobre o Rei Salomão no prólogo sobre o título de sua obra: “O Rei Salomão suplicava ao Pai Eterno que lhe desse um coração inteligente. (…) Deus entretanto se cala.” &lt;br /&gt; Sobre a escolha de sua lista para os ensaios, o autor diz que se baseou em sua emoção para a escolha. Assim, em “Um coração inteligente”, a biblioteca ideal do filósofo não é exaustiva. Com nove livros, ele se debruça sobre o espírito literário, interpretando os desequilíbrios entre a existência e a arte; entre a vida e o desejo, a justiça e o sofrimento. Seu caminho literário é "A Festa de Babette, de Karen Blixen, “Tudo passa”, de Vasily Grossman, “História de um alemão”, de Sebastian Haffner,  “Lord Jim”, de Joseph Conrad, “Mancha”, de Philiph Roth, “Primeiro homem”, de Albert Camus, “Memórias do subterrâneo”, de Dostoiévski, “Washigton Square”, de Henry James e “A brincadeira”, de Milan Kundera. Todos estes textos promovendo discussão profunda e evidenciando verdades essenciais que podem complementar a faculdade de julgar, o grande mote dos ensaios de Alain Finkielkraut. &lt;br /&gt; Alain vai de Kundera a Conrad para mostrar, com os livros que ele confia, que é capaz de decifrar a sua existência pelo viés literário. Intelectual íntegro, Finkielkraut tem levado a cabo uma sólida e fértil obra ensaística, oferecendo uma severa crítica da deriva experimentada pela noção, ilustrada e racional, de “cultura” na segunda metade do século XX, ao ser modificada pelo que tem sido chamado de “estudos culturais”.&lt;br /&gt; Em seu livro “Um coração inteligente”, ele põe-se todo à serviço da literatura, sem artifícios, mas com um profundo conhecimento e, mais do que nada, uma profunda paixão pela vida, pela democracia e pela arte. &lt;br /&gt; Finkielkraut interessa-se por examinar o trabalho do autor, ir profundamente ali e "em vez de proceder por item, interessa-se em contar uma história." Ele assume o papel de defender a Literatura como o caminho para a informação, tanto no âmbito pessoal quanto num escopo universal. Sem a literatura “as leis da vida são apenas uma lista de idéias conhecidas, mas sem jurisprudência”. &lt;br /&gt; Essa literatura que valoriza Finkielkraut cura a arrogância. Ele oferece um remédio para figuras esquecidas, deixadas às margens da história. De fato, como dito no prólogo, “Um coração inteligente” é um conjunto de ensaios sobre romances e leitores. É a reivindicação da literatura como ciência social. E o autor ainda consegue ser modesto neste livro fascinante. São nove histórias e nove formas de “rever” o mundo. Com a literatura e com o coração “inteligente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um coração inteligente/ Civilização Brasileira/238p./R$ 37,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4517541779165025459?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4517541779165025459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/lendo-com-o-coracao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4517541779165025459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4517541779165025459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/lendo-com-o-coracao.html' title='Lendo com o coração'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-752045041440504140</id><published>2011-11-13T10:07:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T10:07:45.876-08:00</updated><title type='text'>Compre um minuto de dança!</title><content type='html'>Aparentemente, não tenho nada a ver com dança e quando me atrevo a escrever sobre isso é sempre partindo da idéia de que o texto é algo para além da palavra escrita, com signos verbais, não-verbais, movimentos, estados, experiências que promovem sentidos “narráveis”. É assim que não me furto a falar de dança, de cinema, de música, de arte. Mas é ainda mais como “consumidora” que esse texto me vem. &lt;br /&gt; Em princípio, fui para ver um espetáculo de “dança contemporânea” na abertura do “Quarta que dança” – um merecido espaço para os profissionais da dança e para os que gostam de assistir a essa arte, mas não encontram muitas oportunidades na cidade -  contudo, encontrei, digamos, outro “produto” lá. Encontrei uma proposta interativa que incluía a dança.&lt;br /&gt; “Compre um minuto de dança”. Esse foi o apelo da dupla de dançarinos do grupo Núcleo B no espetáculo “Mercado Livre”. O trabalho é uma híbrida composição que envolve técnicas de dramaturgia, dança, performance, instalação e “talk show”. Há um figurino disponibilizado em uma arara no palco, um “menu” de músicas e dois dançarinos. O público que quiser “comprar” um minuto de dança, vai lá, escolhe o figurino, o bailarino, a música.&lt;br /&gt; A proposta é interessante, sobretudo porque o público se vê envolvido em algo que parece distante dele: a composição de uma cena. Também pela crítica bem humorada do consumo - ou não consumo - da arte e da mercantilização do corpo. &lt;br /&gt; Bel Sousa e Roberto Basílio se esforçam para fazer o público comprar um minuto de dança, como se estivessem numa loja oferecendo promoções relâmpagos ou numa feira vendendo seus produtos. “Qualquer coisa” pode pagar esse minutinho de dança, é só o público se disponibilizar a sair de suas poltronas para isso acontecer. O primeiro a ser escolhido é a música e, no “cardápio”, há Arnaldo Antunes, Beirut, Mozart, Metallica, Olodum, Sidney Magal, Rihana, Café Tacuba, Roberto Carlos, Beyonceé, Tahaikovsky, e muitos outros, de estilos os mais diversos possíveis, pop, brega, rock e clássico. E a “dança” oferecida sempre irônica, desconstruindo os lugares, brincando com os estilos. &lt;br /&gt; O figurino também tem peças de variados estilos, mas exploraram pouco o vestuário masculino.&lt;br /&gt; A brincadeira é divertida, confesso. Até eu me senti animada para ir lá “comprar” uma dança. A platéia se vê, pouco a pouco, cativada pelo lúdico da ação e interessada na crítica que se insinua à nossa confusa sociedade consumista – nem sempre consumindo arte.&lt;br /&gt; O problema é que a proposta acaba falhando por não conseguir chamar a nossa atenção pela dança propriamente dita. Por ser muito rápido cada “quadro”, e parte do tempo ser utilizado na “interpretação” do texto-música, o que sobra de dança nisso aí é pouco e, além disso, há uma repetição dos mesmos movimentos em músicas diferentes, com os bailarinos arriscando muito pouco no desenvolvimento da criatividade em cena.&lt;br /&gt; Apesar de poder ver que há técnica, é ainda frágil a abordagem da dança, não sendo ruim, apenas pouco explorado o potencial da dupla. E imagino que parte disso é justamente a junção de linguagens diferentes sem o tempo necessário para amadurecer esteticamente o trabalho.&lt;br /&gt; No improviso teatral também acaba por faltar mais “texto”, mais exploração da própria idéia do mercado que eles levaram (gostei muito de quando eles falaram sobre comprar um livro e não se poder comprar uma dança, por exemplo, mas no geral se repete muito o apelo da compra da dança sem maiores referências ) embora haja domínio de palco por parte deles.&lt;br /&gt; Quem se dispõe a fazer algo assim, sabe muito bem o quanto de dificuldades vai encontrar. É realmente um desafio equilibrar as diferentes técnicas necessárias para um espetáculo interativo e de multilinguagens artísticas. É preciso, portanto, trabalhar bastante, respeitar mais o tempo que se pede para amadurecer o trabalho, tanto esteticamente quanto tecnicamente.&lt;br /&gt; Mas cada momento ali é único, assim que as demais apresentações que o grupo fará, merecem ser conferidas pelo público, tanto adulto quanto infantil. É divertido, é interessante. Aliás, aqueles que gostam de dança devem experimentar  ir aos espetáculos do “Quarta que dança”. Custa apenas dois reais a entrada e é oferecida uma variedade de estilos de dança. O “Quarta que dança” é um projeto  que sai de Salvador para mais duas cidades, Paulo Afonso e Juazeiro, contudo, espero que seja ampliado para outras cidades do interior do Estado, tão carente de projetos artísticos dessa qualidade e acessibilidade.&lt;br /&gt; Na estréia deste ano, um espetáculo que tem menos dança, mas ainda assim oportuno para dar a cara do projeto: artistas e público convidados para festejar, prestigiar, descobrir a dança feita por gente de nosso Estado.O Núcleo B tem grande mérito na composição do trabalho de estréia e trouxe uma proposta de fato interessante. Espero vê-los em algum outro espetáculo, dançando mais, explorando mais suas técnicas, seus talentos,  seu potencial. Vendendo a dança por essa cidade que, apesar de tanto movimento, andava precisando de bons espetáculos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-752045041440504140?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/752045041440504140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/compre-um-minuto-de-danca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/752045041440504140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/752045041440504140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/compre-um-minuto-de-danca.html' title='Compre um minuto de dança!'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6923609447643353078</id><published>2011-11-13T10:05:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T10:05:37.622-08:00</updated><title type='text'>Mistérios, anjos e bagunças</title><content type='html'>O mundo, como está, é confuso para nós, que dirá para os pequenos. Mas é neles que temos de investir em se tratando de aguçar a fantasia, despertar o desejo de sonhar, estimular o prazer de ler. &lt;br /&gt;Falamos de crise na leitura, cada vez mais sendo substituído o livro pelas mídias, pelo cinema. É tudo muito bem-vindo, quando com qualidade, estética interessante, histórias emocionantes e divertidas. A convivência de todas as formas de textos, do oral ao escrito, passando pelo iconográfico, é interessante e importante. Apenas não queremos que o livro saia de cena; há ainda nesse suporte o encanto milenar de virar páginas, descobrir o segredo das palavras, jogar com sentidos como se joga com brinquedos.&lt;br /&gt;A literatura para os pequenos tem sido sempre algo especial, grandes escritores universais e brasileiros- de Esopo e La Fontaine a Chrales Dickens, dos irmãos Grimm a Maurice Sendak, de Julio Verne e seus livros de aventura a Ana Maria Machado e Lygia Bojunga, de Marina Colasanti a Sérgio Vaz e Ferrez, passando por Clarice e sua galinha, Cidinha da Silva, Glaucia Lemos, Ruy Espinheira, Antonio Torres,  Jorge Amado, enfim, de escritores locais aos mundiais, temos o lúdico, a fantasia, a poesia e a aventura presentes na nossa memória da infância, acrescentando-se aí os contos das avós em rodas de quintais.&lt;br /&gt;Mas não é fácil escrever para eles, os pequenos. Cleise Mendes – dramaturga, escritora - e Paulo Rufino- que ainda não havia ilustrado para os pequenos- num gesto de carinho, juntaram-se para trazer “Gabriel e o anjo da bagunça”, lançado há pouco tempo pela Camurê publicações, num projeto do banco Capital, com a coordenação de conteúdo feita por Lena Lois.&lt;br /&gt;A história de Gabriel, um menino que é surpreendido com uma bagunça tão bagunçada que ele mesmo se espanta, é um texto aparentemente simples, mas complexo em sua idéia: entre descobrir e pensar nos mistérios do cotidiano de uma criança, a personagem se embrenha por um mundo de fantasia, de aprendizado, de controle de medos infantis, de descobertas.&lt;br /&gt;O texto apresenta diálogos e narração, além das ilustrações de Rufino. Como eu disse, é difícil escrever para crianças, decidir sobre adequação de linguagem, estrutura, tamanho, tipos de desenhos e técnicas. O livro é bonito, mas em certo momento fica difícil decidir para que idade ele é destinado, tem mais texto do que o comum para uma criança muito pequena, e ao mesmo tempo a escolha do vocabulário e a economia de metáforas são acertadas para os menores.&lt;br /&gt; A opção pelas frases literais e uma certa objetividade por um lado é interessante em se pensando que não devemos subestimar o alcance das crianças, mas também acaba por, a depender de quem lê, deixar a história mais ligada ao real do que ‘a fantasia. Isso, claro, é equilibrado com as possibilidades fantásticas no quarto da criança.&lt;br /&gt;Os diálogos começam a ficar mais interessantes no meio do livro, a autora parece soltar-se mais e ela própria passa a viver tudo com Gabriel. Da mesma forma, os desenhos começam muito na tradicional ilustração do texto; só em certos momentos deixando que a imagem seja o prolongamento do mesmo, seu complemento.&lt;br /&gt; A técnica do artista é boa, ele se dedica ao trabalho com seriedade e cuidado. As ilustrações imitam a textura do material escolhido, o giz de cera, o lápis de cor sobre papel. É gostoso perceber a textura sugerida ali. E o papel, como o design gráfico do livro, foi feito cuidadosamente. Gostei mais das ilustrações que também “se soltaram naquele quarto”, naquela fantasia, como a dos fantasmas, a das cortinas voando, a do sol, do avião... a do sapo eu dispensaria.&lt;br /&gt; Cleise Mendes respeita os pequenos, trata de deixar ali a sua mensagem: eles devem ser livres em sua fantasia e sentire-se seguros para resolver seus mistérios e medos. As crianças, como Gabriel, podem descobrir a si mesmos e sobre o mundo enquanto se deparam com o inesperado, com a surpresa, com as suas angústias. Vão aprendendo a ser responsáveis. E tudo isso com muita traquinagem e bagunça, amigos invisíveis, mistérios e bichos de estimação.  A autora também insere, implicitamente, a relação dos adultos ali e os limites entre verdade e fantasia. &lt;br /&gt; É um texto que traz um menino comum de uma família em “situação normal”. Gosto de que Gabriel seja uma criança que, sendo negra na história, também podia ou pode ser branca, mulata, misturada. Um projeto interessante nessa difícil – e bota difícil nisso – tarefa de escrever para crianças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6923609447643353078?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6923609447643353078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/misterios-anjos-e-baguncas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6923609447643353078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6923609447643353078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/misterios-anjos-e-baguncas.html' title='Mistérios, anjos e bagunças'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4058786640865021415</id><published>2011-11-13T10:03:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T10:03:36.008-08:00</updated><title type='text'>Por trás da burca, a força das mulheres</title><content type='html'>Ayaan Hirsi Ali transformou-se num símbolo da luta feminina contra a opressão nos países islâmicos. Em “Nômade”, ela volta a colocar a sua experiência num relato pessoal, uma espécie de romance-diário, no qual continua a contar a sua trajetória.&lt;br /&gt; Agora, a autora tece a sua narrativa ao redor do eixo familiar. É contando sobre o seu pai, irmãs, primos, avós, mãe, família que ela classifica no livro como “problemática”, que ela aborda o Islamismo, um meio de vida mais do que uma crença. &lt;br /&gt; Falando também de sexo, dinheiro e violência, Ayaan vai abordando a diferença entre o mundo muçulmano e o ocidental, destacando a oposição entre o sistema democrático e o teocrático, alvo de sua crítica e rancor.&lt;br /&gt; “A burca deveria ser o ponto de partida para um debate mais amplo: a maneira de viver das pessoas em geral”. Afirma no livro. Ayaan Hirsi nasceu na Somália em 1969 e recebeu uma educação islâmica ortodoxa e radical, tendo sofrido mutilação vaginal, uma experiência traumática e dolorosa,  conforme relatou em seu primeiro livro. Com apenas 22 anos, ela conseguiu fugir para a Holanda, escapando de um casamento arranjado por seu pai. Foi nesse país - que ela afirma adorar e diz ter sido o lugar em que mais foi feliz, que ela estudou, formou-se em Ciências Políticas e tornou-se membro do parlamento holandês. &lt;br /&gt; A sua luta contra a opressão e a submissão feminina, assim como as críticas ferozes ao Islã, a levou a deputada em 2003 naquele país, antes de ser acusada de perder a sua residência holandesa e ver-se obrigada a ir viver nos Estados Unidos. Mas, antes disso, foi ameaçada de morte pelos fundamentalistas islâmicos e passou a ser acompanhada de guarda-costas depois de ter seu amigo, que dirigiu um filme sobre a sua vida, assassinado.&lt;br /&gt; Ela costuma comparar os sistemas para mostrar os abusos e o fanatismo dos fundamentalistas islâmicos: “O nível de separação entre Igreja e estado é totalmente diferente. Para que isso também aconteça no Islã, depende apenas dos muçulmanos”. Em sua opinião, os grupos radicais do norte da África, ao colocarem a prática radical da religião acima de tudo, violam os direitos humanos. &lt;br /&gt; As suas críticas, expressas no livro, alcançam também a benevolência dos países ocidentais com os imigrantes. Nesse sentido, destaca que é muito importante que a cultura de acolhida exija que as pessoas, além de aprenderem o idioma, aceitem os sistemas de valores. Em sua opinião, os países europeus que são muito “compreensivos” com as diferenças culturais e religiosas, acabam incentivando hábitos que prejudicam a mulher, que pode, por exemplo, morar na França ou na Inglaterra e continuar a usar a burca e a ser controlada por seus pais e maridos.&lt;br /&gt; Com relação à violência de gênero, Ayaan destaca que não é só no Islã, mas em todos os âmbitos e sistemas. Ela destaca as diferenças entre europeus e orientais e, de forma aberta, elege como mais saudável a liberdade do ocidente.&lt;br /&gt; O livro não traz nada de especial em se tratando de estilo; a linguagem é direta, quase jornalística, e a autora acaba sendo muito repetitiva em relação a alguns fatos e reflexões. Mas não se pode negar que é um relato corajoso e lúcido. A autora, que se denomina feminista, leva a luta feminina para além das relações homem e mulher e mostra como um sistema religioso misógino pode ser cruel.&lt;br /&gt; Suas análise dos símbolos de sua cultura são instigantes porque ultrapassam oposições mínimas e se tornam complexas no contexto histórico: “A burca simboliza a tradição, é certo, mas seu significado é o do controle da sexualidade. Indica que a mulher que fique em casa, e revela o homem como incapaz de controlar seus instintos sexuais. Isso é o que inculcam os islâmicos radicais às pessoas.”&lt;br /&gt; Hirsi Ali vive hoje nos Estados Unidos e criou uma Fundação em seu nome, através da qual defende os direitos das mulheres no ocidente diante do islamismo radical. Milita em várias frentes e afirma que “o multiculturalismo como se entende hoje é um fracasso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nômade/ Cia das Letras/388p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4058786640865021415?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4058786640865021415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/por-tras-da-burca-forca-das-mulheres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4058786640865021415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4058786640865021415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/por-tras-da-burca-forca-das-mulheres.html' title='Por trás da burca, a força das mulheres'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1238127959091752245</id><published>2011-11-13T10:00:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T10:00:50.556-08:00</updated><title type='text'>O “Xão” de palavras de Ondjaki</title><content type='html'>O jovem escritor angolano Ondjaki é um dos mais premiados de sua geração. A sua obra é mesclada: prosa e poesia seguem equilibrando-se na pena do escritor. Para além disso, vez por outra ele arrisca de fotógrafo, ator, cineasta. &lt;br /&gt; Gosto de saber que entre todas as artes e linguagens, há a curiosidade exagerada pela palavra, seja a que dá forma às suas narrativas, seja a que suspende poesia do “xão”. &lt;br /&gt; Ondjaki trocou cartas com o poeta Manoel de Barros. Entre eles, surpresas e palavras que caminham de uma pátria a outra, de uma alma a outra.&lt;br /&gt; Em “Há prendisajens com o xão” a poesia das palavras tanto é oferecida em poemas como em textos curtos, narrativas condensadas, como a série das “estórias”. Nesses textos, dedicados a personagens da memória do escritor, há a interação da tradição oral com o lugar da palavra que tenta dar ao leitor, de certa forma, o lugar central, ainda que organizado pelas metáforas que revelam-escondem paradoxos, como o suspeito verso “um só olhar pode ser uma voz não dita”, do poema “Que sabes tu do Eco do silêncio?” dedicado a também poeta Paula Tavares.&lt;br /&gt; Essa experiência tem estado presente na obra do escritor, que tem trazido ironias e desconstruções em grande parte de sua escrita, reclamando e refletindo o lugar político pós-colonial de sujeitos angolanos.&lt;br /&gt; Ligando as partes do livro - “poemas” e “estórias”- uma invisível ponte erguida sobre o sentido das palavras.  É nisso a maior beleza de muitos dos poemas, como “Penúltima vivência”: quero só/o silêncio da vela./o afogar-me/ na temperatura/ da cera./quero só/ o silêncio de volta:/infinituar-me/em poros que hajam/num chão de ser cera.&lt;br /&gt; A linguagem também obedece seus princípios ali, nos poemas e nas “estórias”; as minúsculas e a pontuação experimental funcionam bem na dimensão visual e no ritmo das frases, dos versos.&lt;br /&gt; Há também um compêndio colecionável: Na “Aterminação”, os convidados especiais aparecem brilhantemente: “Bichos convidados de A a Z, onde a ironia e as combinações tanto trazem o jogo especial da poesia, quanto a ludicidade também verificada em Manoel de Barros, ainda que com outros segredos. Uma das entradas que gosto é “grilo”: pastor de estrelas. embalador de noites. de tanto grilar seus sons, conhece cada curva de um silêncio. bichinho quase inencontrável de dia.&lt;br /&gt; Tem também “Outros convidados ou descoisas de Z a A”, onde encontrei “quintal”: sítio onde cabe um grilo, um universo, um chão, uma algibeira de silêncios, uma estrela grilada ou todo um infinito inacabado.&lt;br /&gt; O livro é assim: palavras, paisagem, homem, sentimento e coisas parecem ser feitas da mesma matéria: a poesia da própria palavra. Uma leitura que traz Manoel de Barros e as “descoisas” de outras paragens, talvez mais de Angola, mas também dos mares todos, e nem me surpreende que o meu inconsciente me traga o Saramago  quando leio: “madeira”: sem ela não se fazem nascer jangadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1238127959091752245?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1238127959091752245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/o-xao-de-palavras-de-ondjaki.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1238127959091752245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1238127959091752245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/o-xao-de-palavras-de-ondjaki.html' title='O “Xão” de palavras de Ondjaki'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5487682643382933368</id><published>2011-11-13T09:58:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T09:58:54.738-08:00</updated><title type='text'>O carro amarelo da infância</title><content type='html'>O livro “Três Infâncias”, de Mayrant Gallo, reúne três histórias sobre a infância, sobre o tempo e sobre as descobertas da vida em meio à aridez das dores, das perdas, das faltas.&lt;br /&gt; Quando vi, na capa, a imagem de três balões, pensei no belo filme de Albert Lamorisse - um clássico sobre a infância-  “O balão vermelho”. &lt;br /&gt; No belo filme de Lamorisse, a paisagem parisiense pálida, do pós guerra, é invadida pelas cores dos balões que, como se fossem vivos, fazem a reclamação da infância, trazem  o lirismo e a fantasia para a hostilidade da órfã infância européia.&lt;br /&gt; Curiosamente, algo da crueldade que há naquele filme- por mais que seja lírico e belo- também pode ser visto nas histórias de Mayrant: há qualquer coisa de cruel em ser criança e ter de deixar de ser, mas há também maldades outras: um filho órfão de mãe vendo o seu pai ser humilhado ao cobrar de um engenheiro o dinheiro devido; a fome e a pobreza que fazem com que a bicicleta de um filho seja vendida para ter um pouco de comida; o vazio de uma cidade  de risos infantis  depois de um ataque aéreo; a terna despedida da infância que não vai voltar.&lt;br /&gt; A novela “Moinhos”, que ganhou o prêmio Literatura para Todos, do MEC, em 2009, traz capítulos construídos engenhosamente; palavras pensadas e lapidadas para se chegar ao sentimento do narrador, o filho que um dia acompanhou seu pai pela vida, vendo-o sofrer  a humilhação de ir cobrar o dinheiro que lhe é devido a um engenheiro que jamais paga a dívida. &lt;br /&gt; Entre a penúria, os fiados no armazém, a entrada clandestina no trem, há a esperança curiosa de qualquer alívio com a presença da “loura”. É essa mulher, sensual, misteriosa, quiçá até doce, que trará de algum lugar do futuro a memória daquele filho que arrasta seu pai pela vida. E é ela também que dará a ilusão de que a desgraça se vai acabar. Mas ficará tudo ainda pior.&lt;br /&gt; O conto é duro e terno. As frases permitem uma linha de ação contínua, que sai da memória e se torna presente no movimento desse narrador que recupera detalhes de si mesmo ao localizar seu pai: reduto de sua infância, prova absurda de sua própria dor. Não há filho sem pai. Há lapsos, quem sabe se do escritor, que intrigam, ou que fragilizam em certa medida, o precioso da história, como a frase “the day after”, que mais parece uma certa insistência do Mayrant Gallo do que do “autor-narrador” que viveu aquela história, um narrador longe disso e perto demais de “no entanto, fui com meu pai. Pela rua e pela vida, lentamente.”&lt;br /&gt; Esses “Moinhos” emocionaram-me profundamente. Da mesma forma que me encantaram  as “manchas” de “O ritual no Jardim” e o não poema-canção, o não conto do “romance” “Dias de Garoto”.&lt;br /&gt; Em “O Ritual no Jardim” a meninice sai em burburinhos de histórias de quintal e de avô, no tempo da guerra,  de meninas e de meninos que crescem e deixam em jardins as suas infâncias. São contos-capítulos curtos, pincelados de ludicidade, ternura e também segredos. As palavras e frases se movimentam secretamente naqueles espaços exíguos, naquelas manchas de tardes, e vão transformando em homens aqueles sonhos. O cenário de uma outra época não pareceria combinar com as narrativas curtas, contemporâneas, mas é nisso o segredo quase todo: escapolem das memórias de todas as infâncias do ontem ao hoje. &lt;br /&gt; “Dias de Garoto” alcança-nos de outro tempo também, dá até uma certa raiva pensar que tudo nos diz respeito, que essas dores fazem do menino o homem que estraga a vida toda depois. Sonhos de infância.&lt;br /&gt; As cidades, os cenários, são vários, são universais, São Paulo, Rio, um quintal ou um jardim, uma estação de trem de qualquer parte. E o quadrado vazio depois de uma explosão é a nossa história de intriga de gente muito grande: Guerras que ficaram sem sentido por aí.&lt;br /&gt; Um livro com muito sobre esse tempo de brincadeiras e sobre os segredos das gentes crescidas. Belas histórias em narrativas densas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três Infâncias/Casarão do verbo/110p/R$24.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5487682643382933368?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5487682643382933368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/o-carro-amarelo-da-infancia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5487682643382933368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5487682643382933368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/o-carro-amarelo-da-infancia.html' title='O carro amarelo da infância'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3571836494157234393</id><published>2011-11-13T09:55:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T09:55:43.531-08:00</updated><title type='text'>As palavras passarinhas</title><content type='html'>“Como as rochas, não gostava de máquinas, tinha horror das explosões. Encontrar atalhos preciosos no leito do rio não era motivo de alegrias passarinhas(...).” As palavras  do conto “preciosidade” parece definir a premissa de Luciana Braga: seu devir poético, sua caneta deslizante desvia-se de explosões mecânicas ou programadas.&lt;br /&gt; O seu primeiro livros de contos “Há cores e acordes” traz oito narrativas cujo eixo é a redescoberta. Prosa-poética que aposta na leveza e na inata força metamorfoseante da palavra, o conjunto da jovem autora, que já foi premiada com livros para crianças, traz a metáfora como a sua ferramenta principal para contar histórias.&lt;br /&gt; Em sua forma particular de descortinar as suas personagens, o cotidiano se traduz em encontros subjetivos dos fatos com as palavras; são essas que parecem assumir o lugar das emoções, da surpresa, dos desencontros das personagens. Elas são algo vivo que roça suavemente o leitor, sem chocá-lo, sem explosões.&lt;br /&gt; Em “Mudança”, um dos melhores contos do livro, a personagem nos leva para um lugar único, uma geografia outra, sendo a cidade um espaço de sentidos, guardador de passagens, sejam essas físicas ou vestígios de lembranças. Ali há encontros suaves com gatos e meninas, metáforas e segredos se misturando ao passado e ao presente de forma que todos os mistérios da morte sejam sutilmente entregues. A naturalidade desse fato vem da possibilidade de se ter na memória um cúmplice: a vida é caminho sem fim em sua beleza. &lt;br /&gt; Maria e Osório compartilham suspeitas de amor em “Preciosidade”, com fugas dando-se,  paralelamente, ao desejo de encontrarem-se na natureza antes de tudo, já que - como rio ou como terra- homem e mulher ali se traduzem. Amor, desejo, viuvez, maternidade: pactos de quem se deixa entregue ao sentimento.&lt;br /&gt; Em “Fotografiló”, outro belo conto, Filomena sobrevive “fabricando pequenos milagres diários”. Sua existência pelos cantos da fria rodoviária, ou pelos sítios desertos e despudorados do abandono, emociona o leitor aproximando-o da vida crua de um não conto de fadas. E a poesia daquela prosa ajuda  o desbravar desses lugares destinados aos solitários abandonados, faz-no ainda mais perto.&lt;br /&gt; As tulipas amarelas do senhor Grendo ou  a Rosa de algum revolucionário fazem parte do mesmo baú: são prendas escondidas  na vida dos contos, descortinadas por poesia, beleza de arranjo que faz o leitor se ater a algo lá fundo; são  qualquer sentimento estranho que guardávamos em repetidos cotidianos e diferentes desejos. Aquela recusa sempre ensaiada ou a entrega inusitada: a autora domina os segredos. “Butin de guerra”, “Dominique”, “À beira de amar”... seus contos são todos sopros de vida; de convite ao assentamento nesse tempo irrequieto e violento.&lt;br /&gt; Luciana Lorens Braga fala de amor, de morte, de maternidade, velhice, memória, encontro, abandono, solidão. Para ela é tudo razão para a beleza do contar. A sua intimidade com as palavras é seu trunfo, embora se exceda nas imagens em alguns contos, sobrepondo-as desnecessariamente. Mas é com metáforas fortes, uma consciência de ritmo, de sonoridade, de “peso” que recombina as palavras todas, rearranjando-as de forma particular. Sua escrita é delicada e ao mesmo tempo forte. Seu tempo de histórias é qualquer um, ela não se preocupa com marcas, assume tranqüila um certo olhar: quer a sua escrita impregnada de alguma poesia à qual se relaciona.&lt;br /&gt; Cachorros, gatos, meninas, ruas, rios, flores: Luciana não se limita. Ela se joga no vão lírico de sua prosa, deixa-se livre na aposta pela doçura, pela recusa à violência mesmo quando denuncia o feio que a vida guarda. As palavras são quase uma proposta de vida. Descobrir o cotidiano e reinventá-lo é fato; a escrita é o final do divã, o leito do rio, a última  flor arrancada.&lt;br /&gt;Há cores e acordes/Ofício das palavras. 159p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3571836494157234393?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3571836494157234393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/as-palavras-passarinhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3571836494157234393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3571836494157234393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/as-palavras-passarinhas.html' title='As palavras passarinhas'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6113381988636810456</id><published>2011-11-13T09:52:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T09:52:49.303-08:00</updated><title type='text'>A polêmica das adaptações literárias para os quadrinhos</title><content type='html'>O fenômeno é visível: uma infinidade de obras literárias foram  adaptadas para os quadrinhos. As livrarias estão cheias de ofertas; os clássicos - da literatura brasileira à universal- chegam em velocidade impiedosa e igual  “variação sobre o mesmo tema”, já que uma mesma obra pode ser vista em mais de uma adaptação, de diferentes editoras, como o “Memórias de um sargento de Milícias”, que deu origem a “Leonardinho: memórias do primeiro malandro brasileiro” e a outras versões com o título da obra original .&lt;br /&gt; Livros que para alguns custariam trabalho para ler, pela sua extensão, linguagem ou pela sua complexidade, estão disponíveis em poucas páginas ilustradas. Mas é isso algo ruim? Bom? É válido? É didático? Depende da intenção. Com o fomento do governo Federal,visando estimular crianças e jovens  em idade escolar a lerem, muitos projetos de adaptações literárias foram encaminhados a editoras e comprados pelo governo. &lt;br /&gt;As editoras, percebendo o filão, avançaram e tudo quanto é clássico anda sendo quadrinizado. Não sendo advogada do diabo e ainda assumindo-me leitora orgulhosa de quadrinhos tanto quanto da literatura, posso dizer tranqüilamente que as obras literárias quadrinizadas não substituem as originais. E mais ainda: algumas não conseguem nem mesmo manter “o caráter” da obra inspiradora, como é o caso de “Triste fim de Policarpo Quaresma”, da editora Desiderata, que apesar do excelente trabalho gráfico dos artistas, que produziram bem, com desenhos magníficos e diagramação boa, não consegue manter a estrutura do romance e muito menos a personalidade de Policarpo. &lt;br /&gt;As elipses e transições parecem funcionar em termos de ação, mas o contexto e a linguagem, que faziam do protagonista uma das personagens mais hilariantes e ao mesmo tempo comoventemente trágicas da nossa literatura, não conseguem se manter  na obra citada. É uma excelente obra de HQ, mas não uma boa adaptação do clássico de Lima Barreto. Os recortes enfatizam o aspecto caricatural de Policarpo Quaresma, mas só.  &lt;br /&gt;Outras obras fazem o contrário: personagens secundárias acabam mais interessantes e alguns protagonistas se mostram mais atraentes, como na obra “inspirada” no livro “Memórias de um sargento de Mílicias”, de Manuel Antonio de Almeida,   “Leonardinho: memórias do primeiro malandro brasileiro”.&lt;br /&gt;Esse caso é muito bom para mostrar que as dificuldades para se adaptar uma obra para HQ são imensas. Se a intenção é fazer equivalência e desejar que, por exemplo, o leitor não se sinta prejudicado se não ler o original, então é melhor que o texto seja o mais fiel possível, o que encontra barreiras em se tratando de outra linguagem.&lt;br /&gt;Se a intenção é seduzir o leitor, através de outro meio,  e levá-lo ao livro que inspirou o HQ, o melhor seria a criação livre, assumida e bem cuidada, que, se não se mantém fiel ao texto, pelo menos ao caráter desse sim.&lt;br /&gt;Assim como as adaptações levadas ao cinema, essas que chegam aos quadrinhos sofrem dos mesmos perigos. As HQ são um gênero literário, com sua linguagem, sua estética, suas particularidades e, ao se transpôr para elas um clássico, há que se ter em mente o objetivo final. Os artistas dos quadrinhos ganham a oportunidade rara de mostrarem seus trabalhos, de serem publicados, de entrarem no mercado, mas ao fazê-lo sobre o trabalho literário pré-existente, muitas vezes acabam  se perdendo, pois se o texto literário não for traduzido com qualidade, fica-se a sensação de que o artista não é bom.&lt;br /&gt;Se as obras adaptadas forem trabalhadas como suporte ao livro original, nas escolas, o cuidado deve ser ainda maior. O professor tem de ser sensível para apontar as diferenças, perceber o lúdico e o especial dos quadrinhos tanto quanto da literatura, esteticamente falando.  A HQ “Memórias póstumas de Brás Cubas”, da Desiderata, é uma dessas que tem sucesso raro: o texto é mantido com a maior fidelidade possível- guardando-se as devidas proporções, literalmente falando -  e ainda assim os artistas criam com a linguagem dos quadrinhos, deixando claro que se trata de outro suporte. Apesar de ser um texto difícil, os autores não tentam facilitá-lo, mesmo que possa ser, em alguns trechos, chato para o leitor comum de HQ .&lt;br /&gt;Se o leitor da adaptação é o leitor de HQ, ele buscará ali outras coisas, o traço, a dinâmica, a sutileza do detalhe, a ironia, o humor, a imagem que se complementa com o texto ou que nem necessita do texto. Mas o leitor de literatura que vai ao HQ buscar o caminho mais fácil para a obra deseja o mais possível saber do que se trata aquele livro tão falado e jamais lido. Assim, posso dizer que essas “traduções”, em sua grande maioria, não oferecem isso. São muitos os projetos que visam o lucro mais do que outra coisa,  com algumas exceções, diga-se também.&lt;br /&gt;O melhor é se entender o gênero HQ como tal, parar de se delirar achando que os jovens que não gostam de ler  livros vão chegar à literatura através de uma obra adaptada aos quadrinhos. Uns  poucos talvez sim, mas o melhor é ver a coisa tal qual é no nosso tempo: HQ é um gênero independente, como o cinema, possuindo bom e ruim material como há bom e ruim filme, bom e ruim romance. Se o jovem lê HQ, ele já é um leitor. Precisa ser estimulado para ser leitor de outros gêneros, chegando-se assim à literatura. Sou a favor dos livros, sempre, e como professora de literatura, luto por ela, mas as manifestações todas de nosso tempo são bem-vindas. O que precisa é se  ter qualidade estética, textual, artística. &lt;br /&gt;“Literatura” em quadrinhos me atrai pelos desenhos, mas eu continuo preferindo ler Machado de Assis e Lima Barreto, entre outros como Kafka, Marcel Proust, Dostoiévski,  nos livros, no “meio” em que eles se fizeram grande, com  o que eles deixaram em suas linguagens, suas propostas, suas metáforas, descrições, jogos, ironias, narradores: suas estéticas. Alguém por acaso iria lá querer ler Mafalda, Garfield, Homem Aranha, Cebolinha, O surfista Prateado , Sandman em páginas de um romance? Vamos ver os filmes, ler os quadrinhos e ler a literatura.&lt;br /&gt;Coleção Grandes clássicos em Graphic Novel/ Memórias póstumas de Brás Cubas/por João Batista Melado &amp; Wellington Srbek: Desiderata editora.86 pág. 48,00 .&lt;br /&gt;Coleção Grandes clássicos em Graphic Novel/Triste Fim de Policarpo Quaresma/por Edgar Vasques &amp; Flávio Braga: Desiderata editora.70 p/42,00.&lt;br /&gt;“Leonardinho: memórias do primeiro malandro brasileiro”. Por Walter Pax e Vicente Castro. Editora Saraiva.72 p. 35,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6113381988636810456?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6113381988636810456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/polemica-das-adaptacoes-literarias-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6113381988636810456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6113381988636810456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/polemica-das-adaptacoes-literarias-para.html' title='A polêmica das adaptações literárias para os quadrinhos'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6468754415620252611</id><published>2011-11-13T09:50:00.001-08:00</published><updated>2011-11-13T09:50:49.647-08:00</updated><title type='text'>Ditadura e  amor: um livro para o pai</title><content type='html'>Ditadura e amor extremo pelo pai é um tema que não parece muito fácil de resolver sem que a violência embrenhe-se no texto. Mas é em meio a uma doçura cativante que uma história sobre pai – uma quase biografia, se melhor quisermos abordar o livro – desenrola-se em “A ausência que seremos”.  &lt;br /&gt; Desde Agamenon, o pai é quem faz a guerra; é aquele contra o caos, a autoridade contra a desobediência. E se não o próprio Deus, é o que se incumbe de negociar com deuses. O pai é a lei, e a pátria o seu território.&lt;br /&gt; Um livro sobre um pai poderia supor um projeto intelectual  complexo ou agarrado a um dos muitos caminhos simbólicos do tema. Mas é o contrário. É uma relato simples e poético em seu caminho direto ao cotidiano familiar, no qual se pode enxergar as armadilhas políticas e, ao mesmo tempo, testemunhar a imensa paixão de um filho por seu pai.&lt;br /&gt; A literatura, a filosofia e a mitologia acolhem o pai como a força primeira. Pela carga ideológica em torno dessa figura, na densa e estreita relação com o papel autoritário dos patriarcas – leia-se ditadores– latino-americanos, qualquer versão contrária não só chama a atenção como também é bem-vinda.&lt;br /&gt; Nesse sentido, “A ausência que seremos”, de Héctor Abad, é um livro ímpar, pela qualidade narrativa e, sobretudo, porque o protagonista da história é o Doutor Héctor Abad, um progenitor diferente, como nos diz o autor-narrador-filho: “Cristão na religião, marxista na economia e liberal na política”.&lt;br /&gt; O médico Héctor Abad, colombiano, era de fato um convencido da necessidade de um compromisso social da medicina com a pobreza devastadora em  países como a Colômbia. Durante toda a vida lutou por paz, tolerância e justiça. Extremamente sensível, trancava-se em seu estúdio para ouvir Bach e Beethoven na tentativa de curar sua dor e sua raiva. &lt;br /&gt; Ele foi ameaçado várias vezes, mas não calou a boca nem se exilou, denunciando nas rádios e nos seus escritos os autores da violência que rasgou seu país até 25 de agosto de 1987, quando dois homens esvaziaram suas armas no seu corpo, na porta do Sindicato dos Professores de Medellín. Ele tinha 65 anos, usava terno e gravata, e em seu bolso foi encontrado um soneto de Borges, "Epitáfio", talvez um apócrifo, cujo primeiro verso diz: "Já somos a ausência que seremos..." &lt;br /&gt; Por conta dessa vida intensa, inscrita na memória e na alma do autor do livro, foi necessário mais de duas décadas para que ele pudesse enfrentar a escrita dessa perda. "Eu arranco de dentro estas memórias como se fizesse um parto, como se um tumor fosse removido", diz Abad.&lt;br /&gt; Não há dúvida de que o tempo não só o ajudou  a amadurecer a escrita como também a encontrar o tom adequado em uma tradição literária onde prevalecem o pai autoritário, o tirano e o patriarca. Enquanto a figura do pai de Kafka se impõe sobre seu trabalho e sobre sua existência, o narrador colombiano, ao contrário, escreve: “Amava meu pai sobre todas as coisas... Amava meu pai com um amor animal. Gostava de seu suor, e também  da lembrança de seu cheiro... Gostava de sua voz, de suas mãos, de sua roupa impecável  e da meticulosa limpeza de seu corpo”.&lt;br /&gt; Por isso talvez a estranheza do relato venha da surpresa: Pode esse pai amoroso existir? O pai que ri mais do que os seus filhos, que chora quando está triste, que canta tango e escreve poemas? Esse pai que nem é o que sustenta a família, numa divisão de papéis completamente atípico? o pai que não está ausente?&lt;br /&gt; Como se fosse pouco, o Doutor Abad educa os seus filhos com abraços, carinhos frequentes; protege com amor a família, em meio a uma sociedade atravessada pela violência familiar, política, institucional e histórica.&lt;br /&gt;  "A idéia mais insuportável da minha infância era imaginar que meu pai pudesse morrer e por isso eu tinha decidido pular no rio Medellín se ele viesse a morrer." &lt;br /&gt; É preciso imaginar o escritor, adulto, esperando até que um dia não deseje mais saltar para o rio Medellín para poder contar a vida desse homem amado e  trazer das gavetas a cura da memória ferida. Talvez como Nietzsche, que  queria escrever "para superar a realidade." &lt;br /&gt; O resultado é a história de Héctor Abad e ao mesmo tempo carta, testemunho, documento e biografia: a saga da família do escritor iluminando a história de décadas na Colômbia,  desde um lugar de amor e de justiça.&lt;br /&gt; A vida é uma ferida absurda, diz o tango que Dr. Abad adorava cantar. Mas a vida não tem cura. Artaud disse-o melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6468754415620252611?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6468754415620252611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/ditadura-e-amor-um-livro-para-o-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6468754415620252611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6468754415620252611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/ditadura-e-amor-um-livro-para-o-pai.html' title='Ditadura e  amor: um livro para o pai'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5393648781144245139</id><published>2011-11-13T09:45:00.000-08:00</published><updated>2011-11-13T09:46:55.810-08:00</updated><title type='text'>Atrás da sinagoga</title><content type='html'>em: 2+ em 12-11-2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor norte-americano Philip Roth recebeu críticas ruins com  seu romance anterior, mas “Nêmesis” eliminou qualquer dúvida possível sobre o seu declínio como autor. Roth se move na tradição norte-americana de grandes escritores usando um estilo jornalístico com recortes de poesia.&lt;br /&gt;“Nêmesis” se passa na comunidade judaica de Newark, New Jersey. Durante o verão de 1944, eclode uma epidemia de poliomielite. Não é a primeira vez, mas o número de mortos cresce dramaticamente. Cantor Bucky, um jovem professor judeu que dirige uma escola de verão, enfrenta a morte de seus alunos com uma mistura de espanto e raiva. A  vida de Cantor, um herói corroído por dúvidas éticas e morais, não tem sido fácil. Sua mãe morreu no parto, seu pai passou um tempo na cadeia, sua miopia o impediu de se alistar no exército para lutar. Ainda assim, os avós maternos tiveram o cuidado de dar todo o carinho que uma criança pode aspirar. Seu avô lhe ensinou disciplina, princípios morais fortes, auto-controle. Aos 23 anos, Cantor é um professor responsável e comprometido com o bem-estar dos seus alunos, quase um irmão a quem todos tem amor e respeito.&lt;br /&gt;“Nêmesis” é dividido em três atos, um recurso comum em Philip Roth, que joga com o ideal clássico da catarse. O romance começa como uma história idílica ofuscada pelos primeiros casos de poliomielite. Mas a dor que invade o coração das famílias afetadas desfaz qualquer ilusão de solidariedade. Essa dor não sai com demonstrações de carinho ou com palavras de conforto na sinagoga. &lt;br /&gt;“Poliomielite” é desconfiança, raiva, ressentimento. Poliomielite não se limita ao corpo doente. Seus estragos também são refletidos na podridão moral de uma sociedade que perde a confiança em Deus, na justiça ou misericórdia. Philip Roth  faz da poliomielite uma metáfora, inspirado na peste de Camus, que alerta para os perigos do fascismo, um vírus que pode adormecer até ter a oportunidade de retornar. Roth vai ainda mais longe: o problema não é o fascismo. O problema é a condição humana. Nossas reivindicações morais são fantasias retóricas; algo pode se desmoronar quando se vê o medo. O pânico nos traz de volta à “pré-moral” do Estado.&lt;br /&gt;Cantor terá de enfrentar um dilema moral que irá testar a sua integridade quando oferecem a ele um trabalho longe do foco da epidemia, pois terá de abandonar  seus alunos. Ele será obrigado a escolher e determinar se vai viver de acordo com suas exigências morais ou sucumbir ao apelo de seu destino.&lt;br /&gt; Philip Roth não fugiu do desafio de enfrentar mais uma vez a bondade presumida de Deus. Se Deus é bom e onipotente, por que ele permite a morte de inocentes? Cantor acredita que Deus age como uma velha estúpida e cruel. &lt;br /&gt;“Nêmesis” é um romance extraordinário, onde se vê o talento de Roth como um contador de histórias e seu compromisso com os grandes temas da literatura: o ser humano, a morte, Deus, o mal, o irracional, a tensão entre o indivíduo e a comunidade, a crueldade da sociedade americana onde o “mal” parece ser uma presença permanente. Seria absurdo procurar esperança nestas páginas. Philip Roth não tinha a intenção de desenhar uma fábula moral. Simplesmente, ele mostra a tremenda vulnerabilidade dos seres humanos. No final, todos fracassam na mesma infelicidade.&lt;br /&gt;Trad. Jorio Dauster/Cia das Letra&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5393648781144245139?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5393648781144245139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/atras-da-sinagoga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5393648781144245139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5393648781144245139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/11/atras-da-sinagoga.html' title='Atrás da sinagoga'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5047442543722525622</id><published>2011-09-24T19:11:00.000-07:00</published><updated>2011-09-24T19:12:01.433-07:00</updated><title type='text'>outras linguagens</title><content type='html'>http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1628585-7823-SAIBA+COMO+O+CINEMA+O+TEATRO+E+A+MUSICA+SE+RELACIONAM+COM+A+LITERATURA,00.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5047442543722525622?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5047442543722525622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/09/outras-linguagens.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5047442543722525622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5047442543722525622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/09/outras-linguagens.html' title='outras linguagens'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' 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class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5340552875665196897?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5340552875665196897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/09/trecho-de-entrevista-no-aprovado-sobre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5340552875665196897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5340552875665196897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/09/trecho-de-entrevista-no-aprovado-sobre.html' title='Trecho de entrevista no Aprovado sobre leitura'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-7616017181076228523</id><published>2011-07-30T14:22:00.000-07:00</published><updated>2011-07-30T14:59:42.289-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabidela Funarte Laura Castro Romance-post blogue narrativas Notas Poesia Literatura Livro contemporâneo escrita e leitura sobreposições Cacá Fonseca'/><title type='text'>Sem páginas, esse século 21 com livros</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ch_OwiRozIg/TjR-uNbyLjI/AAAAAAAAAZ0/gHVjSzOKJ3A/s1600/laura%2Bcastro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-ch_OwiRozIg/TjR-uNbyLjI/AAAAAAAAAZ0/gHVjSzOKJ3A/s320/laura%2Bcastro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635268366092611122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WERILqZf0Ls/TjR-t1taHMI/AAAAAAAAAZs/TYKAIek7IUo/s1600/cabidela-bloco-de-mc3a1scaras.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-WERILqZf0Ls/TjR-t1taHMI/AAAAAAAAAZs/TYKAIek7IUo/s320/cabidela-bloco-de-mc3a1scaras.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635268359724080322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A experiência contemporânea da leitura e da escrita é única. Entretanto, a realização literária de um projeto é ainda mais particular no vão cibernético: barras de rolagem, posts, comments, sobreposições, espaços visuais: o livro-blogue desafia todos os lados da tal questão na era líquida da internet.&lt;br /&gt; O que a escritora baiana Laura Castro realizou, depois de ganhar o prêmio de criação literária da Funarte, é, no mínimo, inquietante: um livro-objeto, um blogue-livro, um livro-experiência, formas e palavras sem páginas. Pelo menos sem páginas tais como as sabíamos.&lt;br /&gt; “Cabidela” (“Breu” e “cabidela: bloco de máscaras”) correspondem a uma espécie de kit de leitura e escrita. A autora, junto com a artista Cacá Fonseca, elaborou um caminho até o leitor com elementos literários (narrativas curtas, poemas, cartas, romance epistolar — ou um “romance-post” ) com desenhos e acessórios que revelam a interativa relação (ou a ausência desta) do sujeito contemporâneo com o livro. &lt;br /&gt; Mas elas fabricaram um material que eleva o livro, o blogue e o bloquinho de notas — que mesmo diferente me lembra o caderno fac-similado de Ana Cristina César —à categoria de objeto de arte. A interatividade talvez não surpreenda pelas possibilidades do leitor de escrever suas idéias ali, mas não há dúvida de que elas pesquisaram muito como fazer diferente, deixando ao leitor da era da blogosfera o caminho para explorar nesse livro diferente as suas habilidades, desafios e desejos.&lt;br /&gt;  O desenho gráfico é complexo esteticamente e simples na abordagem. As máscaras, as cartas, a disposição das letras nas páginas, as lâminas, folhas em branco, a inversão do texto, os desenhos à mão sobrepostos ao trabalho computadorizado, toda essa ludicidade é explorada como parte da natureza do próprio livro, que serve ao homem e à sua sensorialidade. E, claro, tudo se relaciona “ao livro” desse leitor tão específico: o da rede. É um blogue aquilo lá, nem me perguntem como.&lt;br /&gt; Essas “partes” que configuram o “kit” encontram o texto de Laura Castro e suspendem o leitor que esteve distraído com os jogos ali: os textos são densos, intrigantes e bem cuidados. São de linguagem e estilo do tempo delas, Laura Castro e Cacá Fonseca, com a virtualidade da vida atravessando-os: no que eu chamo de romance-post quem sabe se a personagem existe, mas ela desloca-se numa estrutura narrativa próxima demais do nosso dia, incomodando o leitor e levando-o a um outro labirinto: “É uma página inteira e só. É um emaranhado de fios. Romance não é mais novelo.”&lt;br /&gt; A fragmentação de algumas partes não são inconclusas em “Breu”; o leitor bem sabe que a história “linka-se” em algum lado mesmo quando perdida. É cuidadosamente narrado e o leitor pode optar, lembrando o nosso velho e bom Córtazar, por não começar linearmente. Lembrança também de Miguel de Unamuno com seus personagens questionando o personagem-autor.&lt;br /&gt; Os textos, fragmentos ou poemas que embrenham-se pelo romance, enriquecem a híbrida forma ali. A personagem intima o leitor, prende-o naquele labirinto. O tempo é quebrado, alterado assim como a forma, na virtualidade da vida ou da história. O negócio vira cena, de um filme, de um vídeo, de uma paisagem dramática de homens-personagens. A narradora-personagem, uma escritora, de repente também diz: “Já havia tempo que eu não a narrava nada”.&lt;br /&gt; Sem nem saber como, saltamos o cotidiano, os espaços de uma casa, nos encontramos na cozinha. Falamos de sonhos, de solidão, de amor, mesmo sem existirmos (personagens nos pensamos quase o tempo todo, num dos truques) e o espaço ora é definido ora desfeito sem dar tempo de pensar: “Fiquei um tempo vivendo sem bloquinho (...) Desde que o conheci, aqui, na praça dos 15 mistérios, vivi um tempo sem narração, sem apontamentos”.&lt;br /&gt; Laura assume muitos dos problemas contemporâneos, joga-nos na cara a dificuldade de separar o joio do trigo na era digital, diz que seu “livro” é um blogue, que escrito está e ficará na rede, mas é o bloquinho de notas dela que vira tudo. É assim que ela corteja-nos, deixando claro que o tempo se apropria de tudo e quer sempre mais. Nada de máquinas de escrever, mas canetas e teclados de computador podem. &lt;br /&gt; O bloquinho que vem com o livro é valioso. Os escritos são para ficar e seu/nosso “Borratório”, também o bloco de anotações da escritora de “Breu”, avisa-nos: “Daqui o bloco é líquido/o blogue escorre e evapora feito rio./O blogue impõe outra ordem,/A nova ordem.” &lt;br /&gt;A autora parece não ter conflitos em pertencer ao tempo em que retrôs combinam com paisagens futuristas e desenhos computadorizados. &lt;br /&gt;O livro “Cabidela” é um bom produto dessa época duvidosa de excessos. É um exemplo do que Roger Chartier e Umberto eco discutiram na conversa sobre o fim ou não do livro. Fim? Laura mostra como começo sem final esse vício de recriar o livro.&lt;br /&gt; Cabidela/Laura Castro/Edição independente/R$30,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7616017181076228523?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7616017181076228523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/07/sem-paginas-esse-seculo-21-com-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7616017181076228523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7616017181076228523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/07/sem-paginas-esse-seculo-21-com-livros.html' title='Sem páginas, esse século 21 com livros'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ch_OwiRozIg/TjR-uNbyLjI/AAAAAAAAAZ0/gHVjSzOKJ3A/s72-c/laura%2Bcastro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4396398300257655718</id><published>2011-07-30T14:18:00.000-07:00</published><updated>2011-07-30T15:01:00.864-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marcelino Freire linguagem ritmo Amar é crime rimas literatura'/><title type='text'>Amar sem Flores</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vLPBPne-jAY/TjR_EoTXBRI/AAAAAAAAAZ8/ycJwB-I6oHM/s1600/capa_Amar_e_crime.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 206px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-vLPBPne-jAY/TjR_EoTXBRI/AAAAAAAAAZ8/ycJwB-I6oHM/s320/capa_Amar_e_crime.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635268751262156050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O livro “Amar é crime”, do escritor pernambucano Marcelino Freire, chega provocando literariamente os que se detém sobre o amor (amor ou desamor, Marcelino?) para buscar seus sons, suas cores, suas caras, suas peles, suas suspeitas. E os sujeitos saídos do lado de lá também: gordas, velhos, prostitutas, criminosos, despeitados, desprezados, enjeitados.&lt;br /&gt;Chamados pelo próprio de “Contos de amor e morte ou pequenos romances”, as partes de seu livro trazem narrativas condensadas, histórias submergidas em limo e coladas à linguagem, que despedaça-se, decompõe-se lentamente, afunila-se, como no conto “Liquidação”, com personagens disputando sofás e lugares de existir.&lt;br /&gt; O autor, por todo o livro, oferece ao leitor uma musiquinha insistente de um verso só, um verso “fraco” qualquer do qual não nos podemos livrar. Mas aí está a força do seu livro: “Por causa delas – das rimas e dos fiéis e do vigarista deste pastor – é que o nosso país está o que está. Um horror!” A ironia e a exploração da linguagem vai sedimentando a desconfiança de todos, o narrador inclusive se coloca sob suspeita. No conto-romance “União civil”, questiona-se se o autor conseguiu mesmo escrever o “conto” sobre os dois homens com o carrinho de bebê. E o conto, pode-se dizer, é sobre a absurda resistência aos “dois homens com carrinho de bebê”.&lt;br /&gt;As histórias vão trazendo surpresas e provocando o leitor com as descidas e subidas de ritmos - a oralidade é cada vez mais trabalhada pelo escritor como potência literária, estilo, matéria-, e com as rimas que brincam com o “kitsch” fazendo ecoar nos nossos ouvidos a tal musiquinha desgraçada.&lt;br /&gt;O que acontece nas narrativas curtas são segredos estranhos: prostitutas que se constroem no desejo (de amarem ou serem amadas), juntamente com a “montagem” de seus corpos, como se vê em “Modelo de vida”, cujo encontro entre um gringo velho e uma garota de programa resulta numa caçada à roupa certa, a roupa que não engorde,  que valerá o tempo de se ter uma pausa na dura resistência a um dia mais de vida “quase” bonita, “quase” feliz.&lt;br /&gt;No conto “Vestido longo”, a órfã  muito pobre - quase nua - acaba vestida com minissaias que a deixam ainda mais explícita na descaração da vida injusta que lhe roubou a mãe.  Com rimas e pausas estranhas e criativas, acompanhamos a tragédia da mocinha que se presta à metáfora de tantas deste Brasil: “E assim fui ganhando casa, mortadela. Dormia em boleia, rede de pesca. No acostamento. Fui parar, pois, na casa de Dona Kalil. Mas sei rebolar. Rebolar, rebolar, rebolar.”&lt;br /&gt; Com namorados vingativos, obesas desesperadas, velhos esquecidos, mocinhas rodadas, criminosos, o livro “Amar é crime” confirma a densidade da obra de Marcelino e, assim como “Contos negreiros”, ironia, linguagem, personagens, ritmo vão puxar o leitor para cúmplice de uma história grande, um romance viciado. Amar e morrer são a mesma coisa, só não rima. As rimas, aliás, deixam-nos boquiabertos no livro.  Por isso, tanta feiúra ali é o oposto ao descuido; há trabalho grande nas narrativas, dedicado olhar, pena apurada. Marcelino condensa muito bem as histórias, deixa lugar para o leitor entrar, revolve as palavras de forma rara, ainda que comum em sua aparência.&lt;br /&gt; Com cada conto-romance, um Brasil, uma alma. E cada tempo de amar ali é o segundo sutil que devemos achar. Personagens ao estilo do autor entregam “bilhetes” ao leitor perdido em cidades muradas. As bombas explodem sem parar e as rimas se tornam versos repetidos na nossa mente. Um mundo outro sem beleza, sem certeza, sem lugar certo para cair, sem alguém para nos desencalhar ou nos mover como se poderia mover uma obesa de duzentos e quarenta quilos. Amar sem flores sim.&lt;br /&gt;Amar é crime/ Edith/169p/R$25&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4396398300257655718?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4396398300257655718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/07/amar-sem-flores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4396398300257655718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4396398300257655718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/07/amar-sem-flores.html' title='Amar sem Flores'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vLPBPne-jAY/TjR_EoTXBRI/AAAAAAAAAZ8/ycJwB-I6oHM/s72-c/capa_Amar_e_crime.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-8971122939700503532</id><published>2011-07-30T14:03:00.000-07:00</published><updated>2011-07-30T15:02:36.145-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Luiz Passos Osman Lins Graciliano Ramos Nosso grão mais fino Nordeste Pernambuco Raduan Nassar narrativa'/><title type='text'>Nosso grão mais fino</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-v7MQ7IlE8iA/TjR_c1eBqhI/AAAAAAAAAaE/23QXY5CPtZs/s1600/nosso%2Bgrao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 115px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-v7MQ7IlE8iA/TjR_c1eBqhI/AAAAAAAAAaE/23QXY5CPtZs/s320/nosso%2Bgrao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635269167113415186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sob finas palavras: incesto e solidão em paragens nordestinas&lt;br /&gt;Milena Britto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como se evitar, muitas&lt;br /&gt;vezes, a necessidade de reconhecer&lt;br /&gt;ecos de autores conhecidos&lt;br /&gt;nas páginas de novos romances.&lt;br /&gt;Para muitos – dos novos&lt;br /&gt;escritores – uma falta grave&lt;br /&gt;do crítico que sai impondo influências,&lt;br /&gt;diálogos e toda a sorte&lt;br /&gt;de encontros. O mais exato,&lt;br /&gt;porém, é que há mesmo um&lt;br /&gt;extasiar-se do crítico diante do&lt;br /&gt;fato de sentir-se íntimo, cúmplice,&lt;br /&gt;poderoso por tal reconhecimento,&lt;br /&gt;conquanto este tenha&lt;br /&gt;ainda aagudezdosurpreendente,&lt;br /&gt;do inesperado, do único.&lt;br /&gt;Ao ler Nosso Grão Mais Fino,&lt;br /&gt;primeiro romance do pernambucano&lt;br /&gt;José Luiz Passos, não&lt;br /&gt;pude sequer disfarçar que, de&lt;br /&gt;alguma forma, estava, juntamentecomonarrador,&lt;br /&gt;voltando&lt;br /&gt;à casa da infância. E não apenas&lt;br /&gt;pelas sagas e tragédias de famílias&lt;br /&gt;que para nós deixaram&lt;br /&gt;José Lins do Rêgo, Graciliano&lt;br /&gt;Ramos, GuimarãesRosa–faróis&lt;br /&gt;da prosa regionalista brasileira&lt;br /&gt;– ou pela densa e retorcida ficção&lt;br /&gt;de Raduan Nassar e Osman&lt;br /&gt;Lins. Não foi só, mas também&lt;br /&gt;esse eco literário ali encontrado&lt;br /&gt;que me fez mais surpreendida&lt;br /&gt;com a força da narrativa.&lt;br /&gt;Além da riqueza com a qual&lt;br /&gt;explora a intimidade das famílias&lt;br /&gt;feudais nordestinas–donas&lt;br /&gt;de fazendas e de vis segredos –,&lt;br /&gt;há a vastidão de sentimentos&lt;br /&gt;que povoa corpos e mentes dos&lt;br /&gt;que se acorrentam (ou se libertam)&lt;br /&gt;nas vielas do incesto.&lt;br /&gt;A construção da história de&lt;br /&gt;Ana e Vicente, unidos e desunidos&lt;br /&gt;por um amor mais extenso&lt;br /&gt;do que a infância, dá-se&lt;br /&gt;extraordinariamente em uma&lt;br /&gt;confluência de vozes narrativas,&lt;br /&gt;comalternância de Vicente, Ana&lt;br /&gt;e Zelino – irmão de Vicente, que&lt;br /&gt;talvez nem tenha existido além&lt;br /&gt;da imaginação do irmão, mas&lt;br /&gt;que nos faz testemunhar a disputa&lt;br /&gt;pelo amor da mesma moça,&lt;br /&gt;que termina arrebatada pelo&lt;br /&gt;próprio tio, numa truncada trama&lt;br /&gt;de incesto, desejo, solidão e&lt;br /&gt;angústia.&lt;br /&gt;Linguagem e estilo se colocam&lt;br /&gt;em diálogo fértil, com metáforas&lt;br /&gt;preciosas, vocabulário&lt;br /&gt;rico, deixando que o erudito e o&lt;br /&gt;criativo se encontrem bem. Um&lt;br /&gt;escritor culto e engenhoso, que&lt;br /&gt;tanto se abandona na prosa&lt;br /&gt;poética quanto bem controla as&lt;br /&gt;camadas de histórias; que deixa&lt;br /&gt;Fedra,umacadelaquemorreao&lt;br /&gt;receber um tiro, ser uma homenagem&lt;br /&gt;ao mundo mitológico&lt;br /&gt;tanto quanto à Baleia de Vidas&lt;br /&gt;Secas. Que divide bem o&lt;br /&gt;amor, o ódio e o medo dos “filhos&lt;br /&gt;dos pais”.&lt;br /&gt;Com Anquises e Diana, as caçadas&lt;br /&gt;pela memória do pai ou&lt;br /&gt;pela perdiz mais bela deixam o&lt;br /&gt;leitor solto no ar, sem a segurança&lt;br /&gt;de moral ou de regras. O&lt;br /&gt;destino junta mesmo Ana e Vicente,&lt;br /&gt;contudo os leva para outros&lt;br /&gt;mundos, para além das terras&lt;br /&gt;nordestinas. Mas eles voltam.&lt;br /&gt;Seja nessa memória encravada&lt;br /&gt;por lá, seja nesse delírio&lt;br /&gt;que nos metemos com eles.&lt;br /&gt;Muito bom ter o encontro do&lt;br /&gt;contemporâneo e da tradição&lt;br /&gt;que nos guarda.&lt;br /&gt;Éprosafina, essa.Esobopeso&lt;br /&gt;deumtempoquenemopesado&lt;br /&gt;relógio de um sacerdote pode&lt;br /&gt;calar. Estranha saga misturada&lt;br /&gt;com ficção científica, ou quiçá&lt;br /&gt;com um realismo fantástico renovado,&lt;br /&gt;na qual um misterioso&lt;br /&gt;suicídio durante uma viagem&lt;br /&gt;num zepelim conduz o leitor a&lt;br /&gt;um Nordeste tão universal, de&lt;br /&gt;engenhos de açúcar, de caçadas,&lt;br /&gt;de amor e de segredos.Um&lt;br /&gt;vício particular nosso – da boa&lt;br /&gt;prosa – na escrita de um nordestino&lt;br /&gt;que fez do seu êxodo a&lt;br /&gt;volta eterna para casa.&lt;br /&gt;NOSSO GRÃO MAIS FINO / JOSÉ LUIZ&lt;br /&gt;PASSOS&lt;br /&gt;Alfaguara / 157 p. / R$ 38 /&lt;br /&gt;objetiva.com.br/alfagu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-8971122939700503532?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/8971122939700503532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/07/nosso-grao-mais-fino.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/8971122939700503532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/8971122939700503532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/07/nosso-grao-mais-fino.html' title='Nosso grão mais fino'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-v7MQ7IlE8iA/TjR_c1eBqhI/AAAAAAAAAaE/23QXY5CPtZs/s72-c/nosso%2Bgrao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6630569825817041859</id><published>2011-06-06T15:57:00.000-07:00</published><updated>2011-06-06T15:59:00.311-07:00</updated><title type='text'>De verbários, milagrários e desejos: a língua dos pássaros</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HT7EuDcxGdE/Te1bq-XvlGI/AAAAAAAAAZk/434PsS_49rY/s1600/jose-eduardo-agualusa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-HT7EuDcxGdE/Te1bq-XvlGI/AAAAAAAAAZk/434PsS_49rY/s320/jose-eduardo-agualusa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615245104256095330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no A tarde em 04/06/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O angolano José Eduardo Agualusa encarou o maior segredo de todos nós; os sonhos, os desejos, os perigos, os mistérios, as surpresas, as delícias, o terror, as guerras, as histórias, a memória, a beleza: a língua.&lt;br /&gt; O seu novo romance “Milagrário Pessoal” assume a missão de decifrar os mistérios da língua portuguesa a partir de uma jovem lingüista, que investiga uma lista de novos neologismos publicados em artigos de jornal, e um professor, velho  anarquista angolano  “ligado ao absurdo”, com uma vida emaranhada em livros,  guerras,  poetas,  segredos e lendas.&lt;br /&gt; O romance passeia por mitos, pela história, por documentos antigos. Uma língua de pássaros aparece como chave para o mergulho na aventura que se espalha por Angola, Brasil e Portugal. O narrador é um erudito e bem humorado professor, personagem que parece representar politicamente uma espécie de guardião de segredos fundadores. Esse narrador, do passado, dos segredos de livros e bibliotecas, tem uma ligação especial com o presente através de Iara - nome nada casual da jovem que pesquisa palavras ainda não dicionarizadas. &lt;br /&gt;Além de levar o nome da mulher-sereia, híbrida como um neologismo, Iara revela-se como a outra ponta de uma história quase impossível de tão enredada. Computadores, programas, I-pods, toda a sorte de tecnologia e aparatos modernos entram na história para erigir uma homenagem a esse bem maior que é a palavra. E parte desse propósito é construído  pelos caminhos da própria origem do romance, que é a origem da palavra, que é quase a origem do homem: a magia e o encanto de uma palavra que transforma e dá sentido ao existir. O que tem de maravilhoso, contudo, é que essa alegoria é pensada através da língua portuguesa.&lt;br /&gt;Documentos antigos contêm lendas e histórias, marcas de tempo e de transformação;  essas contém e estão contidas em outros livros, que abarcam outras páginas e outras lendas, e assim, como uma caixa sem fim, essa língua que contém outras vai compondo uma rede de sentido e de segredos que une três continentes. Da oralidade à escrita, entre as guerras e os mitos, falando dos seres humanos e dos míticos, as páginas de “Milagrário” vão construindo a língua de Camões, de Caetano, de Luandino Vieira, de Cruz e Souza, de Ana Paula Tavares, de Manoel de Barros, de Guimarães Rosa e de muitos poetas que emprestam seus versos para uma língua seguir roçando em outras e nos revelando como parte de um segredo grande.&lt;br /&gt;Poetas e escritores de Angola, do Brasil e de Portugal compõem o texto de Agualusa, numa bela e incrivelmente bem-feita coleção de palavras. O escritor se revela um mestre ao inventar neologismos para pensar sua língua, fazendo também parte da mágica aventura de nomear coisas e sentimentos. As citações de eventos históricos que seguram o segredo estão desde a  Índia até o Brasil. Lendas se misturam à história; de amor e de magia, mas também histórias de poder e de guerra. De “segredanças”.&lt;br /&gt;A linguagem é cheia de surpresas não só por neologismos; o narrador usa vocábulos que talvez não existam ou que existiram algum dia, mas também revela sob outra luz ou reinventa  palavras. Essas  oferecem-se ao sacrifício para dar vida aos nossos sonhos e a uma memória esquecida de quando tudo começou. Lendas africanas se juntam a lendas pernambucanas; línguas tantas são essas que somos muitos mitos.&lt;br /&gt;O contar simples e rico de José Eduardo encanta, deixa a ternura e as suspeitas irem longe; seduz como uma flor de raro perfume, talvez a flor do Lácio. Os mistérios são das línguas e dos povos, as histórias da colonização e das independências descortinam o poder desde o alto de uma palavra. A vida não parou, o mistério está ali para deixar-nos diante da esfinge, a nossa língua; esse enigma misterioso é nosso segredo, é nosso amor. Segredo que escapuliu da língua dos pássaros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6630569825817041859?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6630569825817041859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/06/de-verbarios-milagrarios-e-desejos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6630569825817041859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6630569825817041859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/06/de-verbarios-milagrarios-e-desejos.html' title='De verbários, milagrários e desejos: a língua dos pássaros'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-HT7EuDcxGdE/Te1bq-XvlGI/AAAAAAAAAZk/434PsS_49rY/s72-c/jose-eduardo-agualusa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2082365068252865281</id><published>2011-06-02T07:31:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T07:34:34.802-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lima barreto Cuti racismo'/><title type='text'>O Brasil com Lima Barreto: Brunzundangas, Tangolomango e resistência</title><content type='html'>Publicado no A tarde, 28/05/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Policarpo Quaresma, Clara dos Anjos, Isaías Caminha... as personagens de Lima Barreto vão surgindo como parentes que chegam a visitar. É daí, quiçá, o sentimento de encontro feliz que se tem ao ler o livro “Lima Barreto”, de Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, poeta, escritor, um dos fundadores dos “Cadernos Negros” e do “Quilombhoje Literatura”.&lt;br /&gt; Esse encontro feliz é porque Cuti, ao invés de simplesmente comentar as obras de Lima Barreto, deixa a um outro Lima a porta aberta para entrar em casa. Se o Brasil racista de outrora ignorou essa literatura rica e única, o Brasil (ainda) racista de agora a tem tratado ainda com meias-verdades. A sua obra, claramente fundamental no entendimento de um período e de um pensamento geral sobre o que seria uma nação e os conflitos ali existentes, é precursora de valores do nosso Modernismo. É isso, mas muito mais.&lt;br /&gt;O livro de Cuti, modesto, pequenino, sem artifícios intelectuais, traz, justamente, as obras desse escritor a partir de seu lugar de autor negro, que sofria e que também pensava o racismo. Os fatos da vida de Lima Barreto acompanham, entremeados com observações sensíveis e críticas de Cuti, o surgimento de sua obra literária. &lt;br /&gt;A constatação de Cuti é a de que Lima Barreto esteve sempre pensando e sempre atento às artimanhas e movimentos do racismo – e recuperemos da história que o racismo ali era ainda aquele configurado em projeto: de silêncio absoluto, de combate histórico, físico, social, ideológico.&lt;br /&gt;O escritor que nos deixou o inesquecível e fascinante anti-herói  Policarpo Quaresma, quixotesco personagem que nos maravilhou com seus projetos para a nação, concebeu uma estética própria, relutou em ser cooptado por modismos ou desaparecer ante frentes de combates desassossegados; ele foi ardiloso, sutil, irônico, mas direto: escrevia e comentava, desarmava o circo racista; evidenciava as fragilidades dos discursos, as posturas centradas na hipocrisia do pensamento ; deixava em falas de suas personagens as precisas palavras para dar àquele Brasil uma resposta, ou uma corajosa recusa a aceitar calado suas graves e hipócritas construções.&lt;br /&gt;Pária? Fraco? Débil? Louco? Não. Lima Barreto era sensível, sim, mas era também forte, consciente, consistente e sabedor de seu talento com a palavra. Ele desejava ser escritor de sucesso; sabia que o pensamento e as letras eram o seu caminho e, mesmo com todas as dificuldades- não poucas sendo ele neto de escravos, pobre e preto-  não cansou de buscar esse lugar. As obras foram surgindo de suas experiências, suas observações enquanto negro naquela sociedade; pensou sobre a arte, sobre a vida, sobre a sociedade de seu tempo com igual rigor. Suas crônicas, contos e romances são discutidos por Cuti com uma junção de caminhos, vamos acompanhando o contexto e entendendo a obra a partir desse lugar de sujeito, de cidadão, de filho da pátria.&lt;br /&gt;Desde que “convivi” com Lima Barreto, há mais de uma década, em uma sala do Instituto de Letras, com a professora Florentina Souza, que ele tem ficado por ali. E foi daquelas aulas que saíram as desconfianças; entender esse Brasil, essa literatura não é fácil. Anos depois, reencontro Lima Barreto nesse livro de Cuti. A Literatura Brasileira tem Lima Barreto, a literatura brasileira tem negros.&lt;br /&gt;O livro de Cuti traz uma leitura diferente de Lima Barreto. E a sua feitura, além de seu conteúdo, traz um certo Brasil às páginas:  o Brasil de hoje, que se repensa, que quer se pluralizar.  E ele próprio revela e assume a sua estratégia de escrita: “escrevi esse livro para o leitor negro”.&lt;br /&gt; Que esse leitor negro seja entendido como parte da outra história: Lima Barreto conseguiu, enfim, ser o escritor que desejava, hoje, negros são leitores e temos outra história. E, assim como aquele moço do Sarau Bem Black, eu também queria abraçar o Lima Barreto. E o Cuti.&lt;br /&gt;Lima Barreto/ Selo Negro/col. Retratos do Brasil Negro/127p/20,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2082365068252865281?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2082365068252865281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/06/o-brasil-com-lima-barreto-brunzundangas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2082365068252865281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2082365068252865281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/06/o-brasil-com-lima-barreto-brunzundangas.html' title='O Brasil com Lima Barreto: Brunzundangas, Tangolomango e resistência'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6589539855949493540</id><published>2011-06-02T07:28:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T07:29:57.057-07:00</updated><title type='text'>A diversidade sexual no Brasil contemporâneo</title><content type='html'>Publicado no A tarde 21/05/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O livro “Retratos do Brasil Homossexual: fronteiras, subjetividades e desejos” apresenta um retrato do Brasil com relação à homossexualidade.  Os 98 artigos que compõem o livro noticiam da lei às artes e trazem o gay, a lésbica, o trans e o travesti como sujeitos de uma  outra história do Brasil. &lt;br /&gt; A comparação que o organizador Horácio Costa faz com outro livro famoso, “Retratos do Brasil”, de Paulo Prado, é pertinente. Aquele livro trouxe a cena da história brasileira moderna à discussão e ainda hoje, oito década depois, o clássico serve para interpretar e entender o Brasil;  esse outro “Retratos” desloca o assunto para um lugar de observação contemporâneo. E é daqui que se prepara o ângulo para que esse “retrato” desnude aquilo velado ou invisibilizado por tantos mecanismos.&lt;br /&gt; Depois de passar esses últimos tempos discutindo a união civil entre os homossexuais, talvez o brasileiro ache-se avançadinho. Mas é melhor se debruçar sobre “as imagens” dessa cena para entender o quanto se tem ainda por fazer. Ao mesmo tempo, percebe-se que o Brasil caminhou bastante em direção a esse lugar que se quer desde a sua construção de nação: um país diverso.&lt;br /&gt; Os textos detêm-se sobre os temas que já conhecemos – homofobia, desejo reprimido, discriminação, comportamentos gays - e outros ainda pouco discutidos – as cirurgias para mudança de sexo, a situação dos trans e dos intersexos, as leis que regulam práticas sobre o corpo. &lt;br /&gt;Os trans, ainda pouco inseridos nas discussões, são tratados em alguns dos artigos, como o de Berenice Bento, autora do livro “A reinvenção do corpo”. No artigo presente no livro, ela aborda a identidade legal de gênero, destacando a problemática entre os travestis e os transexuais. Os conflitos entre situação “cromossomática” do corpo, genitália, identidade de gênero, performance e ajuste ao nome legal são imensos e as conseqüências são das mais subjetivas às trágicas física e socialmente. &lt;br /&gt; Artigos sobre cultura e representações revelam que a homofobia costuma ser “plantada” até mesmo quando se pensa que há uma abertura e uma boa intenção por parte dos que apresentam gays em seus produtos. Leandro Colling  discute isso em  “A representação da homossexualidade na telenovela Duas caras”, onde analisa as personagens gays desmontando os estereótipos e demonstrando criticamente as artimanhas da heteronormatização. Do que adiante ter um gay na novela se esse gay não tem desejo, não beija, não casa? Acaso existe amor sem corpo? &lt;br /&gt; No artigo “Corpo e fotografia em Erwin Olaf” Wilton Garcia analisa aspectos subjetivos da homocultura a partir da série fotográfica “Fashiom victms”, destacando a relação do corpo exposto e explorado como mercadoria e os desejos projetados por construções simbólicas prévias. &lt;br /&gt; A literatura e o teatro são abordados em vários artigos que analisam as personagens e as construções estéticas que compõem as representações. Há desde textos sobre uma intencionalidade queer na obra até aqueles considerados principalmente por sua autoria, como dos de Trevisan ou Caio Fernando Abreu. Mas a maioria dessa literatura, como mostram vários textos ali, traz o homossexual como um suspeito: as personagens ambíguas, sem clareza de sexo, com algo oculto.&lt;br /&gt;  “Retratos do Brasil Homossexual” faz-nos pensar nos desafios identitários contemporâneos. No livro, o direito e a medicina fazem coro com a literatura, o teatro, o cinema para deixar exposto o tanto que esse Brasil moderninho precisa ainda caminhar. É necessário, verdadeiramente, abrir as cabeças, e as pesquisas ali, sérias e pertinentes, devem ajudar na compreensão intelectual e política desse tema caro. Que essa diversidade saia daquelas páginas e se espalhe por nossas vidas. Com fotos e flashes para dar novos “retratos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6589539855949493540?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6589539855949493540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/06/diversidade-sexual-no-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6589539855949493540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6589539855949493540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/06/diversidade-sexual-no-brasil.html' title='A diversidade sexual no Brasil contemporâneo'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1062919614919231337</id><published>2011-05-06T15:44:00.000-07:00</published><updated>2011-05-06T15:46:17.450-07:00</updated><title type='text'>http://www.ufba.br/noticias/milena-britto-apresenta-palesta-no-mam-bahia</title><content type='html'>Milena Britto apresenta palesta no MAM Bahia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte Contemporânea na Bienal é o tema&lt;br /&gt;A professora Milena Britto, do Instituto de Letras da UFBA, estará no Museu de Arte Moderna (MAM BA) na quarta-feira, dia 11 de maio, às 15:00 ministrando conferência sobre Poética e Arte Contemporânea na Programação da XXIX Bienal de São Paulo - Obras selecionadas. &lt;br /&gt;Mais informações no site do MAM: http://www.mam.ba.gov.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1062919614919231337?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1062919614919231337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/05/httpwwwufbabrnoticiasmilena-britto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1062919614919231337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1062919614919231337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/05/httpwwwufbabrnoticiasmilena-britto.html' title='http://www.ufba.br/noticias/milena-britto-apresenta-palesta-no-mam-bahia'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2123152855200208830</id><published>2011-04-23T11:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T15:30:14.736-07:00</updated><title type='text'>Quando esse olho vê:  corpo, guerra, dor e  erotismo  no espetáculo “Fricção”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-gleP31vlHz0/TbMei8yD13I/AAAAAAAAAZY/yJiKgahZqKo/s1600/VivaDanca-Friccao-JoaoMiletMeirelles-14_04_2011-061.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-gleP31vlHz0/TbMei8yD13I/AAAAAAAAAZY/yJiKgahZqKo/s200/VivaDanca-Friccao-JoaoMiletMeirelles-14_04_2011-061.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598852347532138354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-cWnlL8O4GIs/TbMd3cpUJyI/AAAAAAAAAZQ/LQoeE98O7DM/s1600/Fricco_-_Isaura_Tupiniquim.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-cWnlL8O4GIs/TbMd3cpUJyI/AAAAAAAAAZQ/LQoeE98O7DM/s200/Fricco_-_Isaura_Tupiniquim.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598851600171149090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-No8KzvnBnVM/TbMd2zsUXkI/AAAAAAAAAZI/FQHTz-s1ZM8/s1600/isaura3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-No8KzvnBnVM/TbMd2zsUXkI/AAAAAAAAAZI/FQHTz-s1ZM8/s200/isaura3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598851589177892418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;publicado em 22/04/2011&lt;br /&gt;A tarde, caderno 2+&lt;br /&gt;Milena Britto – Professora adjunta da Universidade Federal da Bahia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espetáculo “Fricção”, concebido e performatizado pela coreógrafa e dançarina Isaura Tupiniquim, traz à discussão os corpos tensionados por forças trágicas e uma condição da platéia: o voyeurismo. &lt;br /&gt; Com o corpo sendo a passagem de tudo, a técnica de Isaura está ali, aprimorada pela sua trajetória no balé e dança moderna, mas as experiências que deixam o corpo em “estados de” são o que tornam os seus movimentos efetivos, viscerais.  &lt;br /&gt; O aspecto conceitual - desenvolvido junto ao filósofo Washington Drummond- revela a profundidade da performer: as referências para esse corpo tensionado em camadas históricas estariam da filosofia à midia; com entradas marcadas pelo erotismo de Bataille, pelos registros de guerras, por uma certa plástica hitleriana, pelo dadaísmo da banda alemã Einstürzende Neubauten, o neosurrealismo de um filme como Eraserhead, de David Lynch e, no centro de tudo, a estética “tecnológica” das máquinas desse tempo de guerras.&lt;br /&gt;  Há beleza em seus movimentos de homem-máquina, em seu balé sutil, em seu arquear falsamente desengonçado, o seu gênero que se indefine e se subjetiva ao mesmo tempo. Há  dor, solidão, angústia, surpresa, medo.&lt;br /&gt; A iluminação é assinada pelo design de luz Márcio Nonato, artista que tem uma trajetória junto ao grupo pluriartístico Dimenti. Márcio acentua os sentimentos do corpo em foco captando detalhes e deixando-os suspensos, próximos à platéia; por outro lado, desde fora, o corpo em cena e os movimentos agigantam-se.  &lt;br /&gt; O voyuerismo selvagem vai sendo atacado e, ao mesmo tempo,  recuperado como parte de um processo criativo. O dispositivo de espionar é parte de uma maquiavélica relação entre os sujeitos. &lt;br /&gt; A perversão disso é o que definiria a condição “humana” ou “desumana” do corpo especulado. Especialmente  aquele em meio a guerras; as de hoje, brutalmente bélicas ou invisíveis, e, mais atrás, o que aconteceu nos campos de concentração, as marchas espetaculares de exércitos, a dança dos canhões, o balé dos soldados, o sexo desprezado e pervertido, as violações e profanações do corpo, o sangue – ou o leite - derramado em nome da paz: todas as guerras que estão em nossa memória coletiva, toda a versação institucionalizada da História da Moral.&lt;br /&gt; O cenário é mínimo. O figurino tem força nas “próteses” desenhadas por Gaio Matos. O fetiche, o uniforme, a máquina são signos elaborados com pouco, num grande acerto do artista.&lt;br /&gt; A ambientação sonora, operada pela Dj Lívia Losd,  joga-nos nas geografias desérticas dos campos de guerras, das prisões, no silêncio espantoso de corpos que desaparecem e ressurgem. Agudamente administra os sentimentos da performer através de uma combinação de efeito  musical que exaspera a platéia e conduz os movimentos ajustando-os aos sentidos. &lt;br /&gt; Com a base na música conceitual da banda Einstürzende Neubauten, os efeitos criados são sempre únicos, aventando-se em cada espetáculo outra possibilidade de dizer o mesmo. Os vidros, os metais, as correntes que se arrastam, o eco de batidas secas ou desordenadas, a ópera, o silêncio... sob a música, corpo e mente são prisioneiros da experiência, não sem resistência. Estamos friccionando e friccionados e a Dj capta bem esse processo no palco e fora dele. &lt;br /&gt;As transições de cenas são também de sentimento e de experiência. O corpo pode ser máquina, mas ele vai se descobrir humano e outra vez se converter em máquina. Camadas de processos históricos. &lt;br /&gt;Isaura Tupiniquim traz para a arte contemporânea da terra diferença com profundidade. Arrisca bastante, aliás, o risco tem sido a sua marca nas performances assinadas por ela, que pesquisa o corpo em seus entraves contemporâneos, nessas tensões onipresentes em nosso tempo. Ela recusa-se à paz e à beleza contemplativa, exaspera-se, convulsiona-se em cena. Ela transita nos depósitos de restos de corpos modificados pela história dos conflitos, metáfora para aquilo que restou de nosso sonho de progresso. &lt;br /&gt; Alguns poucos momentos saíram do eixo, em transições muito longas, uma marca do espetáculo. Algumas vezes, um movimento transicional tarda muito e se repete, retirando um pouco aquilo que seria parte da mesma história: a surpresa. Um corpo pode ser transformado também de maneira fulminante, como um braço que se vai com uma bomba ou um orgasmo que faz o rosto retorcer-se em segundos.Por outro lado, alguns momentos desses são a jóia da cena. &lt;br /&gt; Irônica, a artista concede um momento de beleza plástica mergulhada em audácia: compõe com fragmentos de sentido, iluminação e forma, uma imagem viva, um quadro Batailliano - aliás, a “História do Olho” está presente numa referência plástica na cena final do leite. O espetáculo tem nos dois “finais” um ápice contraditório: enquanto uma imagem viva de seu corpo se ergue pelo sentido da grande ironia, um derrière  virado à platéia nos largos segundos que a iluminação eterniza,  o ato rege a liberdade daquele ser recém autônomo; e, para encerrar o triunfo de ter deixado o expectador preso até ali, de presente para a platéia uma prova de seu próprio veneno, imagens trágicas, fechando o ciclo daquele acordo: o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;voyeur&lt;/span&gt; que invade a privacidade, que consome as guerras, as cenas midiáticas das tragédias é o mesmo que espiona feliz e excitado o sexo do outro pela fechadura. Perversão na dor e no erotismo. Bom espetáculo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2123152855200208830?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2123152855200208830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/quando-esse-olho-ve-corpo-guerra-dor-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2123152855200208830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2123152855200208830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/quando-esse-olho-ve-corpo-guerra-dor-e.html' title='Quando esse olho vê:  corpo, guerra, dor e  erotismo  no espetáculo “Fricção”'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-gleP31vlHz0/TbMei8yD13I/AAAAAAAAAZY/yJiKgahZqKo/s72-c/VivaDanca-Friccao-JoaoMiletMeirelles-14_04_2011-061.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3050642949703634207</id><published>2011-04-23T11:26:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:27:10.911-07:00</updated><title type='text'>Controle remoto e Cyberfuturo</title><content type='html'>Milena Britto – Professora do Instituto de Letras da Ufba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há alguns anos, Lolita Pille chocava os leitores com seu romance “Hell – Paris 75016”, no qual expunha uma juventude parisiense fútil, existindo apenas para o sexo, as drogas e o consumo de marcas luxuosas. O livro virou filme e a autora, então muito jovem, ficou bastante conhecida internacionalmente. Recentemente, Lolita Pille deu uma virada de estilo e chegou com uma espécie de thriller que envereda pelo estilo cyberpunk, o romance “Cidade da penumbra”.&lt;br /&gt; O que podia ser interessante no livro termina por fragilizá-lo: as muitas referências e retomadas de clássicos da literatura noir, cyberpunk e futurista  terminam por dificultar o acompanhamento da história, a qual situa-se num tempo muito além do nosso já tecnológico “agora”.&lt;br /&gt; Num futuro próximo, a “hiperdemocracia” Clear-World é o único poder. O céu escureceu, os gases poluentes não deixam passar a luz solar e os cidadãos são obrigados a viver da luz artificial projetada com recursos tecnológicos para imitar as mudanças do dia. Assim, dia e noite são convenções que - como diz uma personagem do romance - continuam atuando no cérebro humano: ainda que a noite não exista, é naquele artificial momento que os sórdidos desejos e ações saem à tona.&lt;br /&gt; Há situações críticas num mundo onde a realidade artificial é levada ao extremo: juventude e beleza não são direitos, são deveres e caso alguém recuse a regra é “deportado” para áreas fora da cidade. Ali juntam-se os párias, os feios, os ineptos.&lt;br /&gt; O suicídio é proibido e “monitorado” por aparatos tecnológicos, como um “Rastreador”, gerenciado pelo órgão “Preventiva Suicídio”, uma espécie de polícia secreta. É nesse serviço que trabalha Syd Paradine, um policial alcoólatra e taciturno, que percebe todo o jogo e que vive amargurado por sentir-se impotente naquela realidade aparentemente perfeita.&lt;br /&gt; É essa personagem que vai começar uma investigação para evidenciar o que está por trás do suicídio do obeso Parker. Aliás, as primeiras páginas, narradas pelo obeso suicida, são as melhores do livro. Escritas com apuro literário e uma cáustica e crua sinceridade, fazem o leitor navegar numa espécie de limbo à espera da salvação.&lt;br /&gt; É impossível não se debruçar sobre as muitas referências que Lolita usa para construir “Cidade da Penumbra”: o céu negro é uma reminiscência aos irmãos Wachowski e a Alex Proyas (há ali Matrix, Dark City); a felicidade obrigatória está no RPG Paranóia; os párias que ficam fora da cidade vão lembrar  “Fuga de Nova York” de John Carpenter. Há ainda referências a clássicos da ficção científica como Adous Huxley, William Gibson (fundador do Ciberpunk) e outros.&lt;br /&gt; É impossível não ter o de javu. A autora recupera bem as imagens; a descrição é bem detalhada do mundo onde o “banco dos mortos” é pior do que a realidade, as drogas são legais e anestésicos para a guerra e as crianças menores de 12 anos podem ser compradas e usadas como bibelôs decorativos ou brinquedos sexuais humanos. Nestas páginas é que a escrita de Pille é mais elaborada, atraindo o leitor, apesar do uso de um vocabulário trash desnecessariamente jogado aqui e ali que não funciona bem.&lt;br /&gt; À medida que a história avança, contudo, fica visível que Lolita Pille não sabe para onde ir. O suicídio de Colin Parker se perde na história, não mais sendo retomadas as primeiras páginas do livro.&lt;br /&gt; As personagens, em sua maioria, são sem consistência e florescem a cada página. Há superabundância e a escrita falha pelo acúmulo de metáforas grotescas que deixam o texto, no mínimo, confuso. &lt;br /&gt; Apesar da tentativa e de momentos muito interessantes no romance, Pille não consegue fazer “Cidade da Penumbra” sustentar-se em sua própria estrutura. Ela, entretanto, consegue, e bem, plantar no leitor uma certa suspeita desse futuro que se aproxima.&lt;br /&gt;Tradução Julio Bandeira/Intrínseca/304 páginas/R$29,90.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3050642949703634207?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3050642949703634207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/controle-remoto-e-cyberfuturo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3050642949703634207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3050642949703634207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/controle-remoto-e-cyberfuturo.html' title='Controle remoto e Cyberfuturo'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-7458848545708409859</id><published>2011-04-23T11:25:00.001-07:00</published><updated>2011-04-23T15:14:43.573-07:00</updated><title type='text'>O amor no “lado B” da cidade</title><content type='html'>Publicado no A tarde, caderno 2+&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milena Britto – Professora do Instituto de Letras da Ufba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A literatura beat tem influenciado muitos escritores, particularmente, àqueles que enveredam por uma contestação da ordem burguesa a partir da agressividade da linguagem, dos temas abjetos, apodrecidos, escusos. Dentre os chamados “beats”, Charles Bukowski – que segundo alguns críticos não deveria estar entre os beats –   é o mais ácido, o intransigente com relação à linguagem, ao estilo, aos temas. Impossível não pensar nele quando lemos algo duro, colhido dessa realidade sórdida comum a todas as épocas, países, cidades: a realidade dos becos, vielas, bares, prostíbulos.&lt;br /&gt; Ao cair nas minhas mãos o livro de contos “Elas etc” assinado simplesmente por Tico, confesso que tive minhas dúvidas se iria gostar, apesar de ter uma apresentação assinada pelo Ferréz, que também foi o primeiro a publicar Tico na coletânea “Literatura marginal” em 2004. Mas isso tudo – minha desconfiança e suspeita –  durou até eu sentar-me a ler o livro. Tinha algo de Bukowski ali, mas tinha, sem dúvida, uma pegada própria também.&lt;br /&gt; Logo depois de passear pelas primeiras páginas, “desconfiei” que sairia dele abalada de alguma maneira. Para iniciar aqui uma conversa breve sobre literatura – pensando no tal Tico – tento não me deixar cair na armadilha de quem é o autor, tratando de ler a obra como algo independente. &lt;br /&gt; Mas isso não é de todo possível. Não apenas por nossa tradição de autoridade da escrita, mas também porque a palavra pode ser assumidamente política (sim, podemos ir para Benjamin, Barthes, Foucault, Bakhtin, sair da análise do discurso, da estética literária e até da psicanálise) mas uma coisa é certa: no fundo queremos saber quem foi que escreveu aquilo e se possível até ver uma foto do sujeito. Então, sobre Tico, tendo ele sido descrito como anarquista, não foi possível livrar-me da informação e me via entre uma página e outra pensando nisso. Entre anarquia e favelas, esse Tico dá umas pauladas das boas, deixando arder as palavras sob nossos olhos, mas também deixando um rastro de delicadeza que comove.&lt;br /&gt; Não, o leitor não tem a sensação de estar diante da Tv com os programas sensacionalistas sobre favelas e bandidos. É como se, ao contrário, todas as armadilhas que nos afastam dessa realidade comovente fossem arrancadas: fica apenas o leitor e aquele mundo escondido, temido por todos.&lt;br /&gt; Os contos de “Elas etc” tem o protagonismo dado às mulheres, mas tem muito mais: um universo de escritores, referências literárias colocadas como pistas do imaginário poético do autor, cenários densos e, sobretudo, tem uma ligação intensa com a realidade das periferias urbanas. As histórias são construídas colocando-se as personagens num frágil fio que pende entre a vida e a morte, já que são partes desse “lado B” da cidade. Os contos são dos que marcam o leitor tanto pela narrativa precisa quanto pela tenacidade do envolvimento de quem lê com os sentimentos das personagens. &lt;br /&gt; Há histórias de amor e morte em barracos nas quebradas. Em um conto, a droga, o cigarro, o sexo, o vazio de esperanças misturado à persistência de sentidos, deixam a sensação ambígua da impossibilidade de se evitar as tragédias e ao mesmo tempo a luta absurda pela emergência da vida. Depois do coito, no conto “Paixão explosiva”, o casal conversa, o homem fala de Byron, a mulher, até então quase anônima para ele, mostra a ternura e a curiosidade com a vida. O cenário é desmantelado, feio como se imagina um beco qualquer, um barraco qualquer, mas as imagens chegam a ser poéticas. Nada adianta, contudo: a tragédia impera mesmo sem balas e perseguição da polícia: a explosão do barraco pelo cigarro aceso  da mulher dá um desfecho onde a surpresa é a “surpresa” e a dor do homem:  há mais vida e mais sentimento do que se imagina por trás desses mundos outros.&lt;br /&gt; “Álbum de retratos” é diferente, vertiginoso, ritmo frenético com uma espécie de transposição catártica. Um barraco, onde uma quadrilha se recupera de um assalto, é invadido por policiais que acabam exterminando o grupo. Duas personagens sobrevivem e sente-se a dor do bandido desesperado porque vê o álbum de sua família inexistente ser queimado: a fantasia de uma foto de uma família feliz importava mais do que as jóias roubadas e foi por isso apenas que houve assassinato das vítimas, o roubo era da ilusão da família e não do dinheiro.&lt;br /&gt;    A família volta outra vez no conto “A bela que abala libido e o almocreve”, no qual o sujeito recém saído da prisão assiste a morte de sua mãe prostituta pela Tv, atingida por uma bala perdida saída da arma de sua amante, uma policial. Ironia maior: ele havia tentado, sem saber de quem se tratava, dar à velha prostituta um buquê de flores. São muitos os contos, alguns muito mais interessantes do que outros, sobretudo com relação à narrativa e à linguagem, que oscilam.&lt;br /&gt; A linguagem dos contos é peculiar: coloquial, explícita, direta, imperfeita, mas, também, com vestígios de erudição, vocabulário rebuscado que aparece aqui e  ali de propósito. Eu achava, a princípio, que isso quebrava a força apelativa da representação daquela realidade, mas acaba sendo tanto um ponto de ironia como uma peleja com absurdos cruzamentos, com essa malha de tensão na que se vive hoje, os limites ou o limiar de pertencer ou não a um mundo. &lt;br /&gt; Mas nada ali enfraquece o valor da obra, a qualidade da escrita. É “literatura A” mostrando o “lado B”. Tem vida daquele lado também. E o escancarado de lá é mais terno do que se supõe o lado de cá. Literatura dissidente marcando um tempo, uma geografia, uma política.&lt;br /&gt;Editora Edições inteligentes/111p/$20,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7458848545708409859?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7458848545708409859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/o-amor-no-lado-b-da-cidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7458848545708409859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7458848545708409859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/o-amor-no-lado-b-da-cidade.html' title='O amor no “lado B” da cidade'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-7545801622747706040</id><published>2011-04-23T11:23:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:24:28.287-07:00</updated><title type='text'>Mecanismos internos da escrita</title><content type='html'>Publicado no A tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O escritor J.M Coetzee, que nasceu na África do Sul e tornou-se cidadão austríaco, já ganhou um Nobel da literatura e muitos outros prêmios importantes; porém, a despeito disso, sua fama entre os intelectuais vem da forma como encara o seu papel de escritor e o lugar da literatura no mundo, no curso da história política e em sua condição de arte.&lt;br /&gt; O seu livro de ensaios “Mecanismos internos” revela uma posição definida por si e para si como a de um escritor “consequente da leitura”. Para ele, a escrita só é possível porque ele lê; essa é a única forma para ele escrever e, mais ainda, a única que possibilita que a escrita seja algo próprio, algo em si mesma, já que ela resulta do exercício de leitura e de seu profundo entendimento. &lt;br /&gt; A sua ficção é produto das reflexões feitas a partir de escritores ocidentais e essa escrita o põe em diálogo com o canônico e o não canônico de seu tempo, respeitando o lugar  da “memória literária”, da tradição, do repertório.&lt;br /&gt; Esse “ler” significa estabelecer forças e valores para determinados autores, considerando os mecanismos internos de suas produções, mas sem deixar de fora o lugar do sujeito histórico que é o próprio autor. Sendo ele próprio um escritor que localiza boa parte de sua obra a partir de um país pós-colonial e subdesenvolvido, esse aspecto adquire ainda mais relevância em seu lugar de crítico.&lt;br /&gt; São muitas as vezes em que ele resgata o autor para ajustar a leitura que faz da obra. Quando analisa narradores na ficção ocidental, como no ensaio sobre Sebald,  por exemplo, o faz destacando na obra a intersecção e a dimensão do sujeito histórico.&lt;br /&gt; Nos vinte e um ensaios do livro, Coetezee exercita o seu olhar a partir das questões que permearam os textos escolhidos para resenhar e defende uma abordagem política vinculada às questões estéticas.&lt;br /&gt; É assim que J.M Coetzee vai discutir escritores cujas obras circularam ou produziram-se a partir de contextos político-históricos,  por exemplo o Holocausto, como se vê no ensaio intitulado “Paul Celan e seus tradutores” – nesse ensaio, as questões anti-semitistas são problematizadas nas relações entre tradutores e autores,  bem como  vai dimensionar o lugar de uma nova proposta estética, o que vemos quando ele discute Italo Svevo. Esse ensaio, em particular, serve para ver de que maneira o excentrismo do autor italiano e a sua “forma” moderna  repercurtem na própria estrutura da produção ficcional de Coetzee, sendo mesmo uma espécie de mecanismo para o seu projeto geral de escritor.  &lt;br /&gt; Um papel ético e estético  importante que, segundo ele, a literatura desempenha no nosso tempo é colocar a condição humana no centro da discussão. Não é à toa que ele dedica grande espaço a Italo Svevo, Sándor Márai e Walter Benjamin.&lt;br /&gt; Ao abordar cada obra que se propõe a ler, Coetzee cerca-se de leituras que vão localizando, discutindo e  questionando desde as diferentes razões pleiteadas por cada autor para justificar determinadas posições, até às escapadas que a psicanálise pode explicar - ou aponta o próprio exercício psicoanalítico dentro da obra. É assim no ensaio sobre Robert Walser cuja biografia inserida no ensaio, juntamente com o aspecto sexual destacado da personagem, leva-o ao percurso interno de construção do texto desse autor que, mesmo sem ser daqueles politicamente envolvidos num propósito, provoca uma ruptura e uma reconfiguração de direção a partir do lugar do desejo – ou, melhor dizendo,  do desejo da personagem.&lt;br /&gt; Depois de ler a obra ficcional de J.M Coetzee, o leitor talvez não espere dele um papel de resenhista ideal, dado o aspecto oblíquo de sua obra, mas é justamente o contrário: o lugar de crítico e ensaísta traz um texto absorvente e agudo. Esse “outro” texto, produto da razão e da erudição do autor, bem como de sua atenção ímpar à condição humana nos tempos de conflitos, guerras e desequilíbrios, revela um escritor que vincula a sua obra a sua condição de leitor do mundo, à condição de homem e de sujeito numa história em curso.&lt;br /&gt;Mecanismos internos/trad. Sergio Flaksman/359p/ R$39,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7545801622747706040?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7545801622747706040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/mecanismos-internos-da-escrita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7545801622747706040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7545801622747706040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/mecanismos-internos-da-escrita.html' title='Mecanismos internos da escrita'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4375855669828547119</id><published>2011-04-23T11:22:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:23:04.497-07:00</updated><title type='text'>Enquanto dura um Jazz</title><content type='html'>Milena Britto – Professora do Instituto de Letras da Ufba&lt;br /&gt;millenabritto@hotmail.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Foi  invocando os ecos da "geração perdida"que me inclinei a ler  o premiado “Alabama Song”, do francês Gilles Leroy. &lt;br /&gt; Das sombrias às mais ternas experiências de se escutar um bom jazz ou se ler um bom livro, só ao final se pode saber o saldo do ato.  Neste caso, entrar na intimidade de Scott Fitzgerald, para o bem e para o mal, não possibilita ao leitor o gosto prazenteiro do bis.&lt;br /&gt; Há quem pense que tentar ultrapassar os limites que separam a biografia da ficção é um exercício arriscado. A questão se complica ainda mais quando, como é o caso, a história fez do personagem mito e símbolo de toda uma época. É isso o que acontece com “Alabama Song”, romance no qual Leroy recria a figura de Zelda Sayre e sua atormentada existência junto àquele  que foi seu marido, o romancista americano Francis Scott Fitzgerald.&lt;br /&gt; Pertencentes à chamada “geração perdida” – termo cunhado por Gertrude Stein para referir-se aos jovens escritores norte-americanos nascidos no período de entreguerras – Zelda Sayre e Scott chegaram a converter-se em um dos casais mais famosos de Nova York.&lt;br /&gt; “Alabama Song” é um relato cru, escrito em primeira pessoa, no qual Zelda – na idade de quarenta anos e reclusa em um hospital psiquiátrico – rememora seu passado e sua mal sucedida vida conjugal junto ao escritor desde a sua juventude.&lt;br /&gt; No livro, Gilles Leroy desenha Zelda como uma mulher de caráter frágil, mas independente que, além de ser dotada de um grande talento para a escrita e a pintura, viveu, tanto no âmbito pessoal quanto no artístico, submetida ao cruel autoritarismo de seu marido, ciumento de sua criatividade e de seu temperamento apaixonado e vivo, distanciado das convenções da época.&lt;br /&gt; Através da voz desgarrada de Zelda, Leroy desnuda sem pudores a figura de Scott Fitzgerald; despoja-o de seus elegantes trajes para descrever-nos um homem arrogante e degradado pelo álcool, cuja vida pessoal, segundo o romance, nem sempre soube estar a altura de seus êxitos profissionais e da imagem de refinado sedutor que projetava a seu redor.&lt;br /&gt; Junto ao casal, pelas páginas do romance, desfilam outros autores com os quais Zelda e Scott mantiveram amizade, como Gertrude Stein,  Hemingway (camuflado na história sob o nome de Lewis), John Dos Passos e Maxwell.&lt;br /&gt; “Alabama Song” é um tratado em defesa de Zelda, no qual Leroy – em suas próprias palavras – pretende reivindicar sua figura e libertá-la dos prejuízos que, erroneamente, grande parte dos biógrafos de Scott Fitzgerald  tem contribuído para difundir sobre ela. Segundo o autor, o famoso escritor não duvidou em nenhum momento de apoderar-se de alguns textos e artigos de sua mulher com a desculpa de que sob seu nome receberiam melhor acolhida, além daqueles que teria maquiavelicamente extraído dos diários e da correspondência privada de Zelda para elaborar seus romances.&lt;br /&gt; Baseado em numerosos documentos disponíveis que reuniu sobre o casal, Gilles Leroy devolve a Zelda – sob a forma de um imenso monólogo a que o livro recorre do começo ao fim – o dom da palavra.&lt;br /&gt; Durante a sua reclusão no hospital, Zelda se aferra a suas recordações numa tentativa desesperada de manter a lucidez e recuperar, de alguma forma, o sentimento de controle sobre a sua vida. Através da escrita, seu relato, entrelaçado aos fios dos episódios que vão aflorando livremente de sua memória – seguindo uma ordem cronológica – irá adquirindo o caráter de um doloroso ato de expiação.  Ainda que pese a terrível carga emocional que acompanha muitas de suas recordações, sua voz, longe de fraquejar, amadurece e se fortalece com a dor, consciente de que só enfrentando com coragem as passagens mais obscuras de sua memória, é possível ganhar a batalha sobre a loucura e o desespero.&lt;br /&gt; Com um estilo pulsante e irônico, que alterna passagens de grande sensibilidade poética com outras dominadas por um abrupto realismo – beirando até o escatológico – Leroy consegue manter o interesse e a tensão do leitor ao longo de toda a narrativa, cavando com profundidade os conflitos internos da mulher que foi musa e inspiradora do autor americano.&lt;br /&gt; Sem dúvida, por muito que o romance resulte excelente, tanto em sua construção quanto no perfil que faz das personagens, através de sua leitura é inevitável se perguntar – como acontece sempre que nos deparamos com uma obra que conjuga elementos biográficos com fictícios – o que há de verdade e o que há de lenda atrás das pistas em que Leroy se baseou para  construir seu romance?&lt;br /&gt; De fato, depois da publicação, não foram poucos os protestos daqueles que consideram que Gilles Leroy traz em seu livro uma imagem excessivamente crítica de Fitzgerald; outras que dizem que ele foi muito longe em suas revelações, como o momento em que Lewis, alter ego de Hemingway , é flagrado em uma situação comprometedora, sobretudo pela evidência homossexual,  junto a Scott.&lt;br /&gt; Seja como seja, o romance, consegue deixar no leitor essa marca forte de Zelda e, sem dúvida, ao terminar a última página, como se toda a vida durasse um Jazz, há que se esquecer do “replay” e sair com Zelda – e Scott – atrás de alguma coisa perdida. Um geração perdida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Alabama song/Record/207p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4375855669828547119?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4375855669828547119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/enquanto-dura-um-jazz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4375855669828547119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4375855669828547119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/enquanto-dura-um-jazz.html' title='Enquanto dura um Jazz'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1242962459356826207</id><published>2011-04-23T11:21:00.001-07:00</published><updated>2011-04-23T11:21:45.338-07:00</updated><title type='text'>Poesia dot com dot Bahia</title><content type='html'>Milena Britto – professora do Instituto de Letras da Ufba&lt;br /&gt;millenabritto@hotmail.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nilson Galvão e Mônica Menezes possuem em comum algumas coisas: são poetas, blogueiros e publicaram pela coleção Cartas baianas. Os estilos, entretanto, são distintos, possuindo em comum a certeza de usarem a poesia para dar conta de um mundo grande que os acolhe e do mundo outro que habitam de verdade.&lt;br /&gt; De ambos, coincidentemente, eu conhecia uma que outra poesia por fuçar blogs vez em quando, sempre pensando em arranjar tempo para escever sobre escritores que começaram com o blog. &lt;br /&gt; Ambos utilizam os respectivos blogs mais como suporte e lugar de interação com o público do que como “linguagem”, ainda que os dois, cada um em seu estilo, algumas vezes insiram “imagens” para ilustrar os seus posts na blogosfera. Na transposição para livro, o trabalho não remete, em sua estrutura - versos, linguagem ou ritmo - ao suporte virtual.&lt;br /&gt; “Caixa Preta”, de Galvão, que recebeu menção honrosa do projeto arte e cultura do banco Capital, é um conjunto de poemas que se move, coerentemente, pelas inquietas relações homem-mundo-vida-existência-morte-amor. Pode-se ver algo, de algum modo, nietzschiano por ali, além de algumas diretas referências, como à poesia de Walt Whitman ou à música de Billie Holiday.   &lt;br /&gt; Os versos possuem um sujeito lírico que assume a voz de todos nós, refletindo esse lugar do homem que pensa, sente e se inquieta: “Sou o veículo dessa história/qualquer em meu coração/sem prumo.O destino se esqueceu/de mim”. &lt;br /&gt; Os poemas possuem distintas formas, a maioria sendo espécies de narrativas, pontuados, versos sem rimas, com quebras de ritmo interessantes, como se o corpo fosse tão convidado a “sentir” os poemas quanto, em maior intensidade, o pensamento: “O mundo gira, o menino chora:/dói o menino, onde mesmo será/que ele sente essa falta, e se sente/essa falta quem sabe girar pra saber/que ela dói,que ela/ dói mas é breve,/tão breve quanto o mundo que chora.”&lt;br /&gt; O lirismo dos poemas nos chega colado às palavras escolhidas. Poesia para pensar e sentir, profundamente, as coisas, e dar às coisas seu sentido perdido. É boa poesia - para pensar ou para sentir.&lt;br /&gt; Em “estranhamentos”, que também recebeu menção honrosa do banco Capital, Mônica Menezes nos coloca diante de um eu-lírico romântico, sensível, que utiliza a memória como “lugar” de encontro, expondo o seu sentir e compartilhando suas surpresas, suas dores, tristezas, amores, e oferecendo sempre um certo espanto, ou “estranhamento”: “amado, jamais serei a tua Dora Diamant/simplesmente porque sou outra mulher/e tu és outro homem/não sei cantar na língua sagrada/e nunca sonhamos com Tel Aviv/ no entanto desejo,/como a moça judia,/acolher-te o derradeiro gesto/ e talvez o meu grito/também dissipe o eco/da última oração”.&lt;br /&gt; Com tons de Clarice, Adélia Prado e até Leminski, Mônica vai brincando, ora concisa, ora farta, com a relação entre sentimento e poesia, deixando-nos um rastro forte de memória - quase nossa de tanto que é íntima: “Meu avô/é uma cadeira de balanço/vazia”.&lt;br /&gt; E oferece ainda uma marca feminina aguda, explorando todos os espaços de ser um sujeito poético feminino; e farto vocabulário ligado à natureza, sem medo ou pudores: “amanheceu/e o meu amor transbordou/chovi chovi chovi/uma forte chuva de amor”.&lt;br /&gt; Os poetas-blogueiros se revelam, em seus livros, sérios em suas buscas, experimentando menos e trabalhando mais no sentido, preocupados em deixar a sua poesia dividir sentimentos, dúvidas, certezas, angústias e espanto. Eu espero vê-los em muito mais páginas, esquinas e “posts” na Bahia (dot com).&lt;br /&gt;Estranhamentos /Mônica Menezes/ P55 &lt;br /&gt;/48p e Caixa Preta/ Nilson Galvão/P55/48 p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1242962459356826207?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1242962459356826207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/poesia-dot-com-dot-bahia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1242962459356826207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1242962459356826207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/poesia-dot-com-dot-bahia.html' title='Poesia dot com dot Bahia'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6654136204106042599</id><published>2011-04-23T11:19:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:20:16.285-07:00</updated><title type='text'>Da janela se vê o Bósforo: a pintura com palavras de Pamuk</title><content type='html'>Publicado no A tarde&lt;br /&gt;Milena Britto – Professora do Instituto de letras da Ufba&lt;br /&gt;millenabritto@hotmail.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “A literatura não permite a um escritor fazer de conta que salvou o mundo; no máximo, ela lhe dá a oportunidade de salvar um dia de cada vez.”&lt;br /&gt; Quando terminei de ler “Outras cores – ensaios e um conto”, pus-me a pensar que tudo o que eu sei de escritores e escritura, leitores e leitura, é algo tão minúsculo que todos os anos de esforço pareceriam em vão. Contudo, ao invés de sentimento pesado, foi uma alegria constatar isso e saber que, para a vida toda, esperam-me descobertas que as palavras guardam e que só em um tempo próprio é que elas se farão matéria única.  &lt;br /&gt; Orham Pamuk, escritor turco que ganhou o Nobel em 2006, conseguiu compor uma obra imprescindível para aqueles que se dedicam à compreensão da força que a literatura tem para a vida. No livro, não há apenas uma escrita forte e bela. Muito menos é só o reflexo de um homem sensível, agudo e erudito. O livro confere os atributos anteriores adicionados à paixão de um homem pela escrita até o último grau; disposto a pegar todas as oportunidades para escrever com lucidez e com um poder de entrega tão grande que contagia o leitor.&lt;br /&gt; Em seu livro, os escritos vão desde anotações sobre o cotidiano, entrevistas, contos, até ensaios e reflexões sobre política, análises literárias, escritos sobre cultura, guerras, disputas entre oriente e ocidente, terremoto, pobreza.Tudo sem deixar, em uma linha sequer, que desapareça o escritor e um leitor implícito, numa relação absolutamente sincera e assumida. &lt;br /&gt; Em “Viver e preocupar-se”, o mote é a relação entre o autor e sua filha Rüya, descrita a partir de uma saída à praia, ou da contemplação do velocípede da menina no meio da madrugada abandonado em um solitário canto da casa. As palavras simples vão dando conta não apenas do profundo amor pela filha, mas de poder entender as pequenas coisas desta relação como uma forma nova de ver o mundo e de compreender-se nesse mundo. Orhan vai acrescentando a isso detalhes de vida externa, como nas duas crônicas excelentes sobre os terremotos perto de Istambul que fecham essa parte.&lt;br /&gt; Nas duas crônicas, a dor por tanta desgraça é pontuada pelo olhar de Pamuk, que encontra as mínimas expressões da realidade que vão fortalecer a prosa que se estende pelos diálogos, críticas, dúvidas e emoções.&lt;br /&gt; Orhan, em “Livros e leitura”, revela suas impressões e descobertas de leitor; comenta Victor Hugo, Dostoievski, Vargas Llosa, Arthur Miller, Thomas Bernhard, André Gide, Joyce,Virginia Woolf e uma série de escritores que passaram por seu caminho.&lt;br /&gt; A condição de escritor localizado no mapa não faz da leitura de Pamuk um jogo contemplativo para nós, leitores ocidentais. Suas preocupações de homem interessado por sua sociedade, sua política e sua cultura, tão duras como deve ser para quem vive no meio do caminho, logram prender o leitor para além de conjecturas como “cultura hegemônica” versus “cultura marginal”. Ele confessa admirar o “orientalismo”, de Edward Said, mas suas observações desde aquele lugar acrescentam muitíssimo às análises.  &lt;br /&gt; Pamuk, que queria ser pintor quando criança, é um mestre do detalhe e em “Imagens e textos” ele revela toda essa capacidade, deixando-nos com análises magníficas, como quadros pintados com palavras, conforme sua própria definição de escrita. E repensa-se todo o tempo como escritor e como cidadão, basta ler  o capítulo “Política, Europa e outros problemas de sermos quem somos” para ver.&lt;br /&gt; Em “Meus livros são minha vida”, ele fala da chegada de Arthur Miller a Istambul; critica a política repressiva turca, revela-nos segredos de suas leituras, emociona enquanto chama para o diálogo entre culturas; e o belo é que, entre esses temas, descreve-nos sua mirada da cidade desde a janela de um táxi e, vez por outra, reacende-nos a imagem que ele mais gosta: a de ver o Bósforo no fim de tarde desde seu apartamento.&lt;br /&gt; “Outras cidades, outras civilizações” encerra o volume e, posso dizer, com essa mistura rara entre o cotidiano e o mais intelectual dos temas que se vê em todo o livro, Orhan Pamuk  logra comover-nos e tocar esse lugar da vida que tão esquivo e tão difícil de nomear é; isso que talvez seja apenas possível de juntar de forma mágica e viva na literatura. Como a desse escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras cores –ensaios e um conto/Companhia das letras/trad. Berilo Vargas/477p./$R 57,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6654136204106042599?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6654136204106042599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/da-janela-se-ve-o-bosforo-pintura-com.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6654136204106042599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6654136204106042599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/da-janela-se-ve-o-bosforo-pintura-com.html' title='Da janela se vê o Bósforo: a pintura com palavras de Pamuk'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3766573054305640537</id><published>2011-04-23T11:17:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:18:09.645-07:00</updated><title type='text'>Ser ou não ser literatura: eis aqui a não questão</title><content type='html'>Publicado no A tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fazer os jovens lerem pode não ser tarefa fácil; dizem que fazê-los ler, então, escritores antigos é missão quase impossível. Isso parece não ser verdade quando se vê o sucesso da escritora Paula Mastroberti na série “Reversões”, que tem a “Angústia de Fausto”, “Heroísmo de Quixote (premiado em segundo lugar com o Jabuti de 2006 na categoria Juvenil), “Retorno de Ulisses” e agora “Loucura de Hamlet”, que encerra a série.&lt;br /&gt;  O truque é velho: adaptar para os dias de hoje a história de “muitos ontens atrás”. Mas as ferramentas e a engenharia visual são novíssimas: encarar as páginas, a capa, o pé de página, as ilustrações como parte do “produto”; dar a ele ainda mais “concretude” com cenas de filmes, jogos e o que mais der cara, cor e textura ao texto literário. Mais diretamente dizendo, em alguns casos já não é o texto o que importa, mas todas essas midiáticas atrações. O que, no final, sobra de Shakespeare ali? Os jovens estariam lendo Shakespeare através de Paula Mastroberti? Deixemos disso agora. O que está em jogo é que um dos textos shakespeareanos mais estudados por filósofos, psicoanalistas, lingüistas, historiadores, retóricos, - “Hamlet” - vira um produto acessível aos que não costumam ler.&lt;br /&gt; “Loucura de Hamlet” é um livro que mantém o argumento do texto de Shakespeare, mas as adaptações são para a situação atual imediata. O livro é trabalhado visualmente para encher de vontade os olhos habituados ao movimento, ao fragmento, ao império do visual. As colagens e desenhos compõem as personagens e os diálogos como se fossem uma obra híbrida, quadrinhos e livro. &lt;br /&gt; Os textos são “montados” com recortes e simulação de diário e de arquivo de computador; tem notas de rodapé como parte do texto, explicando para o leitor as elipses mais “herméticas”, e “O retorno de Jedi” entra como filme, como jogo e como “personagem” da aventura. “Jedi” é o fantasma do Hamlet-Tomás, aquele que chega como seu pai pedindo vingança de sua morte. &lt;br /&gt; Da “história” fica tanto que quase temos um certo incômodo e ímpeto de defender para o fantasma de William Shakespeare os direitos autorais do bem sucedido empreendimento. Alguns nomes são mantidos, Ofélia, Horácio, Polônio, Gertrudes, etc. &lt;br /&gt; Dois irmãos gêmeos crescem numa favela; um se dedica aos estudos como tábua de salvação do ambiente violento, o outro se deixa seduzir pelo mundo do crime e vira um traficante poderoso. O irmão bandido, Antônio, casa com Gertrudes e tem um filho, Tomás. &lt;br /&gt; A autora mantém personagens e outras são acrescentadas para dar maior veracidade à história - em primeira pessoa - narrada por uma personagem que nada tem a ver com a tragédia, sendo quase que assumidamente a figura do mediador.&lt;br /&gt; Cláudio já não mora na favela quando seu irmão é assassinado. Casa-se com a cunhada e leva mãe e filho para um condomínio de classe média. Político “popular”, Cláudio conta com seu parceiro, Polônio, pai de Ofélia e Laertes, que é assassinado por engano no lugar de Cláudio. &lt;br /&gt; Tomás, apaixonado por Ofélia, desiste dela ao vê-la envolver-se com drogas; finge-se de louco e planeja a morte do tio para vingar-se do pai, que julga ter sido assassinado por Cláudio, e mantém uma relação ambígua com a mãe, que parece cúmplice de Cláudio.  Como na versão de Shakespeare,  nunca fica claro o envolvimento do casal com o crime, embora se possa entrar no delírio do filho.&lt;br /&gt;  Ofélia se envolve com drogas e prostituição, suicida-se na piscina depois de matar o irmão a facadas quando se recupera de uma overdose. Tomás acaba se debatendo com a culpa, no limiar de sua loucura – fingida ou não. A disputa entre o amor e o ódio é chama inextinguível.&lt;br /&gt; A tragédia toda é convincente nos dias atuais – já o cinema fez isso algumas vezes com vários dos textos de Shakespeare, de Romeu e Julieta a Otelo passando por Hamlet -  e há os cruzamentos e confusão de estado mental de Tomás (evidenciado por interferência do “mediador”) mantido de forma inteligente. &lt;br /&gt; Entretanto, sem nem perder tempo tentando dizer se o livro é literatura ou produto de consumo, uma coisa é certa: os jovens não estarão lendo Shakespeare – se bem que quem sabe o quanto de Mastroberti estariam lendo eles. &lt;br /&gt; O fato é que Shakespeare é muito mais do que um argumento. Shakespeare é a linguagem, são as metáforas, são os ricos solilóquios das personagens, é estrutura dramática aristotélica; Shakespeare é Shakespeare por algo muito além de colagens e artifícios visuais, é sedução na junção magnífíca e sedutora de linguagem, ritmo, conteúdo, estilo; são mistérios escondidos dentro do texto. Os jovens vão ler – e vão gostar de como essa história é contada - mas, deixemos claro, nada disso vai suprimir a magistral aventura outra, a de ler e degustar um texto de Shakespeare com o sabor daquele. &lt;br /&gt; É, portanto, carta fora do baralho entrar na discussão de ser ou não literatura; “ser ou não ser” está fora de questão. O que está ali é uma outra coisa. Esta, sem medo algum de dizer, fruto de nosso tempo e das nossas tecnologias. Cabe a cada um decidir como se satisfaz. Eu, certamente, prefiro dar a Shakespeare o que é de Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Paula Mastroberti/Rocco/136p./R$ 41, 50.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3766573054305640537?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3766573054305640537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/ser-ou-nao-ser-literatura-eis-aqui-nao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3766573054305640537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3766573054305640537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/ser-ou-nao-ser-literatura-eis-aqui-nao.html' title='Ser ou não ser literatura: eis aqui a não questão'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-476342303644895614</id><published>2011-04-23T11:14:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:15:19.257-07:00</updated><title type='text'>De amores e livros</title><content type='html'>Publicado no A tarde, caderno 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O mais novo romance de Marcelo Backes, “Três traidores e uns outros”, vem acrescentar à literatura contemporânea matizes de um tempo cruzado.Como parece, a literatura, coletar as tendências, as idéias, a filosofia, os modos de viver de uma época, é possível traçar, na produção literária atual, caminhos que se repetem e se configuram como marcas dessa escrita: a literatura nacional vai se distendendo e se assomando  a outras geografias, outras paisagens, outras vozes. É a geografia de muitos lugares dando conta da intimidade de sujeitos. Do sujeito brasileiro.&lt;br /&gt; Assim como outros escritores dessa geração, o tradutor, crítico e romancista joga com os percursos globalizados da geografia, nesse momento capitalista de emoções perdidas. Dinamarca, Alemanha, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul são alguns dos lugares que vão surgir como parte da paisagem, que não apenas e não só no espaço físico se pode observar, mas também na língua, no passado reconstruído, nas histórias soltas e dispersas das viagens recolhidas, nos autores citados.&lt;br /&gt; Passado e presente se vertem de força convergente no romance, que aborda o amor, o sentimento de perda e de espanto diante da dor das paixões – causadora de tragédias grandes -, enquanto se coloca a serviço de explorar com apuro a arte de narrar. Basicamente, é um romance que explora o amor como drama do sujeito contemporâneo - revelando-o, como dito na orelha, medieval nesse aspecto, ainda que inserido no tempo da velocidade e da tecnologia - e as formas de se narrar depois de uma história grande de tradição literária ocidental.&lt;br /&gt; O narrador, um tradutor – como o autor, nessa “autoficção” de brinquedo e de verdade -  vai experimentar narrar de dentro e de fora de situações, deixando que suas próprias vivências sentimentais orientem e se mesclem a outras, quando passa a ser o tradutor das sessões de psicoanálise de um empresário alemão ou quando se “envolve” na narração do drama de Toz, personagem que não escapa à armadilha de uma mãe freudianamente eficiente: tímido, sem conseguir namorar e ameaçado pela mãe de perdê-la para a morte caso viesse a se casar, Toz sucumbe ao caminho narrativo psicanalítico: enforca-se...&lt;br /&gt; Às voltas com a sua própria história, o “tradutor-narrador” vai se reencontrar com Lática Mikalovic, antes sua namorada, agora autora famosa, e as reflexões sobre tradução, poesia, passado, sentimento vão sustentar uma certa solidão espantosa, tanto no caso do amor quanto na arte da escrita, aí bem pensada desde a arte de traduzir até a arte de criar.&lt;br /&gt; O narrador-tradutor-mediador de histórias e personagem exigente vai levar o leitor em um passeio por tempos e lugares diferentes, trazendo línguas e paisagens de outras cenas; narrador perverso, cínico, acaba colocando o leitor exigente em roda de enjeitados; provoca e alimenta a curiosidade, mas exige muito para facilitar o percurso.  É também a narrativa da volta à casa depois de longa viagem, o retorno às origens, ao passado, onde as lembranças viram matéria. &lt;br /&gt; Há capítulos curtos e há “poemas”, há talvez traduções simuladas e há certeza de querer mostrar que a política mais certa, nas artes e na vida, não é a do nacional nem a do estilo: é a do amor. Sujeito contemporâneo, literatura contemporânea, presente e passado condizendo com o fato: a dor de um tal amor louco, do que se perde e do que não se teve, é o que sustenta qualquer literatura, em todas as artes, sem peso de língua ou de estilo. &lt;br /&gt; Não fosse um certo “excesso” de discussão literária e sobre tradução – no romance a grande metáfora da vida e da arte -, seria mesmo um desses romances para ler e tentar formular melhor a idéia do que se tem na nossa literatura. Pensar a literatura digo. E é bem escrito, registre-se aqui, capaz de prender o leitor em reflexões da vida à arte a partir da palavra que dá corpo ao sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três traidores e uns outros/Editora Record/176p/R$34,90.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-476342303644895614?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/476342303644895614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/de-amores-e-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/476342303644895614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/476342303644895614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/de-amores-e-livros.html' title='De amores e livros'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4029277549506089361</id><published>2011-04-23T11:11:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T11:13:00.964-07:00</updated><title type='text'>Por um erro: A América de Vespúcio</title><content type='html'>Publicado no A tarde, caderno 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando o historiador e cartógrafo britânico Felipe Fernández-Armesto, a propósito de investigar os lapsos da história de Américo Vespúcio, se propôs a responder à pergunta “quem foi aquele mago de palavras e até onde ele de fato foi?” acertava o caminho que o conduziria a uma bem sucedida biografia daquele que ficou famoso apenas por ser um arguto e brilhante “mentiroso sobre si mesmo”–  que bem sabia o valor que possuíam as palavras para a posteridade.&lt;br /&gt; Armesto escreveu um livro cativante; não apenas consegue documentar as informações ou destacar a improbabilidade delas, como se coloca na posição de leitor daquele tempo, considerando o contexto, mostrando com humor, elegância, e fina ironia, de que modo a história conseguiu ser “vítima” de um grande embuste.&lt;br /&gt; Américo Vespúcio não nasceu de família nobre, mas com certo prestígio em Florença. O pai o pôs a se educar com um tio de formação renascentista. Daí a sua paixão pelas coisas do mundo, da ciência, curiosidade, encanto com as aventuras. Leitor de Cícero, Estrabão e Ptolomeu, Vespúcio levou consigo muito desses autores, seja em seu imaginário ou em seu desejo de equiparar-se em fama e feito.&lt;br /&gt; O futuro navegador foi comerciante, agente bancário, administrador e, segundo fortes indícios, cafetão e trambiqueiro, antes de construir, com sua lábia e esperteza, a sua carreira de desbravador de mares e cartógrafo. A sua vida íntima é rodeada de mistérios, com possíveis relacionamentos obscuros e filhos ilegítimos, e a companheira “oficial” parece ter sido também pensada como oportunidade de ascensão.&lt;br /&gt; Amigo de Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio “roubou” partes de seus relatos de viagens, na tentativa de convencer que havia navegado mais do que de fato navegou, mas também usou da amizade para aprender e trocar; aparentemente, tinha  mesmo amizade, devoção e apreço pelo outro desbravador, o que não o impediu de lhe passar a perna.&lt;br /&gt; A ambigüidade do caráter do homem que deu o nome a América não faz menor sua figura, mas incita mais curiosidade e espanto ante o complexo que foi aquele momento: a descoberta do novo continente, como já sabido, estava envolta em ambição econômica, delírio religioso, sede por conhecimento, desejo de fama.&lt;br /&gt; As descrições das viagens de Américo, relatadas em cartas e publicações posteriores a suas viagens, são duvidosas; as que certamente foram escritas por ele apontam imprecisões, aumentos, empréstimos de outros navegadores e até da literatura medieval.&lt;br /&gt; Pelo que revelam as pesquisas de Felipe, por mérito, o continente deveria ter o nome de Cristóvão Colombo, mas um erro de leitura de Martin Waldseemüller, um dos dois cartógrafos alemães que foram responsáveis pela certidão de batismo do novo continente, foi atribuída a Américo a homenagem. &lt;br /&gt; A leitura que ele fez de um dos relatos no qual Américo exaltava a si mesmo, falava das distâncias, dos mapas (que ele mesmo ajudou a confeccionar) e descrevia povos ameríndios, paisagens, costumes, o levou a acreditar na grandeza de Américo sem a investigação e comparação com os documentos que mostravam claramente que Colombo foi quem de fato mais fez; Américo Vespúcio, apesar de dizer que navegou muitas vezes, provavelmente só tenha navegado duas.&lt;br /&gt; Vespúcio tem seus méritos, já que cartografou, de fato, milhares de quilômetros ainda desconhecidos ao sul do Equador, observou os habitantes, lançou-se corajosamente pela aventura de encontrar o caminho para a Ásia. Mas a biografia documentada por Felipe mostra que o florentino era um talentoso “marqueteiro” de si mesmo, pintando-se muito maior do que era e dando-se muito mais feitos do que fez.&lt;br /&gt; Não há novidades no que se refere a visão dos indígenas ou às disputas entre Portugal e Espanha; nem mesmo ao Tratado de Tordesilhas, comprovadamente influenciador das aventuras portuguesas e espanholas. O que há de interessante é a constatação de que a história é uma narrativa fictícia, moldada e construída para dar sentido ao rumo que se quer; o que não a faz pequena: toda uma ficção pode terminar por influenciar e determinar o futuro de um continente. É só ver com cuidado essa América daquele tal Américo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Américo – o homem que deu seu nome ao continente/Cia das letras/trad. Luciano Vieira Machado/308p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4029277549506089361?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4029277549506089361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/por-um-erro-america-de-vespucio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4029277549506089361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4029277549506089361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/04/por-um-erro-america-de-vespucio.html' title='Por um erro: A América de Vespúcio'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3947820676077620455</id><published>2011-01-09T03:38:00.000-08:00</published><updated>2011-01-09T03:53:27.961-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura arte instalação experiência livro anões contos veronica stigger'/><title type='text'>Os anões na fila do supermercado: espetáculos literários do cotidiano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhg-lO8AI/AAAAAAAAAYw/Pj0m-mvAqn4/s1600/fotografia%2Banao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhg-lO8AI/AAAAAAAAAYw/Pj0m-mvAqn4/s320/fotografia%2Banao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560152802892640258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhgvDPlHI/AAAAAAAAAYo/fKtKvhJYmqY/s1600/veronica%2Bstigger.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhgvDPlHI/AAAAAAAAAYo/fKtKvhJYmqY/s320/veronica%2Bstigger.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560152798723544178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhgoytliI/AAAAAAAAAYg/HWoe8gyAh2M/s1600/osanoes_capa_blog.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 243px; height: 310px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhgoytliI/AAAAAAAAAYg/HWoe8gyAh2M/s320/osanoes_capa_blog.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560152797043594786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milena Britto – professora do Instituto de Letras da Ufba&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Publicado no A tarde 07/01/2011 &lt;br /&gt;O livro “Os anões”, de Verônica Stigger, escritora gaúcha, crítica e professora de arte, é uma das obras mais marcantes da literatura brasileira recente. O que há naquele minúsculo livro está além de simples histórias. &lt;br /&gt; Concordando com o escritor mexicano Mario Bellatin – um dos mais originais escritores da atualidade- que considera o livro contemporâneo uma experiência ademais de leitura, eu encontro, nas páginas dessa obra, os  caminhos da experimentação sem limites da relação corpo-literatura-arte-tempo.&lt;br /&gt; Não foi sem razão que  o escritor citado sentiu-se entrando numa cápsula comprimida de tempo-espaço onde as histórias, como telescópios, levam-nos a nós mesmos. E acrescento: perversamente nos levam a encontrarmo-nos destituídos de pudores e adestramentos intelectuais.&lt;br /&gt; “Os anões” é um objeto para se ter à altura dos olhos e das mãos; brinca com  o “desejo inteiro” do homem pelo livro e seus mistérios. De capa preta, formato de bolso, com todas as páginas encartonadas em papel brilhoso, como se fossem capas, e cantos arredondados, realmente lembrando um livro infantil, traz três partes que orientam os caminhos-instalações de leitura: “Pré-Histórias”, “Histórias” e “Histórias da Arte”. &lt;br /&gt; Mas as três partes não organizam os contos pela ordem de entrada, elas possuem contos aleatoriamente “jogados” no livro, ironicamente nos apunhalando com nossas etiquetas organizacionais e especulando outras possibilidades de compreensão da palavra, sem deixar de fazer a relação desse homem contemporâneo com os seus três “momentos” chaves. &lt;br /&gt; Acontece que essas divisões pregam peças, vertem segredos gigantes em detalhes retorcidos e aparentemente sem valor, mas que, de fato, acabam fazendo um buraco enorme na intimidade do leitor. O conto que intitula o livro e que figura na classificação “História” é uma absurda aventura pelo encoberto sentimento de espanto-piedade-amor-ódio-recusa-fascínio por esses seres minúsculos que passeiam pela vida como se estivessem apenas provocando espanto nos “normais”.&lt;br /&gt; Um casal de anões, que fura uma fila de supermercado, vai despertando todo tipo de sentimento nos clientes até o absurdo linchamento dos dois, com direito a crânio esmagado, sangue farto nas paredes azuis, vísceras espalhadas e coisas do tipo. Numa pegada “pulp fiction”, mas com essa composição literária refinada e com ritmo sinuoso, o conto provoca o leitor quase convulsivamente, como se estivéssemos diante de um espetáculo e não de um conto.&lt;br /&gt; Essa relação com o espetáculo -  da arte e da vida - está muito presente em outros contos, quando não no tema, numa associação com outras linguagens, como o cinema. Os contos “Curta metragem” e “Curta metragem II” são de alta verossimilhança cinematográfica, com a mesma particular “perversão estética” dos demais contos. Aí, a descrição dos ângulos da câmera e da preparação de cena de um casal que se joga de um apartamento, num suicídio nonsense como se parecem todos, vai ao limite de nos colocar tão próximos das personagens que acaba prendendo-nos lá, ao ponto de não sabermos mais se não mexemos o pescoço porque morremos, nos aleijamos na queda suicida ou esperamos a próxima ordem do diretor. O conto tem uma continuidade, mas é independente também, e resulta ainda mais absurdo e deflagrador de sentimentos. &lt;br /&gt; Há especulação da “realidade-documento” como experiência ficcional, além de destrinchar os limites de autor-personagem, biografia-ficção, no conto “Imagem verdadeira”, o qual é o fac-símile da certidão da autora, onde se vê o erro do escrivão que a coloca como sendo do sexo masculino. É uma sutil e bem-feita desconstrução da categoria de gênero, oficializado e documentado para além das “verdades”. &lt;br /&gt; O suicídio, o amor, a banalidade das emoções cotidianas, as aventuras, o tempo, a poesia, a arte estão nesse livro “anão”, a exemplo de títulos como “Des cannibales”, “Teste”, “Passo fundo”, “Tatuagem”, Teleférico”, “L’après-midi de V.S.”, “(João Cabral)”, “Caverna”, “Ceia” e outros, além dos que foram citados, numa reeducação estética da apreciação literária, colocando o próprio livro como de fato uma experiência, sendo essa tanto de vida como artística, numa indistinção de níveis entre realidade e ficção, pois o absurdo é aquilo mesmo que trazemos para além de anões ou cenas improváveis. &lt;br /&gt; É esse manancial de sutilezas que colocam o leitor diante de grandes acontecimentos, ainda que sejam eles diminutos e aparentemente detalhes insignificantes, que transborda da obra atingindo os pontos sensíveis de quem se propõe a viver o que lê. Seguindo uma certa tendência que eu já havia observado em Carola Saavedra no seu “Paisagem com Dromedário”, Stigger não teme abordar a literatura como instalação, como espetáculo real, performance...&lt;br /&gt; Um livro elaborado para ver, tocar, ‘assistir”, ler e deixar-se diante do menor de si mesmo, reconhecer-se mesquinho e sem valor; a grandiosidade ali está no espetáculo, sejamos nós os atores ou os espectadores. Os anões não passeiam numa pensão sob o som de saxofone, eles pulam das páginas da grande Lygia Fagundes Telles e de outros contos para a “realidade” outra, a de Verônica (ou a “nossa”), sendo esmagados por esse sádico estranhamento e nossa vil necessidade de emoção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Os anões/Verônica Stigger/Cosacnaify/60p./$37,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3947820676077620455?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3947820676077620455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/01/os-anoes-na-fila-do-supermercado.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3947820676077620455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3947820676077620455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/01/os-anoes-na-fila-do-supermercado.html' title='Os anões na fila do supermercado: espetáculos literários do cotidiano'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSmhg-lO8AI/AAAAAAAAAYw/Pj0m-mvAqn4/s72-c/fotografia%2Banao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-369682073013228727</id><published>2011-01-02T04:11:00.000-08:00</published><updated>2011-01-02T04:16:22.283-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema luis buñuel um cão andaluz lorca dalí zaragoza unamuno memória biografia carriére literatura vanguarda surrealismo'/><title type='text'>O último suspiro de Luis Buñuel: poesia, imagem, memória</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSBshqocDpI/AAAAAAAAAYY/bSkMGRQeRfY/s1600/ultimo_suspiro_g.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 350px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSBshqocDpI/AAAAAAAAAYY/bSkMGRQeRfY/s400/ultimo_suspiro_g.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557561265810574994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSBshZ_uo3I/AAAAAAAAAYQ/3COLkU_oiiI/s1600/um_cao_andaluz.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSBshZ_uo3I/AAAAAAAAAYQ/3COLkU_oiiI/s400/um_cao_andaluz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557561261344858994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ do Jornal A tarde em 01/01/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Alguém que tenha passado pela vida sem o cinema de Buñuel, seja “Um cão andaluz”, “Viridiana”, “A bela da tarde”, “Nazarín” ou “Os esquecidos”, entre tantos outros, talvez não possa conjugar do sentimento espantoso e agradável, como que ante relíquias, quando surgem escondidos os detalhes e referências às obras, suas feituras, seus segredos, deixados como presentes no livro “Luis Buñuel: meu último suspiro”, biografia/livro de memórias ditado por Luis ao amigo e também cineasta Jean-Claude Carrière.&lt;br /&gt; O livro, belo, com muitas imagens em preto e branco, é organizado e editado com cuidado e apuro gráfico. Cada pequena parte, intitulada de acordo com a época, o lugar geográfico em que se encontrava ou o filme que fazia, abre-se com uma página negra – uma referência à tela e à película do cinema, que se contrasta com as letras brancas - e é precedida,logo em seu verso, por fotografias em branco e preto diagramadas de diferentes formas e posições, numa bela referência ao cinema e a sua linguagem. &lt;br /&gt; As primeiras páginas são seqüências de fotos de Buñuel; algumas, páginas inteiras tomadas pela imagem, outras um quadrado no canto superior ou inferior da página, ou no centro, na lateral, e assim segue, movimentando com beleza e sofisticação visual o livro. &lt;br /&gt; Em toda a obra, cada imagem vem com descrição de data, quem está na foto, onde foi tirada, etc. Há fotografias de Luis Buñuel desde criança, bem como de seus filmes, de sua família, mas também há raridades, como fotos da sua turma, conhecida como “a geração de 27”: Federico Garcia Lorca, Salvador Dalí,  Alberti, o poeta Altolaguirre, Cernuda, Pedro Garfias, e alguns outros. Há também imagens de diretores, intelectuais, artistas, atrizes e atores que passaram por sua vida pessoal ou artística.&lt;br /&gt; A biografia foi escrita com leveza literária comum aos textos de Carrière. Há delicadeza em suas narrativas, em primeira pessoa porque se tratava da “reprodução” das conversas tidas com Buñuel, sem deixar de imprimir emoções fortes a muitas das passagens. Algumas vezes, as páginas viram partes de um “romance picaresco”, ou a encenação de um ato. Foi organizado quase cronologicamente, mas mantendo os movimentos de memória das lembranças que se intercedem fora da ordem.&lt;br /&gt; O próprio  Luis alerta, em suas reflexões sobre memória, a absurda importância que a mesma adquire quando se começa a perdê-la: “precisamos começar a perder a memória, ainda que gradativamente, para nos darmos conta de que é essa memória que constitui nossa vida. Uma vida sem memória não seria vida”.&lt;br /&gt; O diretor de cinema, que nasceu em Calanda e cresceu em Zaragoza, relata os períodos importantes da sua formação, recuperando as histórias de sua infância e estudos em colégios religiosos - o que não o impediriam de ser ateu – e suas travessuras de rapaz. &lt;br /&gt; Desse mundo rústico, envolto em uma gravidade católica, de costumes e de segredos religiosos, vem muito do imaginário  de seus filmes. A surpresa, o fascínio e o medo do sexo, envolto em mistérios santos e apelos carnais, o inspiraram, por exemplo, em algumas cenas do célebre “O cão andaluz”. Segundo ele, a associação involuntária que fazia do sexo com a morte trouxeram-no, naturalmente, a cena em que o homem, após beijar a mulher no filme, tem seu rosto transformado em cadáver. &lt;br /&gt; Aliás, posteriormente, ele conta que esse filme a princípio nada tinha a ver com o projeto formal dos surrealistas. Nasce da simples vontade de colocar em imagens sonhos seus e de Dalí, sem nenhuma organização racional, lógica. Deixaram, sem censura, o fluxo de consciência organizar a ordem dos sonhos e trabalharam livres de projetos estéticos ou políticos. Naturalmente, pela proposta e resultado, depois de um primeiro fracasso e de ter sido rejeitado por Breton, virou um clássico representante dos surrealistas e conquistou fama e reconhecimento.&lt;br /&gt; Eventualmente, como se conta no livro, ele e Dalí se separaram por incompatibilidade artística, religiosa e política, depois de dedicada amizade, mas nunca deixaram de admirar um ao outro, apesar de se notar o horror de Buñuel às tendências fascistas de Salvador Dalí. Detalhes das personalidades e das intimidades  de Salvador Dalí, Lorca, Unamuno e outros são oferecidos em contextos interessantes e ricos.&lt;br /&gt; A Guerra Civil Espanhola e o destino dos intelectuais e artistas espanhóis constituem passagens densas e historicamente relevantes. Tanto há conseqüências violentas na vida quanto na obra. É assim que Luis Buñuel, que jamais nutriu qualquer interesse pelo México ou pela América latina antes da Guerra, adota o México como seu país, torna-se cidadão mexicano, passando a fazer um cinema onde se percebem influências daquela cultura e de seu momento intelectual. Também há passagens emocionantes, como as circunstâncias da morte de Lorca, que foi levado ao “campo” para morrer, justamente ele que tinha horror ao sofrimento físico  e medo à morte.&lt;br /&gt; Sensível, denso, rico para a história do cinema, a biografia de Luis Buñuel é um manancial para a literatura, a história do cinema e da intelectualidade espanhola. Suas descrições do tempo, mostrando os avanços, as mudanças, a chegada do cinema, as condições políticas tão efervescentes nos períodos de sua juventude, ajudam não apenas a compreender a sua obra, conhecendo-se as fontes e as referências formadoras de seu imaginário poético-imagístico, como também a entender os contextos de produção e as trocas intelectuais que se mostraram importantes para toda a produção cinematográfica, literária, artística e intelectual daquela geração marcada pelas “vanguardas”.&lt;br /&gt; O livro traz muito mais, são páginas-tesouros; o contar que une a visão do diretor espanhol e as palavras férteis e belas do francês Jean-Claude Carrière, ele também uma peça importante na história do cinema. &lt;br /&gt; O livro revela, de forma simples, a vida intensa daqueles jovens que nos legaram essa produção ímpar. Dos segredos de Lorca aos de Dalí, passando pela sisudez de Unamuno e a personalidade fascinante de Chaplin, os escritos dessa biografia compõem, de outro jeito, Luis Buñuel, essencial para a nossa mirada ao cinema. Com memória, fantasia e ilusão, temos uma história montada, não menos verdadeira porque dependente da fragmentada lembrança, pois, afinal, segundo o próprio Buñuel: “Não sendo historiador, não recorri a nenhuma nota, a nenhum livro, e o retrato que proponho é, em todo caso, o meu, com minhas afirmações, hesitações, repetições e brancos, com minhas verdades e minhas mentiras; para resumir: minha memória.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luis Buñuel: meu último suspiro/Jean- Claude Carrière/ Trad. André Telles/ Cosac Naify/ 376 p./$R 59,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-369682073013228727?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/369682073013228727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/01/o-ultimo-suspiro-de-luis-bunuel-poesia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/369682073013228727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/369682073013228727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2011/01/o-ultimo-suspiro-de-luis-bunuel-poesia.html' title='O último suspiro de Luis Buñuel: poesia, imagem, memória'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TSBshqocDpI/AAAAAAAAAYY/bSkMGRQeRfY/s72-c/ultimo_suspiro_g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3500531006966877470</id><published>2010-12-22T11:27:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T11:51:34.643-08:00</updated><title type='text'>Literatura: um presente natalino cool</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT54tTIfI/AAAAAAAAAXw/hiESLeTv2VA/s1600/rainhadocineromacapa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 139px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT54tTIfI/AAAAAAAAAXw/hiESLeTv2VA/s200/rainhadocineromacapa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553593544441274866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5k63luI/AAAAAAAAAXo/5tFNnH0VqbM/s1600/Capa_clarice.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 132px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5k63luI/AAAAAAAAAXo/5tFNnH0VqbM/s200/Capa_clarice.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553593539129480930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5ijqpUI/AAAAAAAAAXg/84kp-jf8B7Y/s1600/bruno.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5ijqpUI/AAAAAAAAAXg/84kp-jf8B7Y/s200/bruno.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553593538495292738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5S3_3BI/AAAAAAAAAXY/fNsjOJ9H-PQ/s1600/notas%2Bminimascapa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5S3_3BI/AAAAAAAAAXY/fNsjOJ9H-PQ/s200/notas%2Bminimascapa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553593534285601810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5Z2F93I/AAAAAAAAAXQ/Ku21q3fxaEQ/s1600/bolano%2B2666%2Bcapa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 139px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT5Z2F93I/AAAAAAAAAXQ/Ku21q3fxaEQ/s200/bolano%2B2666%2Bcapa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553593536156661618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no jornal A tarde, caderno 2+, em 18/12/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milena Britto – professora do Instituto de Letras da Ufba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No tempo das intensas trocas visuais e sonoras – muito bem-vindas também, à medida e com critério –, a palavra tem se tornado um objeto cada vez mais especial.  O livro é um presente cool, da onda, do tempo, bem mais interessante do que a demodé agenda, o cartãozinho caro,  a bugiganga que fica esquecida nas gavetas da casa ou os dez chaveiros para duas chaves.&lt;br /&gt; O livro – universal, unissex, “unicolor” em sua condição primeira - é uma canastra com múltiplos sentimentos a serem descobertos: surpresa, dor, amor, saudade, poesia, ira, paixão, desconfiança, esperança. É o cinema mudo – e o falado – é a imagem reconfigurada, a música de ritmo alucinante, o homem reinventado.&lt;br /&gt; Para não se dizer que livros são delírios solitários, eles são também “comunidades”,  coletivam, compartilham, atuam, conjugam ideologias, suspeitas e saberes. &lt;br /&gt; Os livros são as ditaduras e as guerras denunciadas sob ângulos e sotaques distintos dos oficiais; os sexos prazenteiros e os estéreis; as luzes de todas as cidades. O livro tinha mesmo de voltar a ser cool, passada a onda de previsões ardilosas sobre a sua extinção diante das tecnologias e do império do visual. Que nada: o livro é um fetiche do homem, vicia pelo cheiro, pelo tato, pela visão. O livro nos encantou e tem-nos aqui, diante dele como loucos, ávidos, tensos, nervosos, felizes.&lt;br /&gt; Livro é presente certo. E para todos os bolsos e gostos há opção. Trago as minhas dicas, para começar, mas aconselho que ao invés de bater perna pelas mil lojas das dezenas de shoppings da cidade, o leitor se dirija a uma livraria, um sebo, uma loja virtual e se inspire com as possibilidades infinitas de se encontrar “o livro”.&lt;br /&gt; “Clarice,” a biografia do Benjamin Moser, é um livro para todos; é útil para quem estuda literatura e leitura agradável para os que apenas gostam de ler; os leitores de Clarice farão suas leituras conforme queiram e as críticas são pertinentes também. É um livro bonito, desejável, informa, diverte, emociona.&lt;br /&gt; “Meu último suspiro, biografia de Luis Buñuel” é para os que gostam do cinema e da palavra, livro bacana pelo conteúdo, pelas imagens, pela história indireta do cinema.É emocionante ler sobre a vida intensa do diretor espanhol e ver o brilho de sua arte, a sensibilidade humana, a astuta e afinada observação política do mundo. &lt;br /&gt; Para os que se encantam com poesia, há livros ótimos, desde a poesia rebuscada e com elementos de erudição poética como “As horas de Katharina”, de Bruno Tolentino, passando por “Sob o céu de Samarcanda”, de Ruy Espinheira Filho, aos poetas mais jovens, urbanos ou “marginais” como Kátia Borges e o seu “Ticket Zen”, Karina Rabinovitz e o livro “quase” instalação poética “Livro do quase invisível”, a poesia do “movimento” de Zinho Trindade- o neto de Solano Trindade- com seu “Tarja preta”; a de Marcos Vinícius no livro “3 vestidos e seu corpo nu” – também recomendo o livo de contos do autor “Eros resoluto" - e a de Fabrício Corsaletti em “Esquimó”.”&lt;br /&gt; Além de “2666”, obra muito festejada em 2010, “Estrela Distante” de Roberto Bolaño é um romance interessante, prende o leitor na história cruzada e curiosa de um “poeta”suspeito que esconde sua identidade e se revela um aviador do exército, e ainda mostra a violência e o jogo perverso da ditadura chilena. Assim também, com mistério e poesia, é “Essa mulher e outros contos”, de Rodolfo Walsh, autor argentino importante, jornalista, contista, romancista, conhecido também por ter ‘desaparecido’ depois de denunciar ao mundo os crimes cometidos pela ditadura de seu país.&lt;br /&gt; O romance “Ribamar”, de José Castello, é uma ótima opção para os que se aventuram por romances difíceis e densos; o novíssimo de Agualusa “Milagrário Pessoal” é ótimo para conhecer a Literatura angolana e para deleitar-se com a linguagem rica, as referências culturais angolanas, brasileiras e portuguesas, o ritmo intenso; “A rainha do Cine Roma”, de Alejandro Reyes, é imperdível: as crianças de rua de nossa cidade vivendo uma história fascinante e bem contemporânea, de dor e esperança; uma obra impressionante pelo cruzamento de histórias fortes, pelo registro lingüístico da rica oralidade baiana, pela denúncia social e beleza da literatura.&lt;br /&gt;  “Notas mínimas” de Katherine Funke, livro de mini-contos bom, barato, despretensioso, contemporâneo e bem urbano, com imagens belas, ritmo certo, tamanho certo. “A segunda sombra”, de Carlos Barbosa, é outro excelente para todas as idades, dos jovens que se reconhecem pela escrita curta e rápida aos que veem a literatura como parte de um tempo, de uma época. É interessante os mini-contos de narrativa precisa, com linguagem dinâmica e ritmada; a poesia entremeando cada palavra. &lt;br /&gt; Terminaria com a dica do livro de fotografias, “Frida Kahlo, suas fotos.” Quem não gostaria de tê-lo em sua estante, sua mesa da sala, seu escritório? Seja cool: dê livros de presente. Os preços dos livros citados aqui vão de  quinze reais a cento e trinta. O livro é para todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3500531006966877470?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3500531006966877470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/literatura-um-presente-natalino-cool.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3500531006966877470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3500531006966877470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/literatura-um-presente-natalino-cool.html' title='Literatura: um presente natalino cool'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TRJT54tTIfI/AAAAAAAAAXw/hiESLeTv2VA/s72-c/rainhadocineromacapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1399195948981744622</id><published>2010-12-12T03:37:00.000-08:00</published><updated>2010-12-12T03:42:35.993-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='siri hustvedt literatura norte americana noruega escandinavia contemporanea new york memória mistério pós modernidade modernidade'/><title type='text'>Cartas, fotografias  e segredos: os misteriosos caminhos da memória</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TQS00IUHU0I/AAAAAAAAAXI/bIjDge3NSpM/s1600/a%2Bfoto%2Bda%2Bcapa%2Bdesilus%25C3%25A3o%2Bde%2Bum%2Bamericano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 302px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TQS00IUHU0I/AAAAAAAAAXI/bIjDge3NSpM/s320/a%2Bfoto%2Bda%2Bcapa%2Bdesilus%25C3%25A3o%2Bde%2Bum%2Bamericano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549759448505340738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TQS00JvkfjI/AAAAAAAAAXA/5u1X-Z-vfhQ/s1600/siri.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TQS00JvkfjI/AAAAAAAAAXA/5u1X-Z-vfhQ/s320/siri.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549759448888933938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no jornal A tarde - caderno 2+ em 11/12/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Há dias em que não há mais nenhuma história dentro dele, quando ele tem a sensação de que não pode mais agüentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Em seu quarto romance, Siri Hustvedt, escritora americana descendente de imigrantes noruegueses, calcula com maestria as doses de pós-modernidade e modernidade a serem colocadas num romance.&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Desilusões de um americano&lt;/span&gt; é um livro denso e provocativo, aclamado pela crítica como um dos melhores da literatura norte-americana contemporânea. Um romance para ser encarado com  a mente e o coração,  que deixa o leitor intelectualmente exausto – no bom sentido. &lt;br /&gt; A história sobre a experiência do imigrante e os fantasmas que assombram as famílias de uma geração para outra pareceria simples. Mas não é. O narrador, o psiquiatra Erik, vai, juntamente com a irmã Inga, incursionar-se por caminhos do passado para descobrir a parcela de verdade que, misteriosamente, ficou de fora de suas vidas, quando eles achavam que tudo conheciam de seu pai, de suas famílias, deles mesmos. &lt;br /&gt; Vale dizer que esse não é um romance para se ler de forma passiva. A cada dose de mistério, o leitor é fisgado para um redemoinho de emoções, podendo acreditar que sua própria vida é parte daquelas lacunas todas, pois sua mente vai para lugares pantanosos e sentimentalmente perigosos. É um romance que conjuga autobiografia e ficção.&lt;br /&gt;  Erik Davidsen e sua irmã encontram uma carta inquietante de uma mulher desconhecida entre os papéis de seu pai morto. Eles passam a acreditar que o pai está envolvido em uma morte misteriosa. A partir  dessa carta, Erik e Inga começam a descobrir os segredos da família Davidsen, no ano seguinte ao funeral de seu pai.&lt;br /&gt; Os irmãos, após o luto, retornam de Minnesota para  New York e continuam a perseguir o mistério por trás da carta. Enquanto Erik luta contra a vulnerabilidade emocional de seus pacientes psiquiátricos, e seu fascínio com os novos inquilinos em seu edifício ameaça esmagá-lo, Inga é confrontada por uma jornalista hostil que parece saber um segredo ligado ao seu falecido marido, um romancista famoso. &lt;br /&gt; Como cada novo mistério se desdobra em outros e se liga com o presente, Erik começa a habitar a história do seu pai emocionalmente e a vislumbrar como a sua infância pobre, a Depressão e a guerra influenciam no relacionamento com seus filhos. Enquanto isso, Inga tem de enfrentar a realidade da vida dupla do marido.&lt;br /&gt; A prosa de Siri Hustvedt revela as mágoas escondidas de uma família através de um mosaico de segredos e histórias que refletem a natureza fragmentada da própria identidade do indivíduo, chegando a esse lugar da literatura pós-moderna que, ao invés de propor lugares fixos, desmantela aquilo que supostamente é conhecido. &lt;br /&gt; As descrições de Hustvedt, que também é mulher do escritor Paul Auster, tem uma elegância literária ímpar e revelam a experiência dos imigrantes e a paisagem de Minnesota a partir da herança e do olhar escandinavos, enquanto o seu relato da vida de um psicanalista de Brooklyn adquire o ritmo e a vastidão de possibilidades tipicamente novaiorquinos.&lt;br /&gt; Siri Hustvedt mistura sem remorsos as paixões gritantes com a fé silenciosa em personagens densas intelectualmente, que entendem suas vidas tanto através da leitura de grande envergadura quanto de uma conversa animada. Ela prova ser uma escritora hábil, capaz de tecer idéias complexas em um enredo intrigante e cheio de ambiguidades.&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Desilusões..&lt;/span&gt;.  é, mais do que um romance sobre os mistérios da mente e os segredos de família, um romance sobre pais e filhos; sobre barulho e surdez, cegueira e reconhecimento; sobre a dor de falar e a dor de manter o silêncio e sobre as ambiguidades da memória. Um romance para todos os que encaram a leitura como um caminho de descobertas sobre si e sobre a condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desilusões de um americano/trad. Rubens Figueiredo/Cia das letras/ 368p./R$49&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1399195948981744622?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1399195948981744622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/cartas-fotografias-e-segredos-os.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1399195948981744622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1399195948981744622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/cartas-fotografias-e-segredos-os.html' title='Cartas, fotografias  e segredos: os misteriosos caminhos da memória'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TQS00IUHU0I/AAAAAAAAAXI/bIjDge3NSpM/s72-c/a%2Bfoto%2Bda%2Bcapa%2Bdesilus%25C3%25A3o%2Bde%2Bum%2Bamericano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1145720413772850310</id><published>2010-12-08T07:32:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T07:34:13.334-08:00</updated><title type='text'>Quarta é dia de Sarau Bem Black</title><content type='html'>Sarau Bem Black&lt;br /&gt;Sankofa African Bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta feira - dia 08 de dezembro&lt;br /&gt;19h:30min - concentração&lt;br /&gt;20h - Poesia... Muita Poesia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Nelson Maca, Iara Nascimento, Lázaro Erê, Luiza Gata&lt;br /&gt;Lucinha Black Power, Robson Véio, Rone Dundum e Amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dj Joe toca "RZO" (Rap)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participação&lt;br /&gt;MC Freeza (oquadro/ Ilhéus)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Microfone aberto aos poetas da plateia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1145720413772850310?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1145720413772850310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/quarta-e-dia-de-sarau-bem-black.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1145720413772850310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1145720413772850310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/quarta-e-dia-de-sarau-bem-black.html' title='Quarta é dia de Sarau Bem Black'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4503376145043561518</id><published>2010-12-06T11:30:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T11:33:50.520-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='salman rushdie vergonha romance paqustão oriente pós-colinialismo'/><title type='text'>“Vergonha”, de Salman Rushdie: um conto de fadas sombrio e violento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TP06LGFhNEI/AAAAAAAAAW4/aw8_lU9fE_8/s1600/vergonha%2Bromance%2Bcapa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 194px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TP06LGFhNEI/AAAAAAAAAW4/aw8_lU9fE_8/s400/vergonha%2Bromance%2Bcapa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547654278277051458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no jornal A tarde em 04/12/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vergonha, caro leitor, não é propriedade exclusiva do Oriente”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O autor de “Versos Satânicos”, ameaçado de morte por suas supostas blasfêmias contra o islamismo, tem marcado o Ocidente - tanto quanto o Oriente - com sua escrita vinculada às questões delicadas do mundo muçulmano, dos encontros coloniais e pós-coloniais  violentos e complexos. &lt;br /&gt; Essa escrita não apenas em seu conteúdo é dissidente de um olhar ajustado e pacifista, mas, sobretudo em sua forma é uma construção rebuscada, fantástica, com uma porosidade que permite vislumbrar o ritmo fascinante do Oriente ao mesmo tempo em que revela diálogos com a tradição e escrita ocidentais.&lt;br /&gt; Em “Vergonha”, Salman Rushdie constrói uma espécie de conto de fadas que, aos poucos, vai se transformando em um emaranhado barroco violento e perverso que denuncia a situação oprimida de uma nação. A “vergonha” é o tema da saga que traz a disputa de poder regida pelo encontro catártico e cruel de duas situações “morais”: a vergonha e a falta de vergonha.&lt;br /&gt; As personagens são construídas e reveladas a partir de detalhes culturais do mundo oriental, localizadas num lugar intermediário entre as fantásticas narrativas e a realidade de quem vive sob um discurso perverso de poder. &lt;br /&gt; O anti-herói Omar Khayyam é um médico obeso, sem vergonha alguma, fruto de uma origem misteriosa e quase surreal:  filho de “três mães” -um ardil artifício de três irmãs orfãs para não se revelar qual delas foi o motivo da desonra - foi criado até os 12 anos  numa espécie de castelo, isolado do convívio com qualquer outra criança e torna-se uma personagem ambígua e tensa.&lt;br /&gt;  Ao hipnotizar as mulheres para seduzi-las, vai protagonizar essa narrativa violenta e misteriosa. O seu encontro com a frágil Sufiya Zinobia, oposta em caráter - é a depositária do ressentimento desmedido dos pais e encarna a vergonha em estado puro - vai detonar uma luta violenta e fascinante, regida pelas tensões do mundo oriental oprimido pela tradição, pela religião, pelos governos totalitários e pelos bons costumes. &lt;br /&gt; O romance é uma metáfora, uma cosmovisão do mundo paquistanês. O narrador se coloca como personagem e vai construindo uma cumplicidade com o leitor à medida que vai revelando, numa literatura rica e intrigante, como funcionam os mecanismos de poder em uma cultura marcada por valores “fundamentalistas”.&lt;br /&gt; “Vergonha” tem uma escrita quase cortazariana, mas carregada de simbolismo oriental, barroco, com ritmo vertiginoso. &lt;br /&gt; É um romance de digestão lenta, para refletir e sentir; separar um nível narrativo mais ou menos frenético da ira pelos sonhos partidos, pelo abuso, pelo crime, pelo machismo, pela violência e a tortura; sobretudo, da dor profunda pelas personagens que Rushdie traz, numa compaixão que o escritor - e o leitor junto a ele – sente ante suas criaturas: “Os débeis, os anônimos, os derrotados deixam poucas marcas: modelos de cultivo, lendas populares, cântaros quebrados, túmulos funerários, a lembrança descolorida da beleza de sua juventude.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vergonha/ Cia das Letras/Trad. José Rubens Siqueira/376 p $ 58,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4503376145043561518?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4503376145043561518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/vergonha-de-salman-rushdie-um-conto-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4503376145043561518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4503376145043561518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/vergonha-de-salman-rushdie-um-conto-de.html' title='“Vergonha”, de Salman Rushdie: um conto de fadas sombrio e violento'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TP06LGFhNEI/AAAAAAAAAW4/aw8_lU9fE_8/s72-c/vergonha%2Bromance%2Bcapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-7251011295569622471</id><published>2010-12-02T08:19:00.000-08:00</published><updated>2010-12-04T06:36:15.917-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='essa mulher ditadura literatura argentina rodolfo walsh literatura latinoamericana'/><title type='text'>Agudas histórias sob as páginas obscuras da ditadura argentina</title><content type='html'>Publicado no jornal A tarde em 27/11/2010&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPfIQ3tkxUI/AAAAAAAAAWw/9CbkwbtuVNM/s1600/rodolfo_walsh.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 143px; height: 175px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPfIQ3tkxUI/AAAAAAAAAWw/9CbkwbtuVNM/s320/rodolfo_walsh.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546121658288620866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPfIQp_lYTI/AAAAAAAAAWo/zGJIQeC5lYw/s1600/essa%2Bmulher%2Be%2Boutros%2Bcontos%2Bcapa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPfIQp_lYTI/AAAAAAAAAWo/zGJIQeC5lYw/s320/essa%2Bmulher%2Be%2Boutros%2Bcontos%2Bcapa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546121654606061874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Tento calcular, adiciono mulheres nuas e homens mortos, mas a conta não fecha, não fecha, não fecha... Com um movimento muscular volto a ficar sóbrio, como um cachorro sacudindo a á&lt;/span&gt;gua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A literatura latinoamericana é um arquivo em ebulição das marcas pesadas das ditaduras do nosso continente e, ao contrário dos demais desse período: um arquivo aberto. O paradoxal silêncio acerca de corpos desaparecidos e torturados é gritado nas páginas das obras de grandes escritores como o chileno Roberto Bolaño e o argentino Rodolfo Walsh, em cujas páginas a suavidade das palavras se mescla à violência assustadora.&lt;br /&gt; Sendo primeiramente leitora dos argentinos Borges, Cortázar e Juan José Saer, quando cheguei a Walsh fui surpreendida pela combinação de forças presente em sua obra: uma literatura que aborda assuntos políticos e de ordem ética com cuidado profundo, tratando de não banalizar pelo excesso ou pela falta, mas imprimindo essa marca ao seu texto; uma narrativa precisa, com a sutileza da escritura concisa e a riqueza polifônica de elementos literários; uma escrita de emaranhados que condensam ficção e biografia.&lt;br /&gt; O livro&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Essa mulher e outros contos&lt;/span&gt;, lançado agora em português, foi escrito entre os anos de 1960 e 1970 sob o peso soturno da ditadura argentina e traz o que é considerado o melhor conto argentino do século XX. O conto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Essa mulher&lt;/span&gt; é uma verdadeira aula de literatura e de história dos horrores políticos e das possibilidades da palavra, que pinta, revela, esconde, insinua, mostra as armadilhas dos discursos históricos dos regimes. É também um terrível caso de coincidência entre vida e literatura. Um corpo de mulher que jamais apareceu, que surge – nu-  apenas no vão misterioso entre o silêncio e as palavras ambíguas de frases incompletas, numa conversa entre um general e um jornalista, é o tema do conto.&lt;br /&gt; A narrativa nunca passa dos minutos de uma conversa tensa, mistura de confissão e denúncia. Um jogo maquiavélico que confunde o leitor sobre quem é o culpado de tanto horror. O autor consegue evitar maniqueísmos baratos, compõe o ardor psicológico de quem se consome entre a participação violenta nas torturas e perversidades do regime e a culpa inexpurgável, envolta em terror e desespero.&lt;br /&gt; Entre as ambíguas revelações do general e a curiosidade cínica do jornalista, as páginas dessa história vão sendo erguidas com elipses, metáforas, segredos do homem e do sistema de eliminação de seres humanos por razões políticas. &lt;br /&gt; Quando penso na vida de Rodolfo, desaparecido ele próprio nos vãos da ditadura  por ser um jornalista,escritor – e militante político - que defendia a liberdade através da arma “suave” de palavras, denunciando a condição dos argentinos sob aquele horror, penso também no componente arriscado, inexplicado e inexplicável, que os escritores podem ter de prever suas próprias tragédias, escrever seus próprios destinos: assim como no conto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Essa mulher&lt;/span&gt;, o seu corpo jamais apareceu.&lt;br /&gt; O jornalista ficou conhecido depois de haver desaparecido, logo após enviar ao mundo uma carta aberta denunciando os crimes do governo ditatorial argentino, e sua obra repercute para além do ativismo político: Piglia e muitos outros críticos o tem lido como um escritor denso, com escrita rebuscada e magistral literariamente. &lt;br /&gt; Em sua obra, a presença dos temas políticos só vem comprovar o seu talento: mesmo com todos os perigos, ele consegue ultrapassar a militância e deixar em sua literatura as histórias ritmadas,universalmente humanas, de sentimentos trabalhados, personagens psicologicamente complexos – como Maurício, personagem do conto “Fotos” – uma figura apaixonante, ambígua, mistura de malandro e rebelde sem causa, que acaba vítima misteriosa de si - ou de outros - por ser dissidente da estrutura coronelista e ter usado a arte da fotografia para “olhar” o mundo obscuro no qual vivia.&lt;br /&gt; O livro traz esses e outros contos cujas temáticas circulam entre os valores éticos, os comportamentos apaixonados, as culpas, a obscuridade da vida sob sistemas políticos e jogos de interesse endurecidos por podres poderes. Essa palavra – nua – traz-nos os corpos desaparecidos e Walsh pode dar-nos notícias de sua respiração acelerada, roubada pela história da ditadura que denunciava e combatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mulher e outros contos/ TRad. Sergio Molina e Rubia Goldoni/256p./39,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7251011295569622471?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7251011295569622471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/agudas-historias-sob-as-paginas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7251011295569622471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7251011295569622471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/12/agudas-historias-sob-as-paginas.html' title='Agudas histórias sob as páginas obscuras da ditadura argentina'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPfIQ3tkxUI/AAAAAAAAAWw/9CbkwbtuVNM/s72-c/rodolfo_walsh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4910714021365396712</id><published>2010-11-28T09:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T09:46:23.111-08:00</updated><title type='text'>Encontro com Benjamin Moser, biógrafo de Clarice, no Instituto de Letras da UFBA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPKU8cq407I/AAAAAAAAAWg/QTADmbVnQTQ/s1600/DSC00019.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPKU8cq407I/AAAAAAAAAWg/QTADmbVnQTQ/s200/DSC00019.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544657857455641522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPKTpnnuc3I/AAAAAAAAAWY/A6Wl0Mqmhxc/s1600/cl3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPKTpnnuc3I/AAAAAAAAAWY/A6Wl0Mqmhxc/s200/cl3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544656434466026354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para quem perdeu a noite da Livraria cultura com o escritor &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Benjamin Moser&lt;/span&gt;, biógrafo de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;, uma oportunidade a mais. O escritor estará no &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Instituto de Letras da UFBA&lt;/span&gt;, às 13 hrs do dia 29/11, segunda-feira , para conversar sobre a sua obra, considerada a mais completa biografia da autora brasileira.&lt;br /&gt;O quê: Benjamin Moser&lt;br /&gt;Local: Instituto de Letras&lt;br /&gt;Data: 29/11&lt;br /&gt;Horário: 13:00&lt;br /&gt;Promoção: Grupo  Rasuras de estudos de linguagens/ Departamento de Letras Vernáculas/Departamento de Fundamentos para o Estudo das Letras/Instituto de Letras da UFBA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4910714021365396712?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4910714021365396712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/encontro-com-benjamin-moser-biografo-de.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4910714021365396712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4910714021365396712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/encontro-com-benjamin-moser-biografo-de.html' title='Encontro com Benjamin Moser, biógrafo de Clarice, no Instituto de Letras da UFBA'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TPKU8cq407I/AAAAAAAAAWg/QTADmbVnQTQ/s72-c/DSC00019.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-14435723378247907</id><published>2010-11-21T02:26:00.000-08:00</published><updated>2010-11-21T02:38:23.729-08:00</updated><title type='text'>A  poesia em Tarja Preta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj03qVxEZI/AAAAAAAAAWQ/weSwl5LUecA/s1600/capa_mocape-1.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj03qVxEZI/AAAAAAAAAWQ/weSwl5LUecA/s200/capa_mocape-1.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541948578574963090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj0wHO_tQI/AAAAAAAAAWI/MST_NpQodOg/s1600/71911_462064137898_641952898_5445796_4528054_n.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj0wHO_tQI/AAAAAAAAAWI/MST_NpQodOg/s200/71911_462064137898_641952898_5445796_4528054_n.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541948448892237058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj0kNsfhHI/AAAAAAAAAWA/6UxfivpmW0w/s1600/ilustracao%2Btarja.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj0kNsfhHI/AAAAAAAAAWA/6UxfivpmW0w/s320/ilustracao%2Btarja.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541948244468139122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ do A tarde em 20/11/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Minha mãe me chamava de mestiço/a professora já dizia moreno/a vizinha falava mulato/e o meu pai achava tudo engraçado.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Os versos do poema &lt;span style=font-style:italic;"&gt;Qual é a cor?&lt;/span&gt; do poeta, MC e cantor Zinho Trindade, bisneto de Solano Trindade, desperta os cantos abafados da história mal contada: o racismo é invenção, ninguém viu e ninguém vê. &lt;br /&gt;    Nas estrofes, a verdade de quem se descobre negro enquanto percebe que sua vida vale menos - porque sua cor é outra - instaura-se na memória como canto: “Quando eu era pequeno, eu não sabia/Eu não sabia, eu não sabia não/Não entendia a cor/Qual o valor/ O porquê brigar e o porquê amor”.&lt;br /&gt; Com prefácio de Nelson Maca, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tarja pret&lt;/span&gt;a é o primeiro livro de poesia de Zinho Trindade e, seguindo o tom da literatura periférica - ou marginal-,  localiza no presente temáticas e propostas. Os versos insistentes denunciam o Brasil injusto, racista e violento de muitos: “Terras paradas, latifúndio vazio.../Tupi, Pataxó, Xavante, Pancaruru, Cariri/Tupinambá, Carijó, Funiô, Carajá/Potiguá, Tupinajé, Caeté, Ianomâmi/De 10 milhões a 280 mil./Ser humano em extinção/O moleque, o fuzil/Na pátria que ninguém viu.”&lt;br /&gt;    Cordialidade não há naqueles versos da literatura cunhada por Nelson de “Dissidente”; há, contudo, a crônica cotidiana da luta, o “retrato de uma guerra nada particular”, o ritmo dissonante do hip hop,  as batidas do maracatu, o ronco dos tambores. Há ainda uns versos excepcionais - em meio a outros nem tanto- e uma outra história embalada em falares populares, português coloquial e musicalidade afrobrasileira. &lt;br /&gt;    As pegadas contemporâneas dos mixies improváveis se costroem nos versos  que deslizam do presente, deixando, a uma só vez, vestígios da ancestralidade do povo negro e compreensão tenaz da realidade bruta do nosso tempo: “Escreveu não leu, o tiro comeu, menor se fodeu e a/ polícia venceu.”&lt;br /&gt;   A poesia de Zinho Trindade “brota do campo da batalha”, como diz Maca; é armada; a lança afiada de um guerreiro que, além de estar pronto para a batalha contra o sistema bruto e violentamente racista, sabe que há que se dominar o inimigo dentro de si mesmo, vencer qualquer vestígio da outra história: “Quantas vezes/Não me senti um nada/Um mísero nada./Um cigarro queimando, /Morrendo lentamente/São nesses momentos que derrubamos o Golias/Que nos habita.”&lt;br /&gt;   Zinho sonha, canta, denuncia, grita, acorda Solano, o outro Trindade. E com saber agudo, entre os trampos dos pretos, a paulada da história traidora e a força de sua negritude, o poeta ainda arregaça com ironia cáustica o resultado do progresso elitista no poema &lt;span style="font-style:italic;"&gt;My Machine&lt;/span&gt;: O homem/É a sua própria máquina/Seu espelho/ Pequeno para si próprio/E a sua ambição/ Será a degradação.” Que esse Mestre de Cerimônia continue firme na trilha – urbana – da poesia. Que o diálogo com Solano prossiga, a poesia venha, a denúncia se faça, o soluço continue e o zumbido das balas transforme-se em outros “ZUMBIdoS”. Que o poeta Zinho Trindade, faça, sim, barulho. De pássaro-preto rebelde.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Tarja Preta/ Edições Maloqueiristas/ 83p. 2010/R$15,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-14435723378247907?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/14435723378247907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/poesia-em-tarja-preta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/14435723378247907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/14435723378247907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/poesia-em-tarja-preta.html' title='A  poesia em Tarja Preta'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOj03qVxEZI/AAAAAAAAAWQ/weSwl5LUecA/s72-c/capa_mocape-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6363115068934810754</id><published>2010-11-14T07:00:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T07:06:50.311-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ribamar José Castello Romance Kafka Carta ao pai ensaio piauí josé ribamar litaratura'/><title type='text'>Uma carta de Kafka ao pai, uma canção de ninar: a memória de um filho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TN_7AHPPMeI/AAAAAAAAAVw/2DpCN2WGX_g/s1600/ribamar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TN_7AHPPMeI/AAAAAAAAAVw/2DpCN2WGX_g/s320/ribamar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539422046050529762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ do A tarde em 13/11/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao se dirigir a seu pai, Hermann Kafka, Franz não só me roubava minhas palavras, mas usurpava meu lugar de filho. As mesmas palavras que, em minha garganta, provocavam feridas que me impediam de falar, ditas por Franz descerravam a verdade”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não sei o quão verdadeiro é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ribamar&lt;/span&gt;, de José Castello, em termos de fatos; não nos faz falta saber. Porque há um caminho verdadeiramente incômodo a ser seguido nessa obra tão peculiar, mistura de memória, ficção, biografia, ensaio. &lt;br /&gt;O “romance” sinuoso é escrito sob a escala de uma canção de ninar, transformada em partitura, com cada seguimento guiando os capítulos em tema, tempo, ritmo, sentimento. &lt;br /&gt;Engenharia textual das mais finas e fortes, dando ao leitor completa incursão à intimidade do sentimento de um filho para com um pai cuja  “ausência” – ambígua – já não deixa espaço para enfrentamentos concretos, restando à memória o dever de resolver esses espaços de amor, assombro, ódio, admiração, desconhecimento, mágoa, falta.O crítico que escreve para a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bravo&lt;/span&gt;, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Prosa e Verso&lt;/span&gt; e o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rascunho&lt;/span&gt;, admirado por seus textos de acento proeminente, literatura farta e escrita que faz de si mesma um caminho aos temas que trata – jamais fechando ali as portas e sempre se colocando significativamente no texto – já ganhou um Jabuti e escreveu sobre João Cabral de Melo Neto e Vinícius de Moraes experimentando o gênero biográfico. &lt;br /&gt;Mas esse romance sobre José Ribamar, seu pai, é muito mais do que uma biografia. Por seu caminho de construção, é um texto sobre outro ou um texto ligado a outros; um cruzamento de sentimentos que vai do assombro à raiva, do amor profundo à frustração, da pena à punição, à descoberta do esquecido. E ainda põe em evidência as formas ocidentais nas quais o sujeito guarda suas histórias na ânsia de retê-las, como diários, cartas, notas, dicionários que oferecem palavras ao infinito, bíblia que oferece mitos religiosos e mitologia clássica que segura arquétipos: em todos os textos, o nosso. Mas quais são seguros para nos guiar àquilo que desconhecemos, embora tenhamos vivido?&lt;br /&gt;O autor encontra em Franz Kafka uma coincidência de sentimento em relação ao pai e usa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carta ao pai&lt;/span&gt;, do próprio Kafka, para analisar a relação deste com o seu progenitor. &lt;br /&gt;Ambos, o narrador e Kafka, encontram-se muitas vezes nas semelhanças de sentimentos e de desejos – “só consigo escrever porque faço de Kafka um biombo” –, e Franz acaba sendo o espelho, o duplo, a sombra desse narrador que vai analisando a relação de Kafka com o pai, Hermann, enquanto reconstrói os fatos da vida de seu próprio pai e, mais do que tudo, encontra pedaços de vida sua e desse pai, encontra sentidos e sentir, restos de vida esquecidos ou ignorados pelo medo. &lt;br /&gt;Descobre a sua ira e o seu amor contra aquilo que todos acabam sendo: pais e filhos. &lt;br /&gt;A viagem que o autor fez ao Piauí, terra de José Ribamar, não traz histórias completas e sim partes do que poderia ter  sido – ou foi –, mas vai revelando a luta do escritor para sedimentar um caminho, para concretizar em ação aquela busca sofrida de conhecer e se recompor na história “de” e “com” o pai.&lt;br /&gt;Usando a literatura para pensar nos mistérios da memória, sendo essa a da vida, dos sujeitos  e da própria literatura, o autor arrisca-se na edificação desse romance de encruzilhadas, de mil pontas, que vai de Tirésias à Kafka, passando por Defoe, Castro Alves; que sai de cartas e diários e vai à canção de ninar, recuperada anos depois, com uma voz crítica analisando etapas, mas mostrando ser impossível controlar o fluxo da própria história: “A escrita é traiçoeira, você pensa que escreve uma coisa e escreve outra”.&lt;br /&gt;Com Kafka, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ribamar&lt;/span&gt; e Castello, o leitor compartilha aquilo que nunca nem pensou; encontra sentido em páginas nunca lidas e em respostas nunca dadas – quem sabe se o pai de Kafka leu a carta do filho? Quem sabe se o pai de Castello leu o livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carta ao pa&lt;/span&gt;i dado por ele? a quem servirão essas páginas erguidas da memória e da fantasia? –  O leitor chega assim muito próximo ao caminho do narrador que oferece com verdade o seu lugar, o seu propósito, as suas dúvidas, ainda que ponha na mesa a falta de resposta: &lt;br /&gt;“Talvez você não entenda. Mesmo ignorando minhas razões, percebe que me abstenho de ser. Isso me basta.”&lt;br /&gt;É um livro denso e farto, bem escrito, embora difícil e ao final nos chega, não por Kafka, como uma carta “não escrita” ao pai. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ribamar&lt;/span&gt; é uma aventura dura aos sítios obscuros da relação entre pai e filho, é um texto de uma humanidade cortante,  ríspido muitas vezes, absolutamente embebido em amor em outras; um texto que comove por todos os lados, que se revela dentro e fora, que dá à palavra todas as formas de paixão, que desvenda e homenageia a literatura em seu lugar mais simples: a de se relacionar com o homem, de servir a ele, de falar por ele, com ele. E com seu pai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6363115068934810754?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6363115068934810754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/uma-carta-de-kafka-ao-pai-uma-cancao-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6363115068934810754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6363115068934810754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/uma-carta-de-kafka-ao-pai-uma-cancao-de.html' title='Uma carta de Kafka ao pai, uma canção de ninar: a memória de um filho'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TN_7AHPPMeI/AAAAAAAAAVw/2DpCN2WGX_g/s72-c/ribamar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2669987168452340192</id><published>2010-11-10T03:21:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T07:17:01.372-08:00</updated><title type='text'>Conversa com o escritor Benjamin Moser com mediação de Milena Britto- convite</title><content type='html'>Clique na imagem para ampliar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TNqAmlQGdMI/AAAAAAAAAVo/tSIYa1NNFwg/s1600/moser_salvador-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 208px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TNqAmlQGdMI/AAAAAAAAAVo/tSIYa1NNFwg/s320/moser_salvador-1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537880092128474306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2669987168452340192?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2669987168452340192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/conversa-com-o-autor-benjamin-moser.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2669987168452340192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2669987168452340192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/conversa-com-o-autor-benjamin-moser.html' title='Conversa com o escritor Benjamin Moser com mediação de Milena Britto- convite'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TNqAmlQGdMI/AAAAAAAAAVo/tSIYa1NNFwg/s72-c/moser_salvador-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5812826353746704301</id><published>2010-11-09T07:12:00.000-08:00</published><updated>2010-11-09T07:13:55.401-08:00</updated><title type='text'>Poeta, Mc e ator Zinho Trindade lança livro em Salvador</title><content type='html'>Hoje 09/11 Lançamento Tarja Preta -UFBA -Salvador -Bahia 17H&lt;br /&gt;O grupo de pesquisa Rasuras: estudos de práticas de leitura e escrita e o Sextas poéticas Sarau convidam para o evento de lançamento do livro Tarja Preta de Zinho Trindade, nesta terça-feira, 9 de novembro, das 17:00 às 19:00, na sala 110 do PAF 3 (Campus de Ondina da UFBA). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zinho Trindade é poeta, ator e MC Free Style. Herdou a tradição familiar na pesquisa e divulgação da cultura popular afrobrasileira. Bisneto de Solano Trindade, poeta popular e neto de Raquel Trindade que se mantém à frente  do Teatro que leva o nome de seu pai em Embu das Artes (SP), Zinho Trindade vivencia  cotidianamente as raizes culturais brasileiras. É integrante da banda O Legado de Solano onde mistura música contemporânea com ritmos afrobrasileiros. Tarja Preta é o seu primeiro livro publicado.&lt;br /&gt;(Texto de apresentação retirado da orelha do livro Tarja Preta)&lt;br /&gt; PROGRAMAÇÃO:&lt;br /&gt;17:00 – Exibição do documentário Solano Trindade: 100 anos (direção: Alessandro Guedes e Helder Vieira).&lt;br /&gt;17:40 – Palestra de Zinho Trindade sobre sua atuação político-artística e sua vinculação genealógica ao trabalho iniciado pelo seu bisavô, o poeta Solano Trindade.&lt;br /&gt;18:20 – Lançamento do livro Tarja Preta (valor: R$15,00) ao ritmo dos poemas recitados pelos jovens integrantes do Sextas Poéticas Sarau do ILUFBA.&lt;br /&gt; Entrada gratuita!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5812826353746704301?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5812826353746704301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/poeta-mc-e-ator-zinho-trindade-lanca.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5812826353746704301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5812826353746704301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/poeta-mc-e-ator-zinho-trindade-lanca.html' title='Poeta, Mc e ator Zinho Trindade lança livro em Salvador'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2283907787460845095</id><published>2010-11-07T17:09:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T17:11:55.902-08:00</updated><title type='text'>Encontro do PROLER</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TNdOU8BaXWI/AAAAAAAAAVg/R4oPo41Kyus/s1600/ENCONTRO+DO+PROLER.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 247px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TNdOU8BaXWI/AAAAAAAAAVg/R4oPo41Kyus/s320/ENCONTRO+DO+PROLER.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536980388491713890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2283907787460845095?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2283907787460845095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/encontro-do-proler.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2283907787460845095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2283907787460845095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/encontro-do-proler.html' title='Encontro do PROLER'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TNdOU8BaXWI/AAAAAAAAAVg/R4oPo41Kyus/s72-c/ENCONTRO+DO+PROLER.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4126818782944008145</id><published>2010-11-01T12:34:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T12:37:21.358-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cortazar literatura argentina paris buenos aires antonioni blow up cinema escrita escrito cotidiano'/><title type='text'>Cortázar nos perde em Paris dos anos 60 e encontra-nos numa estação de trem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8W6DX2eHI/AAAAAAAAAVY/ndUoa9cMbHo/s1600/as+armas+secretas+foto+cortazar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 199px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8W6DX2eHI/AAAAAAAAAVY/ndUoa9cMbHo/s320/as+armas+secretas+foto+cortazar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534667653655197810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado em 30/10/2010 no caderno 2+ do Jornal A tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E já que vamos contar, é melhor pôr um pouco de ordem. A gente desce cinco andares e já está no domingo, com um sol inesperado para novembro em Paris.” &lt;br /&gt;     O desejo de pôr ordem no caótico emaranhado de fatos, expresso pelo narrador de “As babas do diabo”,  que inspirou o filme “Blow-up” do Antonioni, não é um capricho qualquer. O fotógrafo, personagem do conto, duvida da realidade que seus olhos pensam ver mediada por uma câmera e a poesia dramática da vida se ergue sem imagens: essas são tão irreais que se confundem com as palavras.&lt;br /&gt;     São tantas possíveis maneiras de “desnarrar” o que se pretende contar que as páginas viram cenas de cinema; estas se transmutam em algum jazz extraordinário, para bons ouvidos, que depois explode em literatura, que inventa cidades, que devolve o tempo ao homem, que vira leitor, que redescobre o livro para nele se reinventar e começar outra vez. Essa realidade porosa vai escancarar a complexidade da vida e do ato de viver a vida num descompasso alucinante.&lt;br /&gt;    Os contos de “As armas secretas”, de Julio Cortázar, lançados pela primeira vez em 1959, são peças nobres da literatura. Cinco histórias que levam grandes projetos literários voltarem a ser pensados, do idealismo romântico à fragmentação pós-moderna. O elemento fantástico, tão peculiar na obra cortazariana, não surpreende em seu estado de absurdo, mas por ser colado à realidade invisível e emanar da simplicidade contida no cotidiano. &lt;br /&gt;    Como se desmontasse várias camadas de literatura, e de fantasia, o  autor, no conto “Cartas de mamãe”, esmiúça o universo psicológico da personagem principal, um filho que recebe cartas da sua mãe, e leva o leitor a um percurso com o próprio narrador. As cartas chegam a um cotidiano em Paris, vindas de Buenos Aires, do cotidiano de uma mãe solitária. Narram cotidianidades e mantém segura a vida de todos os envolvidos, incluindo a nós, leitores. &lt;br /&gt;    Um dia, uma palavra na carta, numa frase corriqueira qualquer, um nome próprio fora do lugar, um equívoco, desarruma tudo: a vida, os dias, o conto, a literatura. Um morto vai chegar no trem das 11:45, um irmão culpado pena entre uma e outra carta da mãe que “ está louca!” e escreve coisas absurdas, uma esposa mente para o marido e sonha com o falecido cunhado, uma traição inventada pela nossa desconfiança e um escritor revelando segredos da escrita e de seu ofício. Uma carta, uma palavra fora do lugar esperado e com isso a literatura construindo o impossível.&lt;br /&gt;    A delicadeza dos sentimentos das personagens algumas vezes se transforma em ironia das mais finas, e o leitor vai adentrando-se nas nuances variadas dos fatos. Em “Os bons serviços” o narrador introduz uma ambígua naturalidade aos mais absurdos fatos que acontecem a uma senhora diarista que serve à burguesia francesa. Cuidando de cinco cães enquanto os patrões se divertem numa festa, a personagem descobre, antes de nós, que tudo é sonho e pesadelo, que as realidades se confundem porque somos presos a elas. Entre a trágica situação dessa miserável e quase abandonada diarista, todo o espetáculo da morte se revela: contratada para chorar um defunto, ela se depara com o único ser que tivera com ela um gesto de carinho. E suas lágrimas falsas se tornam verdadeiras, embora ela jamais saiba o que é aquilo tudo, quem são aquelas pessoas que a levaram de uma sala com cães a um velório... &lt;br /&gt;    O livro vai se desdobrando em percursos inesgotáveis. Sobrevivemos aos contos pensando serem extensão de nossas vidas, de nossos sonhos. Os aspirais eróticos de cenas que nada possuem de explícitas fazem-nos crer numa força secreta, num mundo secreto, que nos deixa cegos diante do caminho sem fim. A ruína, o desejo, a fantasia e a realidade estão ali, no livro de Cortázar, mas poderiam, como disse Arrigucci Jr., estar num Juan Rulfo, num Borges, num Onetti. Poderia pelo fantástico da obra, pela genialidade da escrita. Mas não pela bem truncada prosa, não por esse jogo - que sempre funciona por mais que o saibamos -  do escritor  consciente brincando com o fantástico e um falso descontrole. Os cinco contos nos chegam desafiantes, como a vida desafiou o artista Cortázar a sobreviver e escrever naquele seu – nosso – tempo. Ouçamos um jazz e salvemos do suicídio qualquer personagem, enquanto outros caminham em nossa direção na estação de trem. Em Paris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4126818782944008145?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4126818782944008145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/cortazar-nos-perde-em-paris-dos-anos-60.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4126818782944008145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4126818782944008145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/cortazar-nos-perde-em-paris-dos-anos-60.html' title='Cortázar nos perde em Paris dos anos 60 e encontra-nos numa estação de trem'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8W6DX2eHI/AAAAAAAAAVY/ndUoa9cMbHo/s72-c/as+armas+secretas+foto+cortazar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-203805117520376096</id><published>2010-11-01T12:30:00.000-07:00</published><updated>2010-11-08T04:50:06.121-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura trans teorias queer corpo desejo erotismo pornografia'/><title type='text'>Do Le Monde para a literatura: “esquisitas” palavras da pornografia erótica dos corpos ao desejo político de ser</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WFL-VdTI/AAAAAAAAAVQ/LzgpWPDuGFQ/s1600/Capa+Frontal+-+Brevi%C3%A1rio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WFL-VdTI/AAAAAAAAAVQ/LzgpWPDuGFQ/s320/Capa+Frontal+-+Brevi%C3%A1rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534666745431029042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WEb0TjgI/AAAAAAAAAVI/Oh83oi-tmSM/s1600/hilan.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WEb0TjgI/AAAAAAAAAVI/Oh83oi-tmSM/s320/hilan.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534666732504059394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WEI_uo6I/AAAAAAAAAVA/ygbF5SJQ7Vg/s1600/fabiane.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WEI_uo6I/AAAAAAAAAVA/ygbF5SJQ7Vg/s320/fabiane.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534666727451698082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ do jornal A tarde&lt;br /&gt; Fabiane Borges e Hilan Bensusan possuem muitas singularidades: os dois são parte de um “coletivo” de dois, o “Esquizotrans”, assinaram a coluna “Políticas Esquizotrans” no caderno Brasil do Le Monde diplomatic; ele é professor de filosofia na Unb, ela pesquisa “micromídias” de “maneiras megalomaníacas”; ele e ela são “esquisitos”. Isso pode ser bom, como o senti ao ler o trabalho literário dos dois em seu primeiro livro “Breviário de pornografia esquizotrans: para pessoas do avesso”, com prefácio Pedro Costa, da banda queer “Solange Tô aberta”.&lt;br /&gt; A literatura e o corpo, o corpo e o gênero, o gênero e a sociedade têm sustentado uma relação complexa: a pedagogia do controle sobre o corpo sempre contou com a palavra e esta quase sempre serviu à manutenção do conhecido par “homem x mulher” – historicamente prevalecendo a superioridade de todo o aparelho masculino. A literatura, como a filosofia, sempre esteve atrelada ao espírito do momento, tendo, portanto, deixado-nos bem servidos de modelos ou questionamento dos modelos.&lt;br /&gt; Acontece que o corpo – e a literatura –  anda escapando às totalidades que, substituídas a cada par de décadas ou séculos, ajustavam-no à cena. Diga-se de passagem que, em cada momento, houve aqueles que causaram fissuras absurdas  no corpo, na cena literária, na linguagem, na filosofia, na moral. É por aí que passeiam um Fernando Vallejo, um Walt Whitman, um Lezama Lima, Um Guimarães Rosa, um Nietzsche, um Foucault, uma Judith Butler, uma Beatriz Preciado.&lt;br /&gt; O livro de Fabiane e Hilan vem escrachar a cena arrumada de um papai-mamãe bem literário, arrebentar calcinhas com pau intumescido coexistindo com vagina lubrificada, peitos e bundas alternando-se na cena do prazer, hormônios questionando tudo e se impondo à medicina, à vida compreendida parcamente a partir de duas – como não enfatizar – duas míseras categorias de gênero e só uma de desejo: o heterossexual. Mas, o que o “Breviário” vai trazer de mais intenso é um reconhecimento singular do transsexual, ampliando-se, inclusive, o “trans” para as condições de sexo, gênero, desejo ou identidade que se encontram diante de fronteiras, que escapam a qualquer prévia categoria ou mesmo espaço. E isso de forma literária, ricamente elaborada em imagens, metáforas, linguagem.&lt;br /&gt; Há uma perversidade sem tamanho no tempo esse em que vivemos: entre tanto sexo explícito na TV e hit de axé e funk leiloando os corpos juvenis femininos, um recrudescimento moral impede  o olhar escancarado e saudável sobre os corpos – veja-se a discussão sobre aborto da cena política atual – e a arte permanece engessada quanto aos limites de representação artística, humana, sexual e política dos corpos que abarcam tantas singularidades, explícitas cada vez mais, felizmente.&lt;br /&gt; Os textos de “Breviário”, alguns podendo ser considerados contos e outros transitando em fronteiras textuais, trazem uma proposta estética claramente vinculada aos estudos teóricos “queer”, o que, a princípio, poderia enfraquecer o projeto literário. Particularmente, sou resistente a projetos artísticos de engajamento, salvo os casos que logram se libertar do discurso. Arte é arte, podendo ser política também. Mas não quero, quando leio literatura, um discurso político ou um relatório de ação social, quero emocionar-me, rir, transformar-me, sonhar, chorar, comover-me e compreender aquilo que desconhecia. &lt;br /&gt; Foi assim quando li “infidelidade e descentralização”, “diferenças sexuais agudas”, “em cima do morro dos prazeres ou me monto herculina barbitúrico”, “amor no lixão”, “brenda comendo david”, “puta ontológica”, “projeto de duas feministas velhas” e outros textos do livro, o que me diz que o encontro prévio com as teorias queer não minimizou a criatividade, o roteiro artístico, o desejo e a sensibilidade dos autores.&lt;br /&gt; No livro, é tudo sexo, explícito ou não – a depender do que cada um concebe como explícito e como ato sexual, afinal, Eva comeu uma maçã e mudou o destino da humanidade, a “virgem” Maria engravidou, os anjos não têm sexo e por aí se vê uma série infinita de “anedotas sexuais” presentes na nossa história e desprovidas de órgãos -, sim, é tudo desejo e sexo no livro do coletivo esquizotrans, mas, mais do que  tudo, são gritos originais de socorro para as prisões dos corpos e para a arte.&lt;br /&gt; A linguagem é um arco sem curva na maioria dos textos, um vocabulário “sexual” corajoso, mas, sobretudo, um desnudamento das categorias de palavras; o ritmo e o encadeamento da prosa oral vai colar-se perfeitamente ao momento contemporâneo de tanta velocidade, medicina, tecnologia, crise da ecologia: as palavras vão saltando e revelando movimentos, catarse, ironia; vão reacendendo a curiosidade filosófica, filológica, literária; vão reativando o homem na sociedade das máquinas, essas sejam as do mundo capitalista sejam as das políticas fracassadas. &lt;br /&gt; A sensibilidade presente nos textos se revela tanto na crueza erótica e pornográfica dos encontros entre seres sem categoria, quanto nas sutilezas dos sentimentos de moças do interior sem dentes, escravas do ambiente patriarcal, sem direito a desejo ou mesmo a mirarem seu sexo com liberdade, como se vê no conto “o anel brilhante de elfriede jelinek”. Os trans e os intersexos ganham corpo (que no cinema o filme XXY já revelou)  e desejo, possuem órgãos, os dois ou um só escolhido ou imposto, e vão escrever outra história para os que, também na arte, ficaram apagados, escondidos, desprezados, concertados, reescritos, disfarçados.&lt;br /&gt; As esquisitices da dupla Borges e Bensusan – esquisito aqui mais para o sentido da língua espanhola – são bem-vindas, pertinentes. Literariamente há muitas propostas interessantes (outras não, o que também é bom de se ver: a literatura demanda muito esforço para se erguer e os autores, conscientes disso, simplesmente jogam-se livres e corajosos no desejo, o que  por si só já atende a um princípio da arte: é preciso gozo). Ver os trans, as lésbicas, os gays, os heteros com desejos outros, com idades tantas, com subjetividades variadas, aflorarem pornograficamente é, por si só, uma experiência interessante. Ver a literatura chegar para a diversidade do desejo é ainda melhor. A pornografia é muito mais do que sexo explícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Breviário de pornografia esquizotrans: para pessoas do avesso”/Editora Ex libris/154p./R$35.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-203805117520376096?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/203805117520376096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/do-le-monde-para-literatura-esquisitas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/203805117520376096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/203805117520376096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/do-le-monde-para-literatura-esquisitas.html' title='Do Le Monde para a literatura: “esquisitas” palavras da pornografia erótica dos corpos ao desejo político de ser'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8WFL-VdTI/AAAAAAAAAVQ/LzgpWPDuGFQ/s72-c/Capa+Frontal+-+Brevi%C3%A1rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2977346330623375769</id><published>2010-11-01T12:27:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T12:30:25.405-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica arthur nestrovski literatura palavra e sombra'/><title type='text'>Sob o verbo, a literatura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8VO_DpACI/AAAAAAAAAU4/JwmDMi_LQew/s1600/nestrovski.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8VO_DpACI/AAAAAAAAAU4/JwmDMi_LQew/s320/nestrovski.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534665814250684450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;publicado no caderno 2+ do jornal A tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A literatura é uma das artes que mais vínculos possuem com a crítica. A própria relação de metalinguagem entre ambas  já se configura um íntimo e arriscado percurso que se constrói na articulação de interesses, conhecimento, desejo, desassossego, projeção, descoberta e reinvenção, elaborada na mesma mágica  ferramenta: a palavra. &lt;br /&gt; Como não se trata de falar de uma outra linguagem – como o é com as artes plásticas, a fotografia, o cinema, a música – a confecção desse texto novo, que se predispõe a iluminar o outro, pode ser uma ação desastrosa ou bem-sucedida, uma vez que é esse o texto que se propõe, sendo aqui imediata, a retirar da penumbra ou manter luzindo o outro.&lt;br /&gt; Arthur Nestrovski, com a sua mais recente publicação “Palavra e sombra: ensaios de crítica”, chama-nos a atenção para o status quo da crítica literária, seu papel, seu percurso, enquanto que ele mesmo vai construir um corredor de luz sobre algumas obras sob o viés literário-artístico-cultural-político. &lt;br /&gt; Na apresentação do livro, Nestrovski faz um panorama rápido da crítica literária brasileira, destacando os momentos de mudança – como a da década de 40, no rodapé dos jornais, “entre a crônica e o noticiário”, ou a de 60 com a crítica scholar, oriunda dos especialistas universitários – e apontando, inclusive, para uma reflexão acerca da crítica contemporânea e sua ainda existente relação com os jornais. Nomes como os de Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Sérgio Milliet, Antônio Cândido, Mário de Andrade e outros vão surgir pontuando-se uma história cultural e intelectual à parte e revelando-se um outro cânone: o da crítica literária.&lt;br /&gt; Os ensaios críticos presentes em “Palavra e sombra” demonstram não tanto um mergulho nos sendeiros de construção literária dos autores em destaque – João Cabral de Melo Neto, Modesto Carone, Carlos Heitor Cony, Rubem Fonseca, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Bernardo Carvalho, Milton Hatoum, Luís Francisco Carvalho Filho, Roberto Schwarz, Philip Roth, Saul Bellow, John Updike, Don DeLillo, Kazuo Ishiguro, Richard Powers, Pankaj Mishra e Vladimir Nabokov – mas, especialmente, um entendimento tanto da cena literária que suporta as obras como da relação das mesmas com o movimento cultural, intelectual e político do contexto em questão.&lt;br /&gt; Arthur constrói o seu texto com cuidado literário, escolhendo imagens que vão dialogar com o discurso que produz sobre a obra lida, parte do artifício de trazer das sombras as palavras. Algumas vezes abre o seu texto com narrativas, por exemplo, de como, quando e por quê estava lendo determinado autor, ou narra-nos uma imagem do livro lido antes de adentrar-se pelos caminhos críticos. Mais comum, entretanto, é abrir seus textos com uma citação ou pequena frase-mote que contém o mistério e a tensão de uma idéia que vai percorrer na obra.&lt;br /&gt; A leitura de Arthur Nestrovski ultrapassa bastante os limites do texto e revela um conhecimento profundo da cena literária e cultural contemporânea. O livro se divide em três partes, uma da cena literária brasileira, outra da de língua inglesa e uma terceira de três produtos artísticos distintos: um filme (“Um filme sem imagens”), um livro de fotografia (“Êxodos”) e o teatro Vertigem (“Apocalipse I e II”).&lt;br /&gt; Apesar de cada texto trazer uma série de referências –   autores que dialogam com os escritores, ecos literários das tradições em jogo, interseções políticas, filosóficas, artísticas e culturais – os ensaios de Nestrovski se mantêm equilibrados e lúcidos, sem o peso erudito gratuito que deixaria carregada a leitura. O crítico é generoso em fornecer muitas das suas pistas de leitura e repertório e, o mais interessante, apesar de oferecer um texto literariamente bem cuidado, não deixa desaparecer de vista e nem tenta suplantar a obra lida.&lt;br /&gt; Poucos são os críticos que pontuam seus textos com conhecimento refinado e demarcação honesta do lugar de leitura –  entre eles vale aqui ressaltar que o trabalho do crítico Antonio Marcos Pereira é, na cena atual, um dos mais férteis e sólidos nesse sentido – e Arthur Nestrovski não apenas o faz como não se deixa cair na armadilha de seu próprio trabalho; ele mesmo escritor, enquanto crítico se impõe a tarefa de desvendar os mistérios dos textos e a sua relação com determinados assuntos/temas/acontecimentos/situações/histórias desde um lugar intermediário, buscando dar à obra uma certa luz, bem medida para não ofuscar. &lt;br /&gt; “Palavra e sombra” é para mim uma bem-sucedida coleção de ensaios, funcionando ela mesma como farol que auxilia o encontro de caminhos, o diálogo honesto do crítico com a obra, complexa que é a tarefa da crítica e seu papel para a literatura. Afinal, retomando as palavras do próprio Arthur: “Se literatura fosse transparente, não seria preciso crítica. Se o mundo fosse transparente, aliás, nem seria preciso literatura. Palavras e coisas coincidiriam de modo absoluto, na luz de uma verdade sem sombra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra e sombra: ensaios de crítica/Ateliê Editorial/R$ 35/165p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2977346330623375769?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2977346330623375769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/sob-o-verbo-literatura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2977346330623375769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2977346330623375769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/sob-o-verbo-literatura.html' title='Sob o verbo, a literatura'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8VO_DpACI/AAAAAAAAAU4/JwmDMi_LQew/s72-c/nestrovski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5110916928251799981</id><published>2010-11-01T12:24:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T12:27:11.218-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura infantojuvenil classicos jovens leitura mistério'/><title type='text'>Aventura, mistério e denúncia na literatura para os jovens</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8UhARzHFI/AAAAAAAAAUw/nDy2s6LLndE/s1600/o-caso-do-elefante-dourado.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 207px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8UhARzHFI/AAAAAAAAAUw/nDy2s6LLndE/s320/o-caso-do-elefante-dourado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534665024304520274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2 + do jornal A tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O meu imaginário e o de muitos leitores certamente está povoado por clássicos como “A ilha do tesouro”, “As aventuras de Tom Sawyer”, “O escaravelho de ouro”, “O jardim secreto” e uma série de outros que vai da literatura mundial à brasileira com Monteiro Lobato e tantos outros, incluindo os da coleção vagalume. Certo é que jovens gostam, sim, de ler e de colocar a mente à prova de complicadas redes de mistérios e aventuras. É só desligar a televisão.&lt;br /&gt; Assim que o mais novo livro de Eliane Ganem - já reconhecida e premiada na cena literária para o público juvenil -, “O caso do elefante dourado”, agrada pela agilidade narrativa e uma bem montada rede de enigmas a la Agatha Christie.&lt;br /&gt; Aliás, a heroína do novo livro, a engraçada senhora Tide, personagem de um outro romance da autora, é uma espécie de miss Marple. A atrapalhada, mas muito sagaz, personagem conquista o leitor imediatamente por sua atitude corajosa e faceira. A história ambienta-se na cidade do Rio de Janeiro e intrunca uma série de roubos, seqüestros e assassinatos num misterioso caso que vai do furto de quadros famosos, guardados num dos maiores museus italianos, ao tráfico de cocaína no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt; A inclusão do cenário carioca do tráfico de drogas, apontando para a violência tanto policial quanto dos traficantes, com assassinatos de jovens e garotos, sumiços de vizinhos e etc, é bem interessante e aproxima as mentes juvenis ao cenário brasileiro urbano, sem deixar de incitar a fantasia e a curiosidade, já que há referências à arte renascentista, à ciência da criptologia e outras pequenas chaves enigmáticas.&lt;br /&gt; A personagem de Tide, na verdade Judith, é sem dúvida bem construída e há algumas cenas hilárias, como ela surpreendida por um traficante, quando está sendo devolvida pendurada em um helicóptero sendo trocada pela falsificação de um quadro de Rubens. A cena é bem descrita e a surrealidade aparente nos remete às cenas televisivas corriqueiras no universo do crime. Os seus disfarces também soam cômicos, já que produzem uma espalhafatosa velhota que, sem pieguices e com muita graça, expande-se em doçura e agilidade mental. &lt;br /&gt; A personagem é uma jovem de espírito, com um bom movimento na trama, e o corpo já afetado pelas marcas da idade, o que confere mais humor à trama. A sua relação de igualdade com os meninos do tráfico e a polícia explora um outro modelo feminino de heroína, não tão incomum, mas fugindo um pouco das personagens politicamente corretas ou romantizadas.&lt;br /&gt; Bom ressaltar que mesmo tratando de temas delicados e violentos, a narrativa do pequeno romance alcança um certo grau de crítica e se resolve bem, de acordo com o que se espera, sem cair em didatismos morais fáceis ou gratuitos.&lt;br /&gt; É certo que falta mais desenvolvimento psicológico das personagens – quase que lineares -, e mais ambigüidade literária, mas a escrita ágil acaba por manter-se num bom nível.  &lt;br /&gt; Todo o mistério do elefante dourado e do roubo de quadros termina por cativar também os adultos que gostam de enigmas, embora deixe-os certos de que possuem uma boa coleção de aventuras que jamais se apagarão de sua memória. Em todo caso, é preciso manter viva a fantasia e a curiosidade juvenis, ainda que no cenário triste das favelas, do tráfico, da corrupção policial, da vulnerabilidade desses meninos e meninas que vivem, eles próprios, o desaparecimento de corpos de forma tão violenta e triste. E isso a autora faz bem. É uma boa obra para os que curtem aventura e mistério e possuem sentido aguçado de humor.&lt;br /&gt;O caso do elefante dourado/Eliane Ganem/Record/Galera Record/106 p/R$32,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5110916928251799981?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5110916928251799981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/aventura-misterio-e-denuncia-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5110916928251799981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5110916928251799981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/11/aventura-misterio-e-denuncia-na.html' title='Aventura, mistério e denúncia na literatura para os jovens'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TM8UhARzHFI/AAAAAAAAAUw/nDy2s6LLndE/s72-c/o-caso-do-elefante-dourado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1752312571865712681</id><published>2010-10-11T14:29:00.000-07:00</published><updated>2010-11-15T11:40:18.099-08:00</updated><title type='text'>I SEMINÁRIO RASURAS: CORPO, LEITURA E ESCRITA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOGMmTGWrfI/AAAAAAAAAV4/AwHpbhsmlxU/s1600/103_2445.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 210px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOGMmTGWrfI/AAAAAAAAAV4/AwHpbhsmlxU/s320/103_2445.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539863606232264178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TLOCb4Dn6yI/AAAAAAAAAUo/Sewt57q66qg/s1600/p212018-Barcelona-Graffitti_in_Barcelona.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TLOCb4Dn6yI/AAAAAAAAAUo/Sewt57q66qg/s320/p212018-Barcelona-Graffitti_in_Barcelona.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526904583129393954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;semrasuras@gmail.com &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O I Seminário Rasuras: corpo, leitura e escrita promove o debate acerca de processos de leitura e escrita que se desenvolvem incontroláveis pela cidade, escrevendo a malha urbana, bem como os corpos que nela transitam. Desta forma, somos provocados a pensar como a leitura indisciplinar de textos multimodais, aqueles em que há a co-ocorrência de imagens, grafismos, sons, gestualidades, têm se disseminado na vida dos jovens nas periferias urbanas e como a escrita a contrapelo de normas gramaticais e sociais tem grafado, grifado e grafitado, da parede às telas de computador, não apenas riscos, mas outras formas potentes de subjetividades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMAÇÃO: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 de outubro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14:00 – Mostra de documentários recartoGRAFIAS:&lt;br /&gt;Herança Guerreira de Almir Meireles, Diego Beda e Helder Rezende. &lt;br /&gt;Malvinas: do outro lado da ocupação de Gabriel Teixeira. &lt;br /&gt; 16:00 – Palestra:  Letramentos de resistência: culturas e identidades no movimento hip hop – Profa Ana Lúcia (ILUFBA)&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;17:00 às 18:30 – Performances: RAP, graffiti e outras manifestações de leitura/escrita urbanas&lt;br /&gt;19:00 – Abertura oficial do evento&lt;br /&gt;19:30 -  Mesa-redonda: Interfaces de leitura e escrita: dos muros à tela, do corpo às pick-ups &lt;br /&gt;Profª. Milena Britto (IL/UFBA) - media dora, DJ Branco, Adson BOOB (grafiteiro), Negramone (b-girl)  &lt;br /&gt;14 de outubro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14:00 – Mostra de documentários recartoGRAFIAS:&lt;br /&gt;Hip hop com dendê de Fabíola Aquino &lt;br /&gt;O Resgate pela Arte de Antonio Anjos, Dinaldo Santos, Hilka Costa, Luciano Souza, Igor Leonardo &lt;br /&gt;16:00 – Apresentação dos projetos de pesquisa que integram o Grupo Rasuras: estudos de práticas de leitura e escrita&lt;br /&gt;17:00 às 18:30 – Performances: RAP, graffiti e outras manifestações de leitura/escrita urbanas&lt;br /&gt;19:00 –  Mesa-redonda -  Etnoletramentos:  quando o corpo negro é o texto&lt;br /&gt;Prof. Henrique Freitas (IL/UFBA) - mediador, Prof. Nelson Maca (UCSAL/BLACKITUDE), Prof. Eduardo Oliveira (FACED/UFBA)&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O EVENTO OFERECE CERTIFICAÇÃO COM CARGA HORÁRIA TOTAL DE 16 HORAS PARA OS INSCRITOS COM PARTICIPAÇÃO MÍNIMA DE 75%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ISCRIÇÕES PELO E-MAIL: semrasuras@gmail.com&lt;br /&gt;ENVIAR NOME COMPLETO E ENDEREÇO DE E-MAIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promoção: &lt;br /&gt;Grupo de pesquisa Rasuras: estudos de práticas de leitura e escrita (ILUFBA)&lt;br /&gt;Organização: &lt;br /&gt;Prof. Dr. Henrique Freitas, Profª. Drª. Milena Britto, Profª. Drª. Nancy Vieira&lt;br /&gt;Apoio: &lt;br /&gt;Pró-reitoria de extensão da UFBA, ILUFBA, IHAC,PETROBRÁS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1752312571865712681?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1752312571865712681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/10/i-seminario-rasuras-corpo-leitura-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1752312571865712681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1752312571865712681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/10/i-seminario-rasuras-corpo-leitura-e.html' title='I SEMINÁRIO RASURAS: CORPO, LEITURA E ESCRITA'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TOGMmTGWrfI/AAAAAAAAAV4/AwHpbhsmlxU/s72-c/103_2445.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1984713598667046359</id><published>2010-10-05T08:44:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T08:47:56.856-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura contemporânea daniel piza ficção'/><title type='text'>Alinhamentos da cidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TKtIpT25VcI/AAAAAAAAAUg/XRsSHGXisvk/s1600/piza.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 226px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TKtIpT25VcI/AAAAAAAAAUg/XRsSHGXisvk/s320/piza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524589242442405314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal A tarde, caderno 2+ em 02/10/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado de “Noites urbanas”, primeira ficção adulta do jornalista Daniel Piza, não é surpreendente, mas aponta para algumas marcas  que, quiçá, pairem sobre a produção contemporânea: cidade e sujeito compartilham um tempo de voracidade e de tensões que fragmentam ambos; linguagem que resiste a contrastes e se mantém na representação direta da cotidianidade; apropriação dos condensados e novos meios de expressão, seja na imitação da linguagem gerada por esses meios, seja na inclusão dos mesmos na dinâmica comunicativa das personagens: Twitter, Blogs, Orkut, MSN, etc. &lt;br /&gt; Os minicontos e contos do livro oscilam. Alguns, como “A escada rolante”, cujas poucas linhas não conseguem sequer explorar o movimento e as imagens que o título sugere, “Auto estima” e “Memória do futuro”, povoados de clichês sobre o universo feminino,  não mereciam estar no livro, carecem de “história” e ritmo. &lt;br /&gt;  Mas há ali contos que alcançam magistralidade narrativa. O mini-conto “A ficha” tem quatro linhas, mas se realiza de forma contundente, dispara as situações do dia-a-dia em um tema tão afetado: a traição, a separação. As poucas palavras do conto são suficientes para invadir a casa de casais citadinos de classe média e o leitor mergulha nas tensões insinuadas e absorve as intimidades das quatro personagens que aparecem em tão pouco espaço narrativo.&lt;br /&gt; O conto “Jogo da verdade” é outro que atinge qualidade e atrai o leitor para a sua estrutura interna. Lembrando, talvez, um filme do movimento Dogma - ou outro desses que colocam casais juntos para explorar a dinâmica e o que sairá depois das hipócritas relações e aparências se desfazerem sob o peso da intimidade cotidiana- a narrativa movimenta as personagens em torno de situações corriqueiras e põe assim  em cheque também as escolhas, apontando para uma visão pessimista: os sujeitos da cidade estão embrenhados em tanta vida que nem sabem viver. A traição e falsidade cegam fortemente e o desfecho do conto prende o leitor numa teia violenta.&lt;br /&gt; “Ledinha” e “Circuito interno” têm boas propostas, ainda que ambos não logrem extrapolar uma história bem contada. Ainda assim, se observam as nuances de uma boa literatura urbana: as tensões são conhecidas, as personagens vivas: boa construção, aliás, das personalidades das personagens, nos dois contos, mulheres que lutam para ter-se livre das amarras da sociedade e reivindicarem seus espaços de protagonismo, dentro das armadilhas todas que a vida impõe ao gênero.&lt;br /&gt; O livro de Piza escolhe o humor, um certo humor irônico, para tratar dos temas, mas algumas vezes esse artifício é o mesmo que compromete as histórias. Em todo caso, é uma coleção interessante de narrativas longas e curtas que trazem à tona a solidão, o “contágio” do desassossego urbano, as tensões, as nuances e a virtualidade de uma cidade como São Paulo, onde se pode ver que as personagens são tão vinculadas aos espaços que ali estão e seus cotidianos vorazmente devorados pelo caos que, sob a noite, adormece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noites Urbanas/Bertrand Brasil/176p&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1984713598667046359?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1984713598667046359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/10/alinhamentos-da-cidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1984713598667046359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1984713598667046359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/10/alinhamentos-da-cidade.html' title='Alinhamentos da cidade'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TKtIpT25VcI/AAAAAAAAAUg/XRsSHGXisvk/s72-c/piza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1723069363507935450</id><published>2010-10-05T08:42:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T08:44:37.706-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruno tolentino as horas de katharina literatura poesia'/><title type='text'>A graça das horas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TKtH34HaZsI/AAAAAAAAAUY/a7LyO_qNIno/s1600/bruno.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 207px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TKtH34HaZsI/AAAAAAAAAUY/a7LyO_qNIno/s320/bruno.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524588393181898434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no A tarde - caderno 2, em 11/09/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A língua portuguesa tem plantado hastes na poesia com Camões, Pessoa, Drummond, João Cabral, Cecília Meirelles, Bandeira, o polifônico Valencio Xavier e tantos outros que adormecem sob a nossa falta de cuidado. É talvez sob o peso desse quase silêncio em torno do poeta carioca Bruno Tolentino que a reedição de sua obra “As horas de Katherina” chega.&lt;br /&gt; Além dos 166 poemas de “ As horas”, o livro traz ainda a peça inédita “A andorinha, ou: A cilada de Deus”, cuja dramaticidade e eloqüência surpreendem os bons conhecedores do gênero, e um belo prefácio de Alcir Pécora.  &lt;br /&gt; Os 166 poemas das Horas de Katharina, que versam sobre a conversão de uma carmelita, são um verdadeiro manancial de erudição do autor, que demonstra referências históricas e profundo conhecimento clássico, lingüístico, além de uma variada experiência poética com relação à forma, à rima, à metrica: versos decassílabos, hexassílabos, octassílabos, sonetos, sextilhas e assim seguindo por longo caminho de domínio da arte poética, sem, entretanto, deixar de exibir que a forma obedece ao pulso da poesia: nada deve – ou neste caso é - ser gratuito.&lt;br /&gt; À primeira vista, a poesia de Tolentino pode assustar os que não percorrem as muitas referências abordadas formalmente e tematicamente. Nessa obra, o  tema espiritual é explorado também intertextualmente, já que as referências ao “Livro de Horas”, destinado às orações privadas na tradição catolica, é não apenas na estrutura, mas na articulação e organização temática. Há ali a estrutura das missas, dos rituais de devoção, a cultura católica de rezas, orações e uma infinidade de ritos de passagem.&lt;br /&gt;  Os poemas são uma experiência intensa, espaço no qual se vivencia a exploração dos recônditos da alma numa atitude de devoção e perseguição do caminho espiritual da heroína.  A solidão da experiência mística é tão visceral quanto é gracioso, e o espanto também faz parte da descoberta. Assim, poemas como “Miserere” “Vade retro”, “O espelho”, “As luas” dimensionarão na linguagem, no mote, na forma, uma vastidão de tempo e sentimento que se espera apenas de quem vivencia a experiência, tanto a mística quanto a humana diante de situações marcadas por ícones. &lt;br /&gt; O interessante das 8 partes de “As horas” é que não se esgotam as possibilidades de leituras, tanto da “perigrinação” espiritual de Katherina quanto dos movimentos católicos míticos e místicos. Os poemas de “As horas” cuidam do ambiente interno do convento, e, metaforicamente, do espaço espiritual e da natureza humana; esse ambiente é vivenciado também nos processos formais de estudos, observações, encontros e tensões – ali há as rezas, orações, livros, passagens bíblicas e teológicas: referências que são assinaladas em notas para os que, como eu, não possuem todos os instrumentos de leitura, além de símbolos e expressões do universo popular - e a relação pessoal de Katherina com a experiência religiosa. Mas, o mais valoroso dessa nova reedição é que a peça inédita “A andorinha”, de certa forma, compõe e completa a épica passagem da heroína pois é sobre o universo exterior ao convento e as relações familiares da “persona”.&lt;br /&gt; Os diálogos são um desenho maravilhoso da dramaticidade oral e, ao mesmo tempo, um vivo encontro de personalidades intensas e profícuas. Tem-se, no conjunto, o retrato completo de uma heroína (alter ego de Bruno, segundo Pécora).&lt;br /&gt; Todo o livro é de uma experiência única e valiosa: ler Tolentino é um desafio e, ao mesmo tempo, é ler poesia de uma maneira que só a palavra mesma pode dimensionar: Poesia.&lt;br /&gt; As horas de katherina/Bruno Tolentino/Record/399 p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1723069363507935450?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1723069363507935450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/10/graca-das-horas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1723069363507935450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1723069363507935450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/10/graca-das-horas.html' title='A graça das horas'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TKtH34HaZsI/AAAAAAAAAUY/a7LyO_qNIno/s72-c/bruno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6867288224574539908</id><published>2010-08-27T04:41:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T04:53:54.753-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frida kahlo méxico duplo retorno surrealismo mexicanidad política comunismo diego rivera'/><title type='text'>Os retornos, o duplo, as cores e as dores de Frida Kahlo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/THelLqGOJeI/AAAAAAAAAUI/f6iWzpReXqw/s1600/frida3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 257px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/THelLqGOJeI/AAAAAAAAAUI/f6iWzpReXqw/s320/frida3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510054288808617442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/THelLUODCjI/AAAAAAAAAUA/cOnSEbjp60M/s1600/fridakahlo460.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 192px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/THelLUODCjI/AAAAAAAAAUA/cOnSEbjp60M/s320/fridakahlo460.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510054282935863858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Essa artista mexicana com sobrenome alemão, sobrancelhas grossas e buço acentuado talvez jamais haja imaginado que o mundo inteiro lhe renderia a fama que hoje possui. Seus quadros viajam aos museus mais conhecidos, seu diário foi lido por milhares de pessoas, seu rosto estampa desde camisetas, jóias, anúncios de venda de carros até publicações de história da arte; sua vida virou filme – dois – e tem inspirado desde ações feministas até pesquisas na psicanálise e coreografias de dança contemporânea. É a artista mais escolhida, hoje, para representar o México de cores vivas, tradições milenares, exotismo e modernidade.&lt;br /&gt; O que, entretanto, faz incomum a história de Frida é a complexidade que envolve o seu trabalho, o seu pensamento, a sua vida cheia de tragédias físicas e psicológicas, o seu gênero. Era já hora de que não apenas via Diego Rivera seu nome circulasse. &lt;br /&gt; Arte, corpo, amor e política marcam o caminho de Frida de igual maneira: intensa. A pintura, conhecida pelos famosos autorretratos, vai ser, ao mesmo tempo, a biografia, o espelho e o pensamento de Frida, e – juntando-se aos mitos femininos mexicanos da Malinche e da Virgem de Guadalupe – é  a representação do México bipartido, híbrido, tradicional, primitivo e moderno, trágico e belo. Assim, desde seu fascínio pelo seu duplo – a mesma e oposta ao mesmo tempo como se vê no quadro “ As duas Fridas” – até as escolhas de suas técnicas (como a adoção do estilo ex-votos e retábulos em suas pinturas), cores (vivas e vibrantes), cenários (fauna, flora e iconografia mexicana), e os seus temas, refletem um eterno retorno a algo profundo que se representa pela raiz de sua dor e de sua “mexicanidad”.&lt;br /&gt; Na política e no amor também há “retornos”: Frida rompeu com o partido comunista mexicano e anos depois voltou a filiar-se (há quadros em homenagem a Trotsky e a Stalin), o que também revela conflitos  em suas convicções ideológicas; divorciou-se de Diego Rivera e voltou a se casar com ele - apesar de saber de suas traições - o que evidencia a obsessão por esse amor fracassado.&lt;br /&gt; Esses “retornos” de Frida anunciam a um movimento de autoconhecimento e, ao mesmo tempo, de desespero. Artisticamente, vai coincidir com um retorno do Mexico às suas origens indígenas, um recuo da Europa, não sendo a toa que ela integra o movimento intelectual e artístico intitulado “mexicanidad”, que seria o equivalente, em certos aspectos, ao nosso movimento Modernista, embora, em certo momento, a artista tenha sido “assediada” pelo surrealismo – negado por  resistência às idéias vanguardistas da Europa. O retorno amoroso e político permitem uma similar analogia: paixão e dor, decepção e refúgio, medo e esperança.&lt;br /&gt; Frida Kahlo, mulher que se expôs inteira e profundamente em seus quadros, não temeu nem a si mesma. Amou homens e mulheres, viu-se e pintou-se homem e mulher, sobreviveu à pólio, aos acidentes, aos abortos, às traições, ao México que vivia um momento político brutal. E, décadas depois de sua morte, o “retorno” de Frida Kahlo vem assegurar que em sua arte apaixonada há uma resistência profunda a “las tragédias, a el dolor, a el olvidamiento”. Viva a Frida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ do Jornal A tarde em 14/08/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6867288224574539908?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6867288224574539908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/08/os-retornos-o-duplo-as-cores-e-as-dores.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6867288224574539908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6867288224574539908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/08/os-retornos-o-duplo-as-cores-e-as-dores.html' title='Os retornos, o duplo, as cores e as dores de Frida Kahlo'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/THelLqGOJeI/AAAAAAAAAUI/f6iWzpReXqw/s72-c/frida3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1019626687846605847</id><published>2010-07-21T18:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T18:03:53.649-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='papeis inesperados julio cortazar literatura latinoamericana politica arte cotidiano o jogo da amarelinha'/><title type='text'>A canastra mágica de Cortázar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TEeY717GukI/AAAAAAAAAT4/ukMqgXOo0sM/s1600/cortazar62.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 224px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TEeY717GukI/AAAAAAAAAT4/ukMqgXOo0sM/s320/cortazar62.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496530024083667522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A  obra de Julio Cortázar é, fascinantemente, capaz de dar contorno a uma extensa lista de possibilidades humanas relacionadas aos sentimentos, ao humor, às  ações e ao cotidiano. Mas, passados mais de vinte anos de sua morte, os cortazarianos podem ser surpreendidos com muito mais. A publicação de um livro com a coleção de inéditos e dispersos (mais dispersos do que inéditos)  vai deixar loucos de alegria os que, como eu, apreciam os escritos do autor de “O jogo da Amarelinha”. O livro é a confirmação de que Cortázar continua jogando, mesmo depois de sua morte, com seus leitores, com as casualidades e com a literatura.&lt;br /&gt; Em 2006, como uma canastra mágica, foi aberta uma velha cômoda e, fantasticamente,  de dentro dela saíram milhares de papéis em forma de crônicas, contos, artigos sobre arte, cinema, política e literatura, comentários sobre assuntos do cotidiano do autor, discursos, cartas e outros textos de gênero indefinido, tudo com o humor peculiar do autor. O resultado desse achado “maravilhoso” está no livro “Papéis inesperados” que acaba de sair no Brasil. &lt;br /&gt; Muitos dos textos já publicados estavam perdidos e os inéditos estavam ali sem revisão, como se não houvessem mesmo sido preparados pelo autor para a publicação, o que nos coloca ante àquele velho problema ético: se o autor não quis publicar em vida, seria justo fazê-lo depois de sua morte? Aurora Bernádez, a viúva de Cortázar, resolveu que o conflito é nada diante da riqueza que esse material representa e de sua importância para os leitores e estudiosos do escritor argentino. Os leitores só têm se rejubilado  com a surpresa, afinal, ler Cortázar “inédito” no século XXI é a maior das “trampas” narrativas da vida.&lt;br /&gt; O livro é dividido em 12 partes: Prosas, Histórias, Histórias de Cronópios, Do Livro de Manuel, Momentos,Circunstâncias, Dos amigos, Outros territórios, Fundos de gavetas, Entrevistas diante do espelho e Poemas. &lt;br /&gt; Os textos que estavam dispersos e que já haviam sido publicados têm, ao final, a data e o meio original de publicação, na maioria das vezes jornais e revistas; no caso dos verdadeiros inéditos, está incluído o ano aproximado em que foram escritos. Apesar de muitos textos haverem sido já publicados, não significa que os conheçamos. Alguns deles são praticamente inéditos no sentido de circulação.&lt;br /&gt; “Papéis inesperados” é um imenso álbum de collage, formado por letras distanciadas entre si por décadas. Ali nos deparamos com um Cortázar de vinte anos no “Discurso do dia da Independência”, de 1938, o maduro em “Trânsito” de 1952, e outro muito mais literário, pouco antes de morrer, em “De trufas e topos”, de 1984. É interessante observar o caminhar do autor também por esses textos desconhecidos que dão-nos a sensação de estarmos construindo uma “epistemologia” do próprio Julio. &lt;br /&gt; A divisão feita no livro pretende uma coerência de temas, apesar de ser isso difícil em se tratando de Cortázar, que pode começar um texto falando de Bergman e terminar falando de asma. Particularmente, tive muito prazer em ler seus contos inéditos como a longa narrativa “Os gatos”, que mergulha no universo adolescente para contar minuciosamente uma quase sórdida história de adultério, incesto, descobertas da puberdade e paixão, tudo soterrado em dois ambientes fechados: a casa da cidade e a casa da fazenda. Também o genial “Manuscrito achado perto de uma mão”, que revela toda a capacidade inventiva do autor, toda a sua sagacidade literária, numa impressionante armadilha temática e narrativa. É espantoso que essa preciosidade não haja sido publicada em nenhum de seus livros, só no jornal El País. Também apreciei  as três histórias de Cronópios e as histórias de “um tal Lucas”, uma coleção desordenada muitíssimo interessante e recheada do humor de Cortázar. &lt;br /&gt; Há ainda os textos onde se vê o autor politizado, preocupado com os regimes ditatoriais latinoamericanos. São muitos os textos em que Cortázar fala de Cuba, de Nicarágua, dos movimentos políticos e do papel do escritor nesses assuntos.&lt;br /&gt; O demais é diversificado nos temas, estilo e época que os contextualizam e haveria que se falar de cada um. Resta dizer que em todos esses “Papéis” fica evidente a indiscutível assinatura de Julio Cortázar: os diálogos absurdos, o humor, os jogos, as brincadeiras, a beleza do cotidiano, as idéias simples revestidas de fantasia. &lt;br /&gt; Com esses achados, conhecemos mais do escritor e do homem, seus gostos artísticos, suas recordações de viagens, sua relação com os amigos, suas observações de mundo, seu compromisso político tantas vezes reclamado pela falta. “Papéis inesperados” traz muito mais de um Cortázar cotidiano do que “fantástico”, mas é verdadeiramente uma oportunidade para acercar-se ao escritor que viveu e escreveu como um cronópio. É, ainda que não seja um livro puramente de ficção, uma espécie labiríntica de “Jogo da amarelinha”. Joguemos.&lt;br /&gt;Papéis inesperados/Julio Cortázar/ organizado por Aurora Bernádez e Carles Garriga/Civilização brasileira/ 485p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1019626687846605847?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1019626687846605847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/07/canastra-magica-de-cortazar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1019626687846605847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1019626687846605847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/07/canastra-magica-de-cortazar.html' title='A canastra mágica de Cortázar'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TEeY717GukI/AAAAAAAAAT4/ukMqgXOo0sM/s72-c/cortazar62.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3386328011705697885</id><published>2010-07-16T12:10:00.001-07:00</published><updated>2010-07-16T12:14:11.792-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biografia macondo gabriel garcia literatura cem anos de solidão o amor nos tempos de cólera'/><title type='text'>De Macondo ao mundo: desvendando Gabriel Garcia Marquez</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TECvBZLwmBI/AAAAAAAAATw/E937U6ZYxuA/s1600/gabriel_garcia_marquez_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 307px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TECvBZLwmBI/AAAAAAAAATw/E937U6ZYxuA/s320/gabriel_garcia_marquez_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494583983866943506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “O outono do Patriarca”, “Cem anos de solidão”,  “O amor nos tempos de cólera”. Essas e outras obras foram lidas por todo o mundo e o autor, Gabriel Garcia Marques, expoente do realismo fantástico, é um dos mais conhecidos da Literatura latino-americana, assim como a sua “Macondo”. Agora, curiosamente, não é uma obra do escritor colombiano, ganhador do Nobel, que vem causando rebuliço e sim uma biografia não autorizada, mas, “tolerada” por ele.&lt;br /&gt; O hispanista inglês Gerald Martin, Professor Emérito da Universidade de Pittsburg, é o autor da extensa biografia, resultado de uma pesquisa de quase 20 anos. As fontes entrevistadas, mais de trezentas, vai de ex-amantes até o próprio Gabriel, que chegou a dizer que não se daria ao trabalho de esclarecer nada.&lt;br /&gt; Além de entrevistar o escritor e sua família, Gerald consultou muitas obras, documentos, cartas, artigos, conversou com estudiosos da obra do colombiano e mergulhou na biografia que o próprio Gabriel escreveu há alguns anos para contestar a veracidade das informações ali colocadas. &lt;br /&gt; A biografia levanta outra vez a discussão do limite entre realidade e invenção, que, na literatura, o termo ficção parece ter mais razão de ser. As informações e fatos colhidos, de qualquer maneira, dependem da interpretação de quem escreve para fazer sentido. Está aí a resposta: essa biografia não seria mais ou menos verdadeira do que a de Garcia Marquez, embora, obviamente, o que a invalidaria seriam as distorções que pudessem haver. &lt;br /&gt; Não parece ser o caso, embora haja ali um apelo de impor uma leitura frente aos buracos da vida do Gabo, aliás, do início ao fim do livro, é assim que Gabriel é tratado por Gerald: Gabo. &lt;br /&gt; Apesar dos muitos dados, a leitura flui. As páginas mais complicadas são as que correspondem às origens familiares, uma saga emaranhada cujas raízes estão no povoado de Aracataca, e cujas origens Martin rastreou, basicamente, através de relatos orais dos descendentes. Ao mesmo tempo, o autor vai traçando a história de uma Colômbia diversa e complexa, e depois de “ o bogotazo”, violenta.&lt;br /&gt; A infância de Gabriel, onde se mantém uma certa obscuridade, foi difícil. A mãe, que “abandonou” o filho - criado pelos avós maternos até os 7 anos - logra recuperar um espaço de aproximação na adolescência do primogênito, mas o pai é sempre um homem distante.&lt;br /&gt; As mudanças constantes de ambientes, acompanhando o movimento da família e de Garcia Marquez, torna dinâmica a narrativa, que deixa entrever a fixação de certos mitos que foram parar nas obras de Gabriel, sobretudo, em “O outono do patriarca”, onde fatos de sua vida mais aparecem. &lt;br /&gt; O jovem Gabriel é descrito como um rapaz mulherengo, boêmio, embora apaixonado pela leitura, pela escrita. O casamento com Mercedes - cujo primeiro encontro, quando esta tinha nove anos e Gabriel 14, fica escondido na obra- causa uma transformação radical no escritor que passou inúmeras dificuldades econômicas - de não ter o que comer e ter, por exemplo, de penhorar a máquina de escrever que ganhou da mãe ou dividir o pão das prostitutas – até chegar à Universidade e iniciar as primeiras poesias, começar a carreira de jornalista em Cartagena. Tudo o que pode, Martin documenta nestes relatos minuciosos. &lt;br /&gt; Há também a relação de Gabriel com Tachia, a atriz que conheceu em 1953, em Paris, cujo caso termina em aborto. Antes de Paris, aparece a figura de Ramon Vinyes, o escritor que é personagem em “Cem anos de solidão”. Entre bebidas, farras e bordéis, Gabriel descobre Joyce, Faulkner, Kafka e ainda o folclore colombiano. Gabo interessa-se pelo cinema italiano, o marxismo, a política, e vai, aos poucos, se transformando em um homem atento ao mundo. Inclusive, esse é um dos méritos da biografia: analisar as etapas sucessivas na vida do autor.&lt;br /&gt; No México, o encontro com Carlos Fuentes o deixa inseguro, pois achava o amigo mais inteligente do que ele. E no DF Gabriel leva um “soco” de Vargas Llosa, segundo o que foi “investigado” pelo autor de “Uma vida”, por ciúmes da mulher de Mário.&lt;br /&gt; As primeiras partes do livro são sobre o período antes da fama; da escrita dos seus livros primeiros; depois do sucesso, as análise sobre o posicionamento político e o ativismo tornam mais objetiva a escrita e com menos novidade. Mas está ali a amizade com Fidel Castro, Omar Torrijos, Felipe González, sua ida a Cuba para fundar a Escola de Cinema, suas preocupações com a guerrilha colombiana. A biografia – que vai da infância até os últimos anos -  aborda desde a busca pelo poder, pelo qual Gabriel se sentiu sempre atraído, até o reencontro com o pai, muitos anos depois do sucesso e, por fim, um último encontro de GGM com Martin, o autor da biografia “tolerada”.&lt;br /&gt;Gabriel Garcia Marquez: uma vida/Gerald Martin/trad. Cordelia Magalhães/ Ediouro/814 P.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2 do Jornal A tarde em 11/07/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3386328011705697885?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3386328011705697885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/07/de-macondo-ao-mundo-desvendando-gabriel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3386328011705697885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3386328011705697885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/07/de-macondo-ao-mundo-desvendando-gabriel.html' title='De Macondo ao mundo: desvendando Gabriel Garcia Marquez'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TECvBZLwmBI/AAAAAAAAATw/E937U6ZYxuA/s72-c/gabriel_garcia_marquez_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1852286922597717368</id><published>2010-06-12T06:53:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T17:43:28.457-07:00</updated><title type='text'>Drummond: livro, pedra e poesia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TBORq39p4gI/AAAAAAAAATo/6QFyxaadUSM/s1600/Carlos_Drummond_de_Andrade.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TBORq39p4gI/AAAAAAAAATo/6QFyxaadUSM/s320/Carlos_Drummond_de_Andrade.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5481885337203106306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal A tarde 12/06/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta faz a sua mala/põe camisas punhos loções/um exemplar da “imitação”/e parte para outros rumos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como  “Fuga”, poema de Carlos Drummond de Andrade, “Alguma poesia - o livro em seu tempo” é aquela pedra da qual somos herdeiros: se no meio do caminho tinha (uma pedra), no nosso caminho tem (Drummond). Não adianta correr do Modernismo. Há ainda potencialidade em Drummond, na “pedra”, na “fuga”, e em “Alguma poesia”.&lt;br /&gt;O poeta Eucanaã Ferraz é organizador desse livro especial. Em um belo tomo, reuniu fotos, cartas, manuscritos, datiloscritos e um fac-símile da primeira edição do primeiro livro de Carlos Drummond de Andrade: “Alguma poesia”. E, no tomo fac-similado, observamos as alterações que o poeta fez à tinta e que foram incorporadas às edições posteriores. O  livro é cheio de surpresas como essa e, como o próprio organizador chama a atenção, é uma jóia para aqueles que são estudiosos da obra do grande poeta modernista e um presente para os que gostam de poesia, de livros, de história, de fotos, de memória, de papel. &lt;br /&gt;O volume foi organizado em três partes: a primeira é uma apresentação, escrita pelo próprio Eucanaã, que traz a história do livro “Alguma poesia” de maneira interessante: localiza Drummond na cena modernista mineira partindo, principalmente, do diálogo deste com Mário de Andrade. As informações são dadas a partir das cartas de Mário a Drummond e a Bandeira, e as respostas de Drummond, assim como informações de livros, artigos, acontecimentos. Tudo devidamente documentado e explicado “textualmente” em notas de rodapé. O que ali interessa é a “biografia” daquele livro, então, o leitor pode ver como nasceu alguns dos poemas, quais foram incompreendidos, massacrados, adorados, reescritos, aceitos. O leitor acompanha mesmo o nascimento de uma obra desde a sua idealização até a sua edição. E ainda recupera a discussão dos modernistas, a força de Rio e São Paulo em relação aos demais grupos modernistas, a opinião de Mário sobre os poemas, alguns dizendo gostar e outros dizendo achar ridículos, ingênuos, mas reconhecendo o valor e pedindo ao jovem poeta que “por favor” publique a obra ainda que tenha de pagar do próprio bolso pela publicação.&lt;br /&gt;A segunda parte é o fac-símile. Que gostosura: podemos ler os poemas em sua grafia original, gozar do amarelo das folhas, testemunhar as interferências e correções feitas por Drummond, saber como foi a diagramação da primeira edição, “forjar” uma fuga ao contrário: é no tempo do poeta que entramos, vindos do pós- moderno, procurando o lugar do “stop/a vida parou/ou foi o automóvel?”. &lt;br /&gt;Na última parte se tem a fortuna crítica da obra, e as cartas de agradecimento enviadas por críticos, amigos, escritores, conhecidos e anônimos que receberam o livro. As resenhas e artigos vão dar notícias das críticas negativas e elogiosas ao livro. &lt;br /&gt;Assim como “Alguma poesia” reúne alguns dos poemas mais significativos de Carlos Drummond de Andrade, “Alguma poesia- o livro em seu tempo”  traz algumas das mais importantes relações: a do poeta com a sua obra, e com o seu tempo. Na feitura do livro, acompanhando cada um dos aspectos - do intelecto-artístico ao filológico -, tem-se a magnífica “ciência” do livro, encantando e desencantando a palavra do poeta. Uma bela homenagem ao poeta, ao livro e à poesia, fruto da união do grupo Moreira Salles, Casa de Rui Barbosa e da família de Drummond, sob o olhar de outro poeta. Depois de “possuir” esse livro, não nos contemos: - Vem, Carlos, ser gauche conosco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1852286922597717368?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1852286922597717368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/06/drummond-livro-pedra-e-poesia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1852286922597717368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1852286922597717368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/06/drummond-livro-pedra-e-poesia.html' title='Drummond: livro, pedra e poesia'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TBORq39p4gI/AAAAAAAAATo/6QFyxaadUSM/s72-c/Carlos_Drummond_de_Andrade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1909681718149157288</id><published>2010-06-12T06:22:00.000-07:00</published><updated>2010-06-14T12:39:53.303-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='século xix'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritoras blog twitter cartas editora p55'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bahia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eliana mara chiossi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contemporanea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritoras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='karina rabinovitz'/><title type='text'>“Elas” sem pseudônimos, mas com blogs, ‘cartas’ e twitter: escritoras da Bahia contemporânea</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TBOPL8E1MBI/AAAAAAAAATg/gLxUVO6xwq0/s1600/detail_mari.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 207px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TBOPL8E1MBI/AAAAAAAAATg/gLxUVO6xwq0/s320/detail_mari.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5481882606707748882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagem da artista visual Mari Fiorelli - www.ociumeilustrado.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado em A tarde 12/06/2010&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu não acho, definitivamente, que a Literatura deva ser classificada, mas, com o mínimo de olhar crítico, é impossível não se aperceber da diferença que houve no tratamento e no acesso de mulheres, e outras minorias, às publicações literárias.&lt;br /&gt; A arte literária é complexa como produto, envolve criação, publicação, circulação e recepção. Enquanto as mulheres, até o século XIX, lançavam mão de tudo quanto fosse estratégia para chegar aos leitores, uso de pseudônimos masculinos, casamentos convenientes com escritores ou com Jesus (as que souberam bem articular desde a Igreja, como Sor Juana e Amélia Rodrigues ) e outros trágicos e cômicos artifícios, as de hoje escrevem em blogs, twitters, sites; postam, mandam “cartas” para o público e experimentam, inclusive, processos ‘novos’ de criação, frutos dos avanços da tecnologia: as intertextualidades, as linguagens híbridas, a sobreposição de texturas literárias. &lt;br /&gt; As cartas, como as da coleção “Cartas baianas”, da editora P55, são mandadas com carinho e com sucesso: a edição, despretensiosa, é cuidada dentro de um projeto gráfico simples e, ao mesmo tempo, atraente, com o visual jovem que nos dá vontade de mexer de forma fetichista quase. E não custa muito, ainda que o preço corresponda ao tamanho e à bem bolada – não sei se consciente- forma de pegar o público: alguns dos textos chegam ao final e o leitor tem vontade de mais, certamente dispostos a consumir o segundo tomo se houve/r/sse. &lt;br /&gt;As remetentes das “Cartas” são diversas em seus estilos e linguagens: Kátia Borges, Allex Leilla, Karina Rabinovitz, Adelice Souza, Renata Belmonte, para citar algumas. &lt;br /&gt;A poesia das “Ks”,  Kátia e Karina, são distintas: Rabinovitz  trabalha mais com composições visuais,embora  haja também poesias cuja musicalidade é explorada, não só pelos jogos com as palavras, mas com o próprio ritmo e recursos sensoriais. Muitos de seus versos são imagens, arranjos gráficos, poemas-coisas, os quais invadem também a cidade como instalações poéticas, numa agradável e possível mistura de artes visuais com texto poético. Basta pensar nas caixinhas com poesia dos pontos de ônibus, as pinturas de versos nos muros da cidade, o lambe-lambe poesia, os balões que escondem versos e outras poéticas instalações. Chama-me a atenção a sua coragem em explorar a poesia dessa maneira, e a visível ausência de hierarquia entre as variadas formas de expressão artística.&lt;br /&gt;Kátia Borges mergulha na palavra e a explora como parte de uma tessitura firmemente marcada pelo sentimento que vem da experiência, mesmo que seja da experiência da memória. Em sua poesia, a memória de uma geração – que não corresponde temporariamente ao seu tempo de produção, mas que sem dúvidas foram suas referências -  vai surgindo não apenas pelas pistas literárias e culturais que faz emergir, de John Fante a Janis Joplin, mas também pelo acercamento a uma poesia que revela o lugar do poeta e, com isso, seu envolvimento com o seu tempo, com a própria literatura e o desvendamento do sujeito que faz da poesia a sua morada. &lt;br /&gt;As “As” da coleção, Allex Leilla e Adelice Souza,  trazem temas  fortes em suas produções e ambas trabalham bastante com o desejo; são diferentes, ainda que com semelhanças que as trazem ao lugar de onde escrevem:   o presente. Allex Leilla ‘compõe ‘ ficção com poesia. A escrita madura, bem fincada na liberdade que se dá em termos de experimentos de linguagem e exploração minuciosa do corpo como parte dos textos, numa muito interessante relação de carne-palavra, faz mergulhos pelo submerso do sujeito, da palavra, mas não foge dos encontros com suas influências literárias, seus gostos musicais e poéticos. O seu texto traz referências, citações e recuperações de versos entram na sua obra num bem balanceado diálogo e vai além: acaba fazendo parte de seu texto de maneira natural, sem, contudo, perderem o sentido primeiro. &lt;br /&gt;Adelice brinca seriamente com o “teatro das palavras” explora a dramaturgia latente nas histórias de vida das personagens; como as demais, “intertextualiza” em sua escrita de forma peculiar e experimenta entrar na intimidade das personagens sem pudores, revelando-as e desmacarando as suas dores e o seu riso num texto forte.&lt;br /&gt;Renata  Belmonte, com a sua Sta. B., explora a relação autor-personagem, joga com essa relação e vai percorrer o caminho que as personagens percorrem. Não carrega pesos e a escrita vai solta, pontuando pelo caminho as observações da vida, a intimidade com o presente dentro e fora da obra, e a ‘farsa’ que limita realidade e ficção.&lt;br /&gt;Dos blogs há outras, além das que foram publicadas pela coleção “Cartas baianas’, como  Eliana Mara Chiossi, que reuniu as suas ‘postagens-escritos’ no livro “Fábulas delicadas”, da editora Escrituras. Eliana, entre todas as escritoras dessa geração, é a que mais  assume uma feminilidade como parte de sua obra, explorando, nos textos, esses lugares do feminino na contemporaneidade, externamente falando, e também na intimidade de certas experiências como a maternidade, a fantasia, o desejo, o papel de filha, de mãe; recupera  metonímias e metáforas levadas por palavras que muitas escritoras rejeitam pelo estigmatizado que ficou o vocabulário dito “feminino”: jardins, flores, cores, deus, divagações. A sua escrita, nesse primeiro livro que saiu de seu blog, promete percurso e a escritora se mostra com coragem. &lt;br /&gt;   Ana Paula Fanon, poeta, produtora cultural, fotógrafa e jornalista, que mantém o blog literatura subversiva, não privilegia a sua poesia frente ao texto jornalístico: em seu blog há tudo em igual destaque. É uma blogueira-poeta que usa a paixão e a liberdade para variar nos temas e formas de sua poesia.&lt;br /&gt; Elas, as baianas, sem “nicknames”, pudores, ou restrições, vão traçando um percurso abrangente de temas e experimentações, usando ao seu favor os novos meios de divulgação, mas não se limitando a isso; utilizam os próprios meios para experimentar na linguagem, revelar outras facetas, trocar experiência, expor poesia como instalação, publicar o que gostam e lêem. E as que mandam ‘cartas’, mandam-nas seus nomes, dando ao momento a certeza de que elas assinam. Os nomes e, sobretudo, as obras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1909681718149157288?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1909681718149157288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/06/elas-sem-pseudonimos-mas-com-blogs.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1909681718149157288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1909681718149157288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/06/elas-sem-pseudonimos-mas-com-blogs.html' title='“Elas” sem pseudônimos, mas com blogs, ‘cartas’ e twitter: escritoras da Bahia contemporânea'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TBOPL8E1MBI/AAAAAAAAATg/gLxUVO6xwq0/s72-c/detail_mari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-4512941985157341332</id><published>2010-05-29T19:13:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T19:16:48.680-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carola saavedra paisagem com dromedário literatura construção simbólica arte triângulo amoroso morte estética instalação'/><title type='text'>Ruídos literários</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TAHKgLrdP5I/AAAAAAAAATQ/mIfm_zh0-TI/s1600/carolasaavedra.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 188px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TAHKgLrdP5I/AAAAAAAAATQ/mIfm_zh0-TI/s320/carolasaavedra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476881276098920338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no A tarde 29/05/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto lia “Paisagem com dromedário”,  de Carola Saavedra, não pude evitar de pensar nas construções simbólicas que levam uma literatura a ser de determinado local: brasileira, francesa, cubana...  a paisagem, a língua, os temas, as marcas culturais, a origem do autor: sempre se busca alguma essencialidade que nos conecte diretamente ao lugar. Mas a literatura brasileira contemporânea vem apontando bem numa variada universalidade que interessa por muitas razões, afinal, temos uma forte tradição da “cor local” que, do Romantismo ao Modernismo, nos rendeu desde o nosso imaginário brasileiro até a antropofágica relação com o que de fora nos vinha .&lt;br /&gt;Aos 36 anos, a jovem autora Saavedra vai marcar muito bem esse aspecto universal em seu novo romance. Para começar, a autora é uma chilena que veio para o Brasil aos três anos. E, a partir dessa informação, marcada na orelha do livro, seguimos pelo “espaço” da narrativa do romance: uma ilha. Mas nunca sabemos em que ilha a personagem-narradora se encontra. Apenas que é uma ilha vulcânica, com um mar selvagem e alguns poucos turistas. Uma certa vida local com variadas “figuras”: uma marchand e seu marido, um médico, uma cozinheira, sua cunhada. As demais personagens, um artista e uma jovem estudante de arte, são imagens recuperadas na memória da narradora Érika, que vai “montar” e “desmontar” um triângulo amoroso rodeado de reflexões em torno da arte, do artista, do propósito da criação, e da existência. &lt;br /&gt;A ilha pode estar em qualquer lugar do mundo e em lugar algum. O que faz o espaço ser apenas o “modo” de que seja possível a história narrada por Érika, que, na verdade, narra em um gravador as cartas para Alex, famoso artista conceitual com quem teve uma relação profunda. Com técnicas descritivas e rítmicas próximas do Rádio e do Cinema, a autora deixa que o leitor experimente muito daquela história cheia de ruídos e interrupções, ainda que a condução dada pela “narradora” seja controlada o tempo todo, evitando que o leitor escape da história e seja apenas parte de um “happening”.&lt;br /&gt;Todo o tempo, a narradora, enquanto tenta entender a reação de desprezo que manteve com a sua amiga íntima Karen, quando soube que esta tinha câncer, vai insinuar que a obra é uma instalação. Ao relatar para Alex os seus dias naquela ilha, a sua relação amorosa com o veterinário, as conversas com Pilar, a relação estranha com o casal de marchands, Érika também narra a construção de uma instalação literária. É tudo uma farsa e ao mesmo tempo é concreto o que se tem ali: os ruídos dos transeuntes, os barulhos de uma natureza selvagem e forte, a música e a interferência de uma rádio, os passos de alguém, choro, vozes, enfim, ruídos que vão compor os experimentos estéticos das personagens artistas.&lt;br /&gt;Enquanto a história assume as interrupções como parte de sua estrutura, o leitor vai decifrar também as estórias cruzadas, o lugar que não sabemos, os costumes novos que se apresentam ali e que reconhecemos que não são nossos, mas que são igualmente locais, prosaicos, desses que nos encantam descobrir em viagens: Pilar, a cozinheira da casa onde Érika está hospedada, visita com sua cunhada o cemitério, leva a comida preferida do morto, aguardente, fotos, velas, flores para celebrá-lo: um costume forte em países como o México e a Guatemala.&lt;br /&gt;Assim, evitando a superficialidade de uma paisagem de “viagem”, Saavedra constrói uma narrativa interessante, história com tragédias amorosas, buscas pela originalidade da arte, a tentativa de entender-se e retomar a própria identidade, objetivo da narradora, que se diz “dominada” pelo carisma e pelo talento de seu parceiro no amor e na criação artística. Rompendo os limites da literatura com criatividade, Carola mantém a tensão dos fatos, a angústia e a solidão de uma jovem que se procura, se persegue e se enfrenta. E em qualquer lugar. &lt;br /&gt;Essa literatura brasileira sem “cor local” se faz muito interessante para seguir as provocações da própria narradora em torno da arte, definida como “aquilo diferente que está em quem vê e não no objeto ou no contexto”. Fora de qualquer paisagem brasileira, em cima de um dromedário, seguimos tão certos de nosso lugar que nos reconhecemos nas dinâmicas e nas paisagens inóspitas que se apresentam ali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paisagem com dromedário/Carola Saavedra/ Cia das letras/167 p./38 reais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-4512941985157341332?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/4512941985157341332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/ruidos-literarios.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4512941985157341332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/4512941985157341332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/ruidos-literarios.html' title='Ruídos literários'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/TAHKgLrdP5I/AAAAAAAAATQ/mIfm_zh0-TI/s72-c/carolasaavedra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-8337600342153454445</id><published>2010-05-17T10:39:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T10:45:05.322-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juan rulfo méxico literatura cães pedro páramo planície em chamas perros ladrar vidas secas'/><title type='text'>Murmúrios, latidos, caminhos e deserto na obra de Juan Rulfo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S_F_r96Q3vI/AAAAAAAAATI/5LP743jSneU/s1600/juanrulfo01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 298px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S_F_r96Q3vI/AAAAAAAAATI/5LP743jSneU/s320/juanrulfo01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472295415561903858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Assim nos deram esta terra. E nesta chapa quente querem que semeemos as sementes de algo, para ver se algo brota daqui. Nem urubus.” (A terra que nos deram, Juan Rulfo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho de Juan Rulfo é longo; é intercalado de espaços vastos e plenos ainda que aparentemente recortados. A sua escrita, ainda que pequena em quantidade, é superlativa em qualidade e, sobretudo, em seu efeito visceral. Por “Pedro Páramo” e “A Planície em Chamas” somos todos marcados: a desolação como que nos “atrapa” naquelas paisagens internas e externas onde vida e morte se confundem e deixam algo de incômodo. &lt;br /&gt;O México, por trás de suas cores e suas pirâmides astecas e maias, ardia em desigualdades, revoluções, gritos e violência contra os “campesinos” – hoje não é tão diferente -,  então, era preciso mergulhar na falta de sentido dos homens e desnudá-los em natureza, desejos, medos e sonhos. Era preciso prender o homem na paisagem desértica de seu próprio temor, de sua própria ilusão e, o mais fantástico: prendê-lo em sua inviolável “realidad”.&lt;br /&gt;Em espaços íntimos, Rulfo  se moveu tão silenciosamente a ponto de que, ao ouvirmos as vozes vindas de “Pedro Páramo”, seguimos também um caminho em círculos, inconcluso - mas extenso- em direção às profundas terras, aquelas despovoadas,  mas cheia de existência silenciosa que grita. E os gritos de dentro e de fora nos chegam de maneiras diversas, ouvindo  o ladrar dos cães enquanto se atravessa o deserto sem fim para achar socorro ou sentindo o que há por trás da simples constatação em um conto sobre mais uma dessas regiões castigadas por toda sorte de infortúnios: “É que somos muito pobres”.&lt;br /&gt;Esse andarilho não se contentou na impressão de suas pisadas nas paisagens mexicanas, quando de uma ponta a outra do país se movia para colher dados para o seu trabalho na agência de imigração do governo: levou o seu trajeto, ou seja, o México interior, para a escrita, mas de forma maravilhosa em seu sentido literário e lingüístico, conseguindo, assim, evitar e suplantar a leitura social imediata e passível de vícios. Unindo o misterioso e o real, Rulfo consegue que, em sua literatura, se revelem as duas mais destacadas capacidades da arte: imitar a vida e suscitar a fantasia. E, no caso desse escritor mexicano, a fantasia e a realidade estão no mesmo plano e obedecem ao mesmo impulso: compreender de maneira íntima o espaço que os homens habitam, seja esse  físico ou psicológico. Seja o chão para caminhar ou o caminho sem estradas.&lt;br /&gt; Isso quer dizer um encontro com tudo: a terra, as tradições, as experiências vivenciadas, o ritmo das conversas, o universo subjetivo de onde se escapam os pensamentos; a capacidade de que uma gota de chuva seja descrita numa terra de calor infernal sem que jamais tenha caído, o que não impede que Rulfo nos toque com o efeito dessa gota tal qual nos toca a frase repetida pelo filho mais velho de Fabiano ao receber da mãe a definição de inferno  em  “Vidas secas”: “Inferno, espeto quente, espeto quente...”&lt;br /&gt;Os textos de Rulfo evitam o determinismo, a explicação simplificada das razões pelas quais os homens se intrometem na natureza a tal ponto de confundirem-se com ela. A miséria, a pobreza, a solidão e o vazio estão vertidos de força que ultrapassa o plano real, e no simbólico se revelam mais. Assim, pode-se perceber a força política de seus textos e jamais esgotar ali a possibilidade de compreensão e revisão da realidade. As terras sem lei, a presença do sagrado,  a explicação fantástica, quase surreal, das coisas e a vontade de existir para dominar a terra e vencer as adversidades, do espírito ou do corpo, ou a injustiça dos fortes contra os fracos, fazem com que todas as experiências dos contos de Juan Rulfo sejam possibilidades únicas de se entender esse sujeito que foi escolhido para ficar de fora de qualquer coisa acolhedora; ao contrário, a ele sendo dado ocupar os espaços adversos e percorrer sem fim por um caminho por justiça, por liberdade ou por ajuda.&lt;br /&gt; Transformar a paisagem de seu país em algo interior, impalpável e, ao mesmo tempo, tão vivo e perceptível, é um dos aspectos mais interessantes da obra de Rulfo. O universal de sua obra se encontra justamente ali; todo homem faz aquela viagem, todo mundo com seu deserto, sua planície devastada. Assim que quando vi o curta “Cães”, de Moacir Gramacho e Kibe Adler, inspirado no conto “No oye ladrar los perros”, senti-me tanto aqui, no sertão de Graciliano, quanto lá, terra mexicana que Rulfo me ensinou a chegar escutando vozes, gritos, latidos e murmúrios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;publicado no A tarde 15/05/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-8337600342153454445?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/8337600342153454445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/murmurios-latidos-caminhos-e-deserto-na.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/8337600342153454445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/8337600342153454445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/murmurios-latidos-caminhos-e-deserto-na.html' title='Murmúrios, latidos, caminhos e deserto na obra de Juan Rulfo'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S_F_r96Q3vI/AAAAAAAAATI/5LP743jSneU/s72-c/juanrulfo01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2324587283283656358</id><published>2010-05-08T04:29:00.000-07:00</published><updated>2010-05-08T04:47:00.101-07:00</updated><title type='text'>Jogos, seqüestros e memória no romance de William Kennedy</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S-VPKrBXCHI/AAAAAAAAATA/HXygIRlsitA/s1600/kennedy_gde.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 219px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S-VPKrBXCHI/AAAAAAAAATA/HXygIRlsitA/s320/kennedy_gde.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468864367277049970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance “O grande jogo de Billy Phelan” é um desses achados literários que nos faz, de algum modo, sortudos e marcados tal e qual um grande jogador de pôquer. O livro faz parte da trilogia conhecida como o “ciclo de Albany”, do escritor americano William Kennedy.  Albany, cenário da trilogia, é uma cidade do Estado de New York de onde o autor é originário. &lt;br /&gt; Usando muito bem os elementos de um romance Noir, Kennedy explora o ambiente obscuro, sinistro da pós Depressão norte-americana, mas vai além dos aspectos relativos ao gênero. A narrativa foi escrita em 1978 e é ambientada no passado, aliás, passados, já que várias narrativas surgem de épocas distintas para conferir ao protagonista um lugar de destaque nessa saga familiar.&lt;br /&gt; Billy Phelan é o jogador espetacular, “sortudo” e honesto, dividido entre o mundo underground dos cassinos, botecos, prostíbulos, crimes, e o cenário familiar. Um jovem carismático, querido, que se torna uma espécie de mito quando vence uma partida de boliche com 299 pontos, tendo deixado apenas 1 ponto se perder. &lt;br /&gt;Dessa noite emblemática Billy não mais escapa, e acaba sendo envolvido por uma das famílias mais poderosas da cidade num seqüestro que o deixa dividido entre sua honestidade tão admirada por todos- bandidos e poderosos- e a traição a um amigo provavelmente envolvido no crime. Preferindo ser leal aos seus princípios, vai ser alijado da convivência com amigos, dos bares, de todos os locais que freqüentava, como punição por ter enfrentado o poder dos McCall, família que controla política e financeiramente a cidade.&lt;br /&gt; O romance traz intrigas e paixões envolvendo famílias: poderosas, operárias, católicas ou judias. Aliás, a família para William Kennedy é concebida como o modo de vida que vincula estreitamente os valores morais com o indivíduo. É um núcleo social forte, que se enaltece como uma necessidade mais do que um dever.&lt;br /&gt; Assim, os Phelan – família de Billy - os Daugherty – família do jornalista Martin (que se responsabiliza por “interpretar” Billy em sua própria peregrinação pela cidade) - são membros de uma comunidade à qual também pertence o autor: a proximidade o envolve – e a nós também – e o leva a comungar com um ambiente saturado de lembranças que sustentam cada passo, cada ato. Fachadas, ruas, móveis, gestos, tudo ilumina a história: em Albany não há espaço para o esquecimento. Todos somos levados a desenterrar o passado do lugar.&lt;br /&gt; Billy, o grande jogador, carrega em seu íntimo a falta do pai que se jogou no mundo e que traz dois grandes pecados: matou com uma pedra um operário que furou uma greve e, por acidente, deixou cair seu filho bebê, que morreu instantaneamente. Desse último “crime”, Billy nunca soube e amarga o peso de ter sido abandonado, aparentemente sem razão, pelo pai. &lt;br /&gt; Mas o pai de Billy volta, depois de 22 anos, e encara o filho desde seu lugar de fracassado, de morto-vivo, de miserável, e aviva outra vez mais o passado da cidade, que não é só de Billy, mas de todos os moradores. Francis, o pai de Billy, também pertence à cidade e seus segredos. Compartilhando da tradição européia da construção de sagas, as quais são pouco exploradas na América Latina, Kennedy, depois de William Faulkner, ergue-se como um mestre nas sagas familiares e consegue deslocar o pessimismo pegando uma tradição profundamente humana, sem desconhecer a cotidianidade do mito, e levando-a ao trânsito da universalidade. É tudo história de família.&lt;br /&gt; As dívidas de jogo e de bebida são metáforas, o que está em jogo são as dívidas da alma. As relações entre pai e filho são o esteio das dúvidas, dos mistérios, das traições. Há sacrifícios e cartas na manga, e não há como não se emocionar diante da verdade: as nossas fraquezas são humanas e onde há dor, certamente há amor e necessidade de perdão...&lt;br /&gt; Para o leitor, então, descobrir que Martin se apaixonou pela amante do pai, que o pai de Billy causou a morte de seu filho, que outro pai manda matar quem se coloca na frente do seu rapaz, é apenas descobrir uma porção de si mesmo no expiar de qualquer passado. O que tem de mais encantador aí é que tudo é um grande jogo de William Kennedy com o leitor. Um jogo denso - onde herói e anti-herói equivalem ao mesmo - mas um jogo limpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande jogo de Billy Phelan/ Cosac Naify/ William Kennedy/ trad. Sergio Flaksman/344 p./ 55 reais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2324587283283656358?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2324587283283656358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/jogos-sequestros-e-memoria-no-romance.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2324587283283656358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2324587283283656358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/jogos-sequestros-e-memoria-no-romance.html' title='Jogos, seqüestros e memória no romance de William Kennedy'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S-VPKrBXCHI/AAAAAAAAATA/HXygIRlsitA/s72-c/kennedy_gde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-456424402647979267</id><published>2010-05-01T12:04:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T12:12:44.013-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='freud'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='anna freud'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicanálise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='john forrester'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autoras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='misoginia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nietzsche'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divã'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lisa appignanesi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contemporâneo'/><title type='text'>Mulheres na psicanálise e no divã; Freud no banco dos réus</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9x8SfuSscI/AAAAAAAAAS4/P7Yx2oP4EcY/s1600/anna.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 238px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9x8SfuSscI/AAAAAAAAAS4/P7Yx2oP4EcY/s320/anna.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466380704916091330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil que alguma mulher não tenha, em algum momento, chocado-se  diante das colocações de Freud, afinal, “inveja do pênis” é tão grotesca colocação que defensor algum de Freud conseguiu amenizar a sua “culpa”, e, ainda que as interpretações contemporâneas considerem o contexto em que foram interpretadas as perigosas – e perversas-   afirmações, a memória do pensamento ocidental está contaminada por esses “mitos” e as mulheres serão sempre as mais atingidas. Até a liberdade sexual da mulher conseguiram atribuir a Freud. &lt;br /&gt;Mas é fato que o século XX foi marcado pela psicanálise. Na linguagem, o “inconsciente”, o “ato falho”, “complexo de Édipo”, e outras tantas formas de se falar dos mistérios do comportamento do  sujeito estão aí. E Freud também conseguiu, ainda que questionemos, “pousar” (porque penetrar, no consciente uso da palavra que aqui faço, não caberia) na intimidade das mulheres. &lt;br /&gt; É partindo justamente da atuação de Freud no seio dessa “intimidade” que Lisa Appignanesi  e John Forrester, em “As mulheres de Freud”, se detêm  sobre o papel das mulheres no nascimento da psicanálise. A dupla explora as leituras de, e sobre, Freud, documentos, cartas, fotografias,  etc., para construir  uma rede em que se possa analisar as acusações de misoginia e de patriarca conservador que via como principal função das mulheres “servir à reprodução da espécie”  atribuídas ao pai da psicanálise. Vão, segundo os próprios, dissecar “o caso de amor” que Freud teve com as mulheres para que o feminismo contemporâneo possa, de forma mais completa e complexa, fazer as suas reflexões. &lt;br /&gt;As duas primeiras partes do livro é escrita por Forrester, historiador que se detém sobre as imagens femininas utilizadas nas interpretações dadas por Freud  e nos impasses gerados por estas. O autor analisa momentos-chaves da teoria freudiana a partir do lugar que o feminino ocupa na obra e na vida de Freud. Os capítulos abordam o tema da maternidade, o complexo de Édipo, analisa a relação de Freud com a família, com a mãe, o ciúme doentio e possessivo da esposa, e, mais tarde, a relação diferenciada com a filha Anna Freud, a “Antígona”,  caçula de três irmãs.&lt;br /&gt;John reconstrói a trajetória de Freud desde criança e preenche os espaços que faltam com observações e inferências que não soam gratuitas. Os capítulos são bem pensados, acessíveis e coerentes. Ao final de cada capítulo de todo o livro há a lista das notas bibliográficas citadas e é interessante ver como a construção dessa “história ficcional” é guiada, principalmente, pelos momentos de tensão ao redor de Freud, sejam esses em sua própria vida ou na repercussão de seu trabalho.&lt;br /&gt;No segundo momento  do livro,  Lisa Appignaneri   vai tratar das mulheres mais importantes na história de Freud, mas o mais interessante é que a autora recupera o lugar dessas mulheres, diferentemente do trato sobre o “feminino” dado por John Forrester,  oferecendo a elas uma autonomia e a possibilidade de figurarem como sujeitos de suas próprias histórias – como “analistas” ou como “pacientes”. &lt;br /&gt;Appignaneri  investiga diversas fontes, tal como John, mas se mostra interessada  no que essas mulheres  geraram como “autoras” na relação que tiveram com Freud e, consequentemente, com a psicanálise. Assim, Anna Freud, a filha, a escritora Lou Andreas-Salomé, que se relacionou com Nietzsche e Rilke, a socialista feminista  Helene Deutetsche,  a princesa Marie Bonaparte – presente no cenário que levou à expulsão de Lacan do movimento  psicanalítico francês- , vão ser “escritas” a partir da combinação de suas biografias com o que se sabe de seus pensamentos e atuações, sem que seja deixado de lado o principal: as relações  das mesmas com Freud no e fora do divã. &lt;br /&gt;O resultado do livro, o qual eu vejo como mais um produto da “cultura freudiana”, é um espaço mais interessante para se questionar o papel da mulher na psicanálise, plantando-se a dúvida em torno do futuro das práticas psicanalíticas e na própria relação da mulher com o que sobrou daquilo pensado por Freud para elas. Há uma crítica a adesão ingênua às colocações freudianas e um olhar mais sóbrio sobre a repercussão do encontro de Freud com as várias mulheres que passaram por sua vida. &lt;br /&gt;As mulheres de Freud/ Lisa Appignanesi e John Forrester/ Trad. Nana de Castro e Sofia Silva/Record/728 p/ 89,90.&lt;br /&gt;Publicado no A tarde, caderno 2+, 01/05/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-456424402647979267?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/456424402647979267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/mulheres-na-psicanalise-e-no-diva-freud.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/456424402647979267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/456424402647979267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/05/mulheres-na-psicanalise-e-no-diva-freud.html' title='Mulheres na psicanálise e no divã; Freud no banco dos réus'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9x8SfuSscI/AAAAAAAAAS4/P7Yx2oP4EcY/s72-c/anna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2373533418798079194</id><published>2010-04-29T04:17:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T04:22:45.462-07:00</updated><title type='text'>Lançamento do livro de Karina Rabinovitz</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9lrvaOrkaI/AAAAAAAAASw/UE4Iu-_JeSg/s1600/convite_maio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 282px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9lrvaOrkaI/AAAAAAAAASw/UE4Iu-_JeSg/s400/convite_maio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465518085029728674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todos convidados para esse lançamento para lá de especial...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2373533418798079194?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2373533418798079194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/lancamento-do-livro-de-karina-rabnovitz.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2373533418798079194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2373533418798079194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/lancamento-do-livro-de-karina-rabnovitz.html' title='Lançamento do livro de Karina Rabinovitz'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9lrvaOrkaI/AAAAAAAAASw/UE4Iu-_JeSg/s72-c/convite_maio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2941961218632435735</id><published>2010-04-25T08:12:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T03:43:01.236-07:00</updated><title type='text'>A velocidade do Sonho de Rogerio Ferrari</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9ReT7xRH3I/AAAAAAAAASQ/VRXZ3KU0DZo/s1600/zapatista-a+velocidade+do+sonho+by+rogerio+ferrari.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9ReT7xRH3I/AAAAAAAAASQ/VRXZ3KU0DZo/s400/zapatista-a+velocidade+do+sonho+by+rogerio+ferrari.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464095944462114674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2941961218632435735?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2941961218632435735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/velocidade-do-sonho-de-rogerio-ferrari.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2941961218632435735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2941961218632435735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/velocidade-do-sonho-de-rogerio-ferrari.html' title='A velocidade do Sonho de Rogerio Ferrari'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9ReT7xRH3I/AAAAAAAAASQ/VRXZ3KU0DZo/s72-c/zapatista-a+velocidade+do+sonho+by+rogerio+ferrari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2512448581362576581</id><published>2010-04-25T07:46:00.000-07:00</published><updated>2010-04-25T09:41:39.188-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mission muralismo arte de rua grafitti mission san francisco orozco siqueiros rivera muros cidade'/><title type='text'>Muralismo em San Francisco</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv5CsFpyI/AAAAAAAAASo/LPWOaLPlg8E/s1600/IMG_0361.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv5CsFpyI/AAAAAAAAASo/LPWOaLPlg8E/s320/IMG_0361.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464115273672271650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv4j3MTRI/AAAAAAAAASg/Kfor8-z54IQ/s1600/IMG_0370.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv4j3MTRI/AAAAAAAAASg/Kfor8-z54IQ/s320/IMG_0370.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464115265397345554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv4FXnXsI/AAAAAAAAASY/GKhRbacyyPo/s1600/missionmural1500.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv4FXnXsI/AAAAAAAAASY/GKhRbacyyPo/s320/missionmural1500.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464115257211838146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murais estão presentes em muitos bairros de San Francisco, mas em Mission causam um efeito especial e são importantes para a paisagem cultural do local, que, apesar das transformações que vem sofrendo, luta para manter acesa a latinidade. Becos estreitos como Balmy St. e Clarion St. estão decorados com imagens vibrantes e cheias de cores que narram histórias, sonhos e desejos.&lt;br /&gt;Os desenhos dos murais da Clarion St. ocupam paredes longas e estreitas, portas, fachadas de casas e fundos de estabelecimentos comerciais. Na década de 70, ativistas organizaram-se, criaram o grupo Placa e passaram a reivindicar ações políticas para as minorias usando os murais como expressão de identidade. Mais tarde, estudantes latinos de arte da University of San Francisco começaram a experimentar artisticamente os espaços públicos, contribuindo para a difusão dos murais. &lt;br /&gt;Os da Mission, inspirados no muralismo mexicano da década de 1920, cujos expoentes são Rivera, Orozco e Siqueiros, são integrados à cidade e visitados, em dias de sol, por moradores e turistas. É, obviamente, o espaço de uma arte transitória, ou melhor dizendo, atualizada: novos artistas e grafiteiros deixam ali suas marcas e outros chegam para contribuir a qualquer momento, com as sobreposições de frases e desenhos como qualquer arte de rua que se preze, afinal, os murais são um claro grito de liberdade ante a ordem nem sempre democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que: Murais da Clarion Street, Mission District, San Francisco-Ca&lt;br /&gt;Onde: na Valência Street, entre a 16th St. e a 18th St.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na revista MUITO em 25/04/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2512448581362576581?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2512448581362576581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/muralismo-em-san-francisco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2512448581362576581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2512448581362576581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/muralismo-em-san-francisco.html' title='Muralismo em San Francisco'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9Rv5CsFpyI/AAAAAAAAASo/LPWOaLPlg8E/s72-c/IMG_0361.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3199112187370557471</id><published>2010-04-25T07:31:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T09:13:32.736-07:00</updated><title type='text'>Um mergulho nos segredos inconfessáveis da cultura judaica: Isaac Singer</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9RVgqIPL5I/AAAAAAAAARg/nGtdVci5qYc/s1600/hasidim-jerusalem-cc-premasagar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9RVgqIPL5I/AAAAAAAAARg/nGtdVci5qYc/s320/hasidim-jerusalem-cc-premasagar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464086267460267922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Digo-lhes desde já que eu não era nenhum santo. Sucumbia quase por inteiro às paixões mundanas. Para preservar as aparências, estudava diariamente uma página do Talmude, mas no fundo cedia às minhas vontades. ”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escritor judeu nascido na Polônia, mais tarde radicado nos  Estados Unidos, Isaac Bashevis Singer, ganhou o Nobel em 1978, mas ainda é muito pouco falado e estudado  no Brasil. Felizmente, o recente modismo de se reeditar escritores do passado  tem nos feito chegar obras como a de Singer:  do quilate de escritores universalmente consagrados como Machado de Assis,  Guy de Maupassant, Poe e outros que souberam traduzir como ninguém  as particularidades de uma época.&lt;br /&gt;A comparação, claro, é muito  menos no estilo do que em uma crítica – ferrenha-  aos costumes e tradições de um povo. A sua escrita possui um sabor especial; é como mergulhar nos segredos inconfessáveis de uma sociedade- neste caso uma cultura, a judaica – sob um humor bem resolvido e uma linguagem sem malabarismos, simples, evidente até, em meio a um tom de “sabedoria desencantada”. &lt;br /&gt;Os contos do livro “A morte de Matusalém e outros contos” trazem temas ligados à inclinação do ser humano às paixões mundanas. Ao falar do cotidiano dos imigrantes judeus nos Estados Unidos e das comunidades judaicas do leste da Europa do início do século, Isaac destaca, nestas vinte narrativas, o que de mais íntimo o homem possui:  a  sua alcova. Desse modo, todas as histórias narradas passam direta ou indiretamente pelo sexo, ciúme, paixão, desconfiança, inveja, homossexualidade, adultério, cobiça e fraqueza religiosa. &lt;br /&gt;Há uma crítica, entre outras tantas, ao machismo do homem judeu, ainda que não haja um julgamento desse homem. As mulheres em seus dias “impuros”  são ignoradas e desprezadas, mas elas são também o objeto de desejo e o amparo de sua solidão. Os relatos de amor terminam em tragédia: abandono, traição, morte, fuga. O que impressiona, entretanto, é que o narrador dos contos, quase sempre um “escritor”, escuta as histórias que são narradas a partir das tradições judaicas, deixando um rastro de expressões em íidiche, hebraico, nomes e cerimônias sionistas, o que revela o quão apegado estava àquilo que “criticava”. &lt;br /&gt;Singer tratou de revelar o homem judeu muito mais próximo ao mundo secular do que às sagradas e ortodoxas práticas, desmistificando-o e dando a ele o único possivelmente inegável: a sua humanidade, configurada, essencialmente, pelas suas fraquezas. Assim, desmantela as aparências para chegar à alma. É claro que vai também deixando por terra as aparências de uma cultura tradicional. &lt;br /&gt;O sexo, o princípio de todos os desvios, o chamariz mais forte do homem, é explorado de todas as formas, mas, sem dúvida, no conto “A morte de Matusalém”,  é caprichosamente destilado, num conto mítico, absurdo, fantasioso e alegórico que seduz o leitor de imediato. Ali, Matusalém, com 969 anos , encontra a mulher que desejou durante séculos, e vai ficar em dúvida entre se entregar à volúpia de sua amada ou receber o alívio da morte... A carne do “homem” é fraca. &lt;br /&gt;Entre tantos temas, há espaço também para reflexões filosóficas e literárias. Citando muitas vezes Spinoza, o autor tenta desvendar os desejos do ser humano, enquanto usa uma personagem para trazer à tona suas indagações sobre a literatura: “O senhor escreve sempre sobre a questão do ciúme. Já reparou que os ficcionistas de hoje não escrevem mais sobre isso? Os críticos foram tomados de tamanha aversão pelo que chamam de romance de alcova que os escritores ficaram com medo”. &lt;br /&gt;Entre as páginas do livro, um manancial de informações, desde a Torá, passando pelo Bar Mitzvá, Hanucá, Talmude, e etc, com um sabor de contos de uma tradição oral,  que, no final do livro, ganha um excelente e amplo vocabulário para aqueles que não estão familiarizados, como eu, ao vocabulário dessa cultura tão próxima e ao mesmo tempo tão distante. “Sholem Aleichem”.&lt;br /&gt;A morte de Matusalém e outros contos/ Isaac Bashevis Singer/Cia das Letras/ 237 p/37 reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal A tarde, caderno 2+, 24/04/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3199112187370557471?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3199112187370557471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/um-mergulho-nos-segredos-inconfessaveis.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3199112187370557471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3199112187370557471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/um-mergulho-nos-segredos-inconfessaveis.html' title='Um mergulho nos segredos inconfessáveis da cultura judaica: Isaac Singer'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S9RVgqIPL5I/AAAAAAAAARg/nGtdVci5qYc/s72-c/hasidim-jerusalem-cc-premasagar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-608626490571522310</id><published>2010-04-20T07:17:00.000-07:00</published><updated>2010-04-20T07:21:43.718-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Roberto Bolaño poesia ditadura Chile estrela distante literatura exílio'/><title type='text'>Roberto Bolaño: assassinato e poesia no Chile sob ditadura</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S824ZYI0ZAI/AAAAAAAAARQ/Yi9ZtyiZ148/s1600/bolano_2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 286px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S824ZYI0ZAI/AAAAAAAAARQ/Yi9ZtyiZ148/s320/bolano_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462224669185958914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um avião faz piruetas no céu sob o olhar de militares, pessoas da alta burguesia chilena e jornalistas. Da fumaça e dos loops, versos que são mais adivinhados do que vistos. Eles estão a falar de morte, amizade e amor e, antes de serem em frases completados, já se desmancharam no ar. O piloto do avião, uma personalidade dupla: assassino de direita e poeta. Como aqueles versos, os corpos desaparecidos na ditadura de Pinochet também falam pelo silêncio de sua existência: sumiram, mas já tinham riscado a vida. Poetas e assassinos são escrutinados pelo autor, do ponto de vista da arte, da memória, e também da culpa.&lt;br /&gt; Assim de paradoxal é o ponto central da narrativa de Roberto Bolaño no livro “A estrela distante”, mas muito mais complexas são as histórias periféricas que o narrador nos tenta contar. Mantendo o seu estilo já tão exaltado pela crítica hispano-americana, onde aspectos da literatura policial se mesclam à grande indagação em torno do que é a literatura e seu efeito, Bolaño recupera personagens de outro de seus livros, “La literatura nazi”, para voltar ao tema do duplo, seguindo a tradição da literatura que, de Edgar Alan Poe passando por Cortázar, Saer e Borges, tem fascinado escritores de várias gerações. &lt;br /&gt;O narrador, um poeta chileno exilado por causa da ditadura de Pinochet, vai contar a história do misterioso Carlos Wieder que, anos antes, usava o nome de Alberto Ruiz- Tagle e freqüentava as mesmas oficinas literárias que ele e outros tantos jovens apaixonados pela poesia. Nessas oficinas também se falava de luta revolucionária. Diego Soto e Juan Stein são os dois “mestres” daqueles jovens ávidos pela arte poética e, com oficinas literárias esteticamente rivais e posições diversas quanto à “esquerda”, ambos trazem o tema da política e irão, de maneira diferente, no exílio perecer, levando o leitor a uma reflexão sobre o destino da poesia e do pensamento político e intelectual da década de setenta no Cone Sul.&lt;br /&gt; O narrador usa o poeta Bibiano, seu melhor amigo – um obcecado pela figura assassina que conhecera quando jovem-, para conduzir os passos primeiros da investigação em torno do protagonista Wieder. A investigação, cujas provas são compostas por revistas, fotografias, filmes pornôs, publicações alternativas, propaganda de seitas, etc, é depois assumida por um investigador que acaba deixando nas mãos do poeta-narrador a conclusão e o fechamento de um ciclo de terror.&lt;br /&gt; O que pareceria absurdo, nessas histórias que trazem poesia, política, arte e ditadura, é tão real que nos deixa sem ação. A memória coletiva de toda uma geração está em jogo, assim como a memória individual que necessita ser recomposta. O universal e o particular se entrelaçam para deixar as marcas de uma história que só se justifica pela crueldade humana e esse tema, o do mal, tem seu exórdio aprofundado no romance. Do Chile à Nicarágua, El Salvador, e Angola, o tema da ditadura e revolução vai sendo explorado, ao mesmo tempo em que o exílio jamais significou a liberdade, posto que a memória do narrador ficou presa a esse passado e ele já quase não escreve.&lt;br /&gt;A poesia, a literatura, a arte, é esteio da vida e da morte, é consciência e é igualmente culpa. O romance de Bolaño, com o tema do duplo e o enigma a ser resolvido, nos deixa frente a uma peça difícil de ser (re)composta, e para se chegar a algum lugar é preciso trilhar o caminho da literatura tal e qual o detetive na obra. A nossa memória, como a do poeta, fica presa no céu do Chile sob os corpos que desaparecem, as vozes que se calam e os versos que não se completam.&lt;br /&gt;Estrela distante/ Roberto Bolaño/Cia das Letras/143p/35,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;publicado no jornal A tarde de 17/04/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-608626490571522310?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/608626490571522310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/roberto-bolano-assassinato-e-poesia-no.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/608626490571522310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/608626490571522310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/roberto-bolano-assassinato-e-poesia-no.html' title='Roberto Bolaño: assassinato e poesia no Chile sob ditadura'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S824ZYI0ZAI/AAAAAAAAARQ/Yi9ZtyiZ148/s72-c/bolano_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-8210792901022864737</id><published>2010-04-10T12:57:00.000-07:00</published><updated>2010-04-10T14:23:56.696-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu tio Jean-Claude Carriere Etaix Cinema Literatura'/><title type='text'>Cinema e Literatura no romance de Jean-Claude Carrière</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S8Db0Wcv1GI/AAAAAAAAAQw/2kthDPRwK7c/s1600/169-Oncle.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 270px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S8Db0Wcv1GI/AAAAAAAAAQw/2kthDPRwK7c/s320/169-Oncle.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458604440798876770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra “Meu tio”, de Jean-Claude Carrière, é fruto de uma experiência artística interessante: a transformação de um filme, não de um roteiro, em romance, e com a ilustração da obra obedecendo às duas estruturas: a do cinema e a da literatura. É um livro que desperta a atenção para as fronteiras das linguagens, das artes, deixando para o leitor uma experiência de leitura peculiar, pois o livro não se esgota e nem se limita à estrutura narrativa romanesca: pode ser revisitado depois do filme e vice-versa, e tem, nas ilustrações de Pierre Étaix, o complemento visual da história. É uma obra independente, mas que pode dialogar de maneira encantadora com o cinema.&lt;br /&gt;  Baseado no filme homônimo do diretor Jacques Tati, um clássico do cinema francês, “Meu tio” se destaca na obra do autor, conhecido no mundo do cinema por seu trabalho ao lado de nomes como o próprio Tati, Pierre Étaix e Buñuel (por esse último foi convidado a escrever a sua biografia, “Meu último suspiro”), e traz para a literatura toda a força silenciosa da película.&lt;br /&gt;A personagem principal do filme, o senhor Hulot - um solteirão ambíguo, que não se enquadra nas regras sociais e capitalistas do mundo burguês - mantém-se charmosa e enigmática, com o seu jeito estabanado cativante, e é ele o centro gravitacional da história. Mas, diferentemente do filme, o livro traz o sobrinho como narrador, que conta a história já como um adulto relembrando a sua infância, na qual a figura do tio ocupa um lugar especial e decisivo.&lt;br /&gt;Como o filme, o romance se desenvolve de forma sutil e delicada, com uma comicidade estabelecida na combinação de detalhes da personalidade das personagens com as dinâmicas sociais. A obra também mantém a crítica ao exagero do culto à vida moderna, à vida de aparências centradas nos bens materiais e ao consumo vazio das décadas de 40 e 50. O modo brilhante com que foi feito o filme permitiu que se mantivesse atual e com uma forte carga crítica. O romance, apesar de não falhar a essa crítica pretendida por Tati, adéqua o contexto para mostrar que se trata de um momento do passado, onde o apelo ao moderno era demasiado e caricatural. &lt;br /&gt;O tom de “memória” trazido pelo narrador, que nos remete àquele menino de dez anos, vem de um adulto reconstruindo as suas experiências e impressões da infância, a solução encontrada para dar ao livro a mesma conexão com o momento retratado que o filme permite. O distanciamento temporal faz pertinente o choque entre o moderno e o provinciano, já que o narrador, não mais uma criança, descreve a sua dificuldade com aquele mundo robotizado e automático dos pais e o seu encantamento pela liberdade e pela vida menos artificial do tio, o senhor Hulot (que, vale a pena dizer, no filme é interpretado pelo próprio Tati, que se inspira em Chaplin). &lt;br /&gt;Os desenhos de Pierre Étaix são valiosíssimos para o detalhamento, tanto das personagens quanto da dinâmica entre eles e o seu meio social e espacial. São traços minuciosos que recuperam as sutilezas do filme, realmente traduzindo, nas ilustrações, os espaços retratados, as cenas do cotidiano tanto da vila quanto daquele castelo de concreto. &lt;br /&gt;O sabor especialíssimo dos detalhes na obra de Tati pode ser conferido na reprodução de uma cena emblemática: no filme, a câmera mostra a cena de um cachorro embaixo de uma banca de verduras rosnando para um peixe que está na sacola do senhor Hulot e que corresponde, metaforicamente, à discussão sem som e sem palavras que visualizamos no jogo de corpo da personagem com o dono da barraca. O livro traz essa ilustração, assim como outras, para recuperar o olhar sobre o detalhe, deixando-nos, aos leitores do romance, a mesma sensação de que estamos diante de uma história silenciosa, pois se economizam, no livro, as palavras com o uso da imagem, e, no filme, o som é deixado para os ruídos das máquinas, das pisadas, das campanhias, dos alarmes, eventualmente do assobio de um pássaro. Os diálogos são mímicas, impossibilidade de se escutar as vozes humanas pelo barulho da “modernidade”, corpo, espaço e metonímias.&lt;br /&gt; Essa narrativa econômica, delicada, e o diálogo com as imagens que acompanha todo o romance, trazem a mesma sensação desse “silêncio” simbólico do filme de Jacques Tati. É uma obra saborosa que presenteia aos amantes do Cinema e da Literatura com o riso, a ironia, a crítica, a de&lt;br /&gt;licadeza e o romantismo dessa personagem anacrônica e marginal que é o “meu tio”, o senhor Hulot, sempre com seu cachimbo e seu guarda-chuva, perdido entre as bárbaras máquinas modernas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu tio”/ Cosac Naify/ Jean-Claude Carrière/ Ilustração de Pierre Étaix/ Tradução de Paulo Wernek/173 p/ 37 reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde, 10/04/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-8210792901022864737?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/8210792901022864737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/cinema-e-literatura-no-romance-de-jean.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/8210792901022864737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/8210792901022864737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/cinema-e-literatura-no-romance-de-jean.html' title='Cinema e Literatura no romance de Jean-Claude Carrière'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S8Db0Wcv1GI/AAAAAAAAAQw/2kthDPRwK7c/s72-c/169-Oncle.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6642228260392025774</id><published>2010-04-04T18:47:00.001-07:00</published><updated>2010-04-10T14:34:27.428-07:00</updated><title type='text'>Barroco Tropical</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S7lCDnks-5I/AAAAAAAAAQo/9OrNm2z-n5E/s1600/jose_eduardo_agualusa_pressiii.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S7lCDnks-5I/AAAAAAAAAQo/9OrNm2z-n5E/s320/jose_eduardo_agualusa_pressiii.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456465053466033042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S7lCDKqHSFI/AAAAAAAAAQg/tIJC7h-XjJA/s1600/barroco_tropical_br_p.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S7lCDKqHSFI/AAAAAAAAAQg/tIJC7h-XjJA/s320/barroco_tropical_br_p.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456465045704099922" /&gt;&lt;/a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa Luanda com a face virada para o futuro surpreende a qualquer um. É a Luanda de 2020, de José Eduardo Agualusa, descrita em “Barroco tropical”. O livro é uma bem sucedida mistura de Gabriel Garcia Marques com um romance de mistério. E tem mais: partes do livro trazem também espécies de crônicas políticas de um pasquim, tendências esotéricas da vida moderna- todas misturadas-, os apelos em torno do fetiche de todos pelas páginas policiais, os mistérios das casas de prostituição, os bastidores da “governância”, a obscuridade dos jogos pelo poder. Tudo isso escrito e descrito com uma criativa linguagem e um estilo único. É, cativantemente, uma aventura épica urbana na qual passado e futuro se encaram numa Angola moderna e delirante. &lt;br /&gt;É barroco o cruzamento das narrativas que escalpelam a nossa memória. Barroca é a linguagem e a disposição dos temas – histórias de amor, paixão e traição, assassinatos, corrupção, lendas, aliciamento, prostituição, e até poesia –, a mistura de personagens de universos completamente distintos: Rato Mickey, um ex-sapador mascarado de rosto desfigurado, Tata Ambroise, um curandeiro metido a psiquiatra, Kianda, uma cantora famosa, Mãe Mocinha, uma ialorixá baiana, Bartolomeu Falcato, escritor, e ainda uma ex-miss, um anjo de asas negras, poetas, empresários, estilistas, jornalistas, políticos. &lt;br /&gt;Uma profusão de personagens que trilham, simbolica e metaforicamente, pelos corredores do poder, denunciando uma gama de violência, censura e corrupção. Os espaços são vários: Europa, Brasil, Angola. Barroquismos também vemos nas canções recuperadas das tradições locais até os hits pop de Madonna, passando pela poesia de Eucanaã Ferraz. &lt;br /&gt;Agualusa logra extraordinária descrição de uma angola desvinculada de um olhar exótico ou estereotipado, sem deixar de mostrar as peculiaridades daquela cultura e ambiente. Ele deixa-nos embrenhar pelo passado e pelo “futuro” da cidade de Luanda de uma maneira ímpar: não é só o ambiente físico, mas as próprias personagens que ajudam na configuração dos espaços. Assim, um artista graffiteiro muito jovem, mudo, que pinta os muros da cidade, e uma arquiteta conhecida vão trazer consigo, metaforicamente, os espaços perdidos e os sonhados: tradição e modernidade sobrepondo-se, escondendo sonhos e tragédias. É, na situação atual, aquilo que supomos: não podemos fugir do tempo, do desenvolvimento, das mudanças, mas não há ilusão sem perdas. &lt;br /&gt;“Barroco Tropical”, lançado no Brasil no ano passado pela Cia das letras, é, não há como negar, uma obra rica e com uma carga de denúncia forte, ainda que muito bem destilada na trama, sem maneirismos, obviedades ou pretensão moral e ideológica gratuita. Ali sentimos o peso dos resquícios e das marcas dos regimes ditatoriais, os vícios do poder dificultando a reconstrução do futuro-presente. É denúncia crua, conseqüência das histórias inventadas, mas justamente por seu caráter muitas vezes surreal, elidindo e ao mesmo tempo amplificando as verdades, é que ganha esse sabor especial.&lt;br /&gt;A narração muda de ponto de vista, a amante e o escritor se alternam em contar o fato principal que os levam a uma cena insólita: testemunhar um corpo de mulher caindo do céu. Assim, investigando e perseguindo as pistas de um anjo de asas negras, os leitores vão ser postos numa emboscada delirante, onde desde o alto escalão do governo até dirigentes de terreiro serão parte de algo suspeito e perigoso. Ainda há a delícia de nos depararmos com os gêmeos anões, personagens absurdamente ricos e improváveis, que saem de um vão de pobreza para cenário da moda contaminado por vícios perigosos, e envolvidos em assassinatos. Os nomes deles, maravilhosos: Jacó e Esaú.&lt;br /&gt;O livro passa por personagens do cotidiano brasileiro e angolano, deixa-nos rastros precisos da nossas tradições e das dele, Agualusa; faz-nos testemunhas de uma Luanda modificada, moderna, com tantos conflitos quanto qualquer outro lugar contemporâneo e urbano que sai de uma tradição enraizada, enfrentando violências simbólicas e físicas. Marcas das guerras estão lá, assim como os sinais dos novos tempos.&lt;br /&gt;O autor acertou no modo de nos contar tudo o que quis contar, apenas pecou com o excesso de personagens, desnecessário a meu ver, visto que a carga simbólica e densa dos principais nos deixa muito material para percorrer e muita literatura para destrinchar. Em todo o resto, um livro excepcional que nos pega de jeito: ironia, sátira, crítica, erudição, questionamento, denúncia, pintura, imagem, poesia. Resulta que há que se ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Barroco Tropical”/ José Eduardo Agualusa/ Companhia das Letras/47 reais&lt;br /&gt;Publicado no A tarde.&lt;br /&gt;&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6642228260392025774?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6642228260392025774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/barroco-tropical.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6642228260392025774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6642228260392025774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/04/barroco-tropical.html' title='Barroco Tropical'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S7lCDnks-5I/AAAAAAAAAQo/9OrNm2z-n5E/s72-c/jose_eduardo_agualusa_pressiii.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5373436161154394812</id><published>2010-03-20T06:02:00.000-07:00</published><updated>2010-04-10T14:28:46.655-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='uma casa na escuridão josé luís peixoto literatura romance gatos escritor português realidade fantasia'/><title type='text'>O amor em uma casa com gatos, solidão e desespero</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S6TK3_7Z_eI/AAAAAAAAAQQ/r9ScADgfsIM/s1600-h/goya_sleep_of_reason.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 212px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S6TK3_7Z_eI/AAAAAAAAAQQ/r9ScADgfsIM/s320/goya_sleep_of_reason.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450704512427359714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Quando acordei, não sabia do mundo senão a derrota. Doía-me o corpo morno sob a roupa amassada, mole e morna. Caminhava em passos desencontrados pelo corredor. Era dia, mas estava perdido no tempo. Não sabia as horas, porque estava num instante sem horas, num tempo sem horas, entre as horas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passei um tempo ruminando sobre casas, suspensa em delírio fomentado por pedaços de obras de Borges, Cortázar, Lúcio Cardoso, Unamuno e Rulfo. Os primeiros me chegaram com suas casas, distintas entre elas, carregadas de mistério e de tanta vida; os dois últimos, por diferentes razões: o narrador e o que há de vida dentro da morte. &lt;br /&gt;  A obra que me remeteu aos escritores citados foi lançada, no Brasil, há pouco tempo: “Uma casa na escuridão”, de José Luís Peixoto, jovem escritor português, premiado e defendido por grandes nomes como a revelação da literatura portuguesa contemporânea.&lt;br /&gt; É o seu segundo romance, mas o primeiro que eu leio, e a leitura tomou-me por longo tempo. Em “Uma casa”, Peixoto logra dividir-nos – num ambiente ao mesmo tempo onírico e real na violência dos sentimentos escritos – entre a credulidade diante de um amor impossível e o estarrecimento frente ao obscuro e mórbido mundo apresentado, retirado das entranhas das personagens que habitam a casa e das ameaças que do mundo externo se lançam.&lt;br /&gt; O mundo, bestial e cinzento, é criado pelo próprio narrador, quem assume a missão de escrever entre os preambulosos vãos de uma casa. Nessa habitação, onde vive com a mãe velhinha e silenciosa, uma escrava (num anacronismo interessante) e a multidão de gatos da mãe, o autor-narrador-personagem está lutando para viver um amor impossível, apesar de sua dedicação extrema: a mulher pela qual se apaixonou é uma invenção sua; ela só existe em sua imaginação, ou melhor, existe dentro de si e o que sente é porque ela está com ele. Nada é mais real do que o sentir.&lt;br /&gt; Nessa casa de suspensos prólogos, uma vez por ano a escuridão se instaura. Os gatos, entre o silêncio dos moradores, ocupam e dominam os espaços e os próprios humanos que sobrevivem ao “tempo da casa”, este formulado sob digressões e eventos que não se separam, pois não há barreira entre passado e presente. &lt;br /&gt; À medida que as sombras vão tomando a casa, o narrador tenta escapar da violência da escuridão e a mulher ‘inventada”, a heroína do romance que está tentando terminar de escrever,  torna-se seu elo de ligação, contraditoriamente, com a realidade à qual, esperançosamente, busca agarrar-se. Essa luta íntima é surpreendida, finalmente, pelos invasores que ali chegam. E a casa se transforma num ambiente tenebroso, com seres obscuros, quase monstruosos, que o vão testar até seu limite. &lt;br /&gt; Uma nuvem de violência trazida pelos invasores assalta a casa e seus moradores, e o narrador se vê cuidando dos filhos daqueles seres surreais, mutilado em sua capacidade de escrever, sonhar e até amar, e porque guarda, de verdade, amor pelos pupilos é que logra salvar-se, porque os meninos também lhe têm amor.&lt;br /&gt; O romance é uma fábula onírica, com um linguagem poética de alto nível, uma liberdade de escrita que mescla a construção das imagens com o experimento sonoro e estrutural. Há mudanças de estilo no decorrer da narrativa que nos revela a força da arte poética de José Luís Peixoto e o controle absoluto da linguagem, além de espantar qualquer possibilidade de tédio diante do subjetivo.&lt;br /&gt; Morte, memória, fantasia e dor estão ali, indissociáveis da experiência de estar vivo. Entre as sombras, a literatura, a fé e o amor, pouco a pouco a fronteira entre a fantasia e a realidade se vai desvanecendo. “Uma casa na escuridão” é um romance insólito, inquietante e absurdamente do nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma casa na escuridão”/ José Luís Peixoto/Record/304 p/40 reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no jornal A tarde 20/03/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5373436161154394812?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5373436161154394812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/03/o-amor-em-uma-casa-com-gatos-solidao-e.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5373436161154394812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5373436161154394812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/03/o-amor-em-uma-casa-com-gatos-solidao-e.html' title='O amor em uma casa com gatos, solidão e desespero'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S6TK3_7Z_eI/AAAAAAAAAQQ/r9ScADgfsIM/s72-c/goya_sleep_of_reason.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1191783289494736390</id><published>2010-03-08T07:25:00.000-08:00</published><updated>2010-04-10T14:27:01.421-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana cancino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuel bandeira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ruy espinheira filho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mil e uma noites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='e e cummings'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='samarcanda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coral bracho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rota da seda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='soneto'/><title type='text'>Encruzilhada de palavras na rota da poesia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S5UYS8AYkLI/AAAAAAAAAQI/mM7HDAzQZHo/s1600-h/RuyEspinheiraFilho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 298px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S5UYS8AYkLI/AAAAAAAAAQI/mM7HDAzQZHo/s320/RuyEspinheiraFilho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446286037998932146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ana Cancino – Estudante de Literatura na Universidade de Berkeley&lt;br /&gt;e Milena Britto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Setenta e cinco navegações/ completas/em torno do Sol.” (Outro aniversário)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No livro de poemas “Sob o céu de Samarcanda”, de Ruy Espinheira Filho, pode-se apreciar uma síntese do trabalho dos poetas E. E. Cummings, Manuel Bandeira e Coral Bracho – já que possui um “modern twist” de tom irônico, imagens delicadas da natureza, e uma linguagem concreta e abstrata. “Sob o céu de Samarcanda” é uma encruzilhada de sonoridade que vai da tradição clássica à literatura de cordel.&lt;br /&gt; A obra de Espinheira Filho está impregnada de um aspecto mágico, cheio de segredos e possibilidades. O próprio título nos translada à cidade uzbeka de Samarcanda. É ali que, no ano 751, fabrica-se por primeira vez o papel no mundo islâmico. O segredo da fabricação de papel se espalha pelo resto da Europa, e do mundo, imediatamente. E como se fosse pouco esse detalhe, em um dos textos mais exóticos e célebres da literature oriental, “As mil e uma noites”, a personagem Shahryar é o rei dessa cidade.&lt;br /&gt; Ruy Espinheira Filho usa essa zona fantástica para ilustrar a encruzilhada de tradições literárias e temas poéticos em seu livro, já que a cidade de Samarcanda destaca-se na Ásia Central por ser o ponto intermediário na rota da seda, entre a China e a Europa. O livro é também uma encruzilhada: páginas salpicadas de sonetos e versos livres, de um naturalismo-modernismo contemporâneo, de Khayyam, Bispo dos Santos, Mário de Andrade, Merlin e “anjos, unicórnios, fadas”.&lt;br /&gt;O livro está dividido em três partes. Na primeira parte, “sob o céu de Samarcanda”, encontram-se poemas escritos entre 2005 e 2009 com temas tradicionais de amor, sonho, memória, tempo e espaço. Na segunda, “Romance do sapo seco”, tem-se um poema dramático, quase autobiográfico, no qual se comete um assassinato para evitar “morrer um sapo seco”. A última, “Sete poemas de outra era”, é uma coleção de prosa transformada em poesia, escrita entre os anos de 1969 e 1975.&lt;br /&gt; O livro está reunido, de uma maneira ou outra, através de um leitmotiv que está no mesmo pulso da lírica: um tom irônico, burlesco. Os seguintes títulos de poemas ilustram o tom brincalhão que une a obra: “Canção do efêmero com passarinho e brisa”; “Canção dos pobres insabidos”; “Soneto do nome”; “Plínio o velho e a nuvem misteriosa segundo plínio o moço, e uma análise de Humberto Eco com breves considerações finais de um poeta seguramente persona non grata”; “Bilhete a Manuel Bandeira”; “Canção que eu gostaria não ter escrito”; “Mais um”; e “A morte e o bom-dia” entre outros. A ironia é a balança adequada para a magia nos poemas.&lt;br /&gt; O mundo mágico de Samarcanda serve como um tecido de seda para experiementar a interação entre um sujeito e seu meio ambiente. “Sob o céu” leva-nos em uma viagem pitoresca e bem humorada por uma rota histórica, letrada e humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o Céu de Samarcanda/Ruy Espinheira Filho/Bertrand Brasil/240 p./35 reais&lt;br /&gt;publicado no A tarde em 06/03/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1191783289494736390?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1191783289494736390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/03/encruzilhada-de-palavras-na-rota-da.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1191783289494736390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1191783289494736390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/03/encruzilhada-de-palavras-na-rota-da.html' title='Encruzilhada de palavras na rota da poesia'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S5UYS8AYkLI/AAAAAAAAAQI/mM7HDAzQZHo/s72-c/RuyEspinheiraFilho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3259867210857275240</id><published>2010-02-28T12:41:00.000-08:00</published><updated>2010-04-10T14:57:26.615-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='david byerne diarios de bicicleta cidades'/><title type='text'>Um passeio de bicicleta com  David Byrne</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S4rVqSRRoqI/AAAAAAAAAPg/DzwEKJY9KMU/s1600-h/diario+de+bicicleta+1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 298px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S4rVqSRRoqI/AAAAAAAAAPg/DzwEKJY9KMU/s320/diario+de+bicicleta+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443398022066184866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inquieto o fundador da banda Talking Heads. David Byrne faz de tudo e sempre explora até o limite de criatividade a matéria que lhe chega às mãos. O cara faz música, inventa ritmos, faz esculturas, intervenções, produz discos, faz instalações, filmes, fotografia. Há pouco tempo  lançou “Diários de Bicicleta”. &lt;br /&gt;O título, obviamente uma referência aos “Diários de motocicleta” do Che, é também o resumo de sua nova e antiga atividade: os diários (que passou a escrever em um blog) e a bicicleta (que faz parte da sua vida há trinta anos como seu único meio de transporte nas cidades onde chega e em Nova York onde mora). Mas a bicicleta de Byrne só vai por cidades ao invés de “senderos” outros, e sua atitude política é mais reflexiva do que revolucionária, embora haja ali uma atitude política que vai desde o sentido ecológico até as reflexões que implicam numa mudança de viver e interagir com o seu meio.&lt;br /&gt;O título, como o livro, não pode também deixar de ser visto como uma referência ao estilo “on the road” pelo menos em um aspecto: o registro da passagem por um lugar e o que dessa passagem fica. Assim, como em muitas de suas canções, o que fica para quem lê é algo que, sem ser definitivo, é impossível de ser ignorado.&lt;br /&gt; Sua mistura tantas vezes observadas nos discos, como música eletrônica com batidas de funk, estruturas minimalistas do clássico, ritmos percurssivos africanos misturados a algo do gospel ou até do country; o fluxo de consciência que muitas das suas composições guardam, oferecendo duas possibilidades de sentidos: a do sonho e a da vida disparatada, brincando com as palavras e com as imagens, são também ressonantes em seus diários.&lt;br /&gt;Com prefácio de Tom Zé, o livro é um convite agradável às reflexões sobre o urbano e o humano. A obra traz pequenos ensaios e reflexões de temas surgidos dos passeios de bicicleta feitos por Byrne por bairros de várias cidades do mundo, como Buenos Aires, Nova York, Istambul, Berlim, San Francisco e outras assim cosmopolitas. Como a bicicleta, que depende do impulso humano para mover-se, Byrne mostra que a vida nas cidades depende de uma ativa combinação de forças que possam unir a criatividade, o espírito, a ação política, o humano de cada um aos espaços urbanos. &lt;br /&gt;A bicicleta é extensão de seu corpo, por ela perpassa o ritmo de sua respiração; ela produz o vento que lhe bate na face ou dissemina o calor por todo o seu corpo, e para ele é a maneira de embrenhar-se vivo, de respiração alterada e corpo sensibilizado, por becos e lugares sórdidos, por bares e ruas, por vidas perdidas e achadas, lugares planejados de arquitetura arrojada e lugares sombrios e desprezados pela ordem urbana.&lt;br /&gt;Tais passeios narrados no livro são como um filme possibilitado pela mobilidade oferecida por esse meio de transporte que, por sua vez, depende  da vontade e da direção de quem maneja a câmera, isto é, a bicicleta. David deixa que suas análises revelem muito da cidade e dos caminhos que o levaram ali enquanto reflete sobre violência, memória, estereótipos, censura, e relações humanas dentro de um grande labirinto que é uma cidade. &lt;br /&gt;Ele de fato elege a bicicleta como a forma eficiente de interagir, conhecer e refletir sobre os lugares da cidade e as pessoas que estão nela, pela velocidade apropriada (nem carro e nem trem permitem que o tempo seja controlado exclusivamente pela vontade do sujeito) e porque é o único meio que permite uma penetração total em qualquer lugar de uma cidade.&lt;br /&gt;É o anonimato do ciclista outra característica interessante. Não há necessidade de que esse observador se materialize em persona, apenas que, tal e qual uma bicicleta,  anonimamente desperte a vontade de seguir adentrando-se na cidade para sentir-se parte dela e conhecê-la profundamente; sensivelmente descobrir cores, formas, cheiros, música, gente que nem se pensou existir.&lt;br /&gt;Diários de bicicleta/ David Byrne/Amarilys/333 p/49 reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no A tarde 27/02/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-3259867210857275240?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/3259867210857275240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/02/um-passeio-de-bicicleta-com-david-byrne.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3259867210857275240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/3259867210857275240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/02/um-passeio-de-bicicleta-com-david-byrne.html' title='Um passeio de bicicleta com  David Byrne'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S4rVqSRRoqI/AAAAAAAAAPg/DzwEKJY9KMU/s72-c/diario+de+bicicleta+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2543830869923790190</id><published>2010-02-08T14:40:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T14:43:10.211-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jymmy corrigan chris ware quadrinhos ulisses joyce HQs'/><title type='text'>O Ulisses dos quadrinhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTdRfEBoI/AAAAAAAAAPY/1q8U0N55ThI/s1600-h/jymmy+3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 165px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTdRfEBoI/AAAAAAAAAPY/1q8U0N55ThI/s200/jymmy+3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436006881355368066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTc4GlmWI/AAAAAAAAAPQ/5TpgcbNgRDM/s1600-h/jymmy+corr.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 162px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTc4GlmWI/AAAAAAAAAPQ/5TpgcbNgRDM/s200/jymmy+corr.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436006874541824354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTchYFBYI/AAAAAAAAAPI/io7x6FRiLW4/s1600-h/corrigan1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 82px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTchYFBYI/AAAAAAAAAPI/io7x6FRiLW4/s200/corrigan1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436006868441171330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance em quadrinhos “Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo” está sendo lançado no Brasil pela Companhia das Letras. O autor, o americano Chris Ware, tornou-se uma das maiores referências na história dos quadrinhos. A crítica americana o classifica como o James Joyce do gênero e “Jimmy Corrigan”, ganhador de vários prêmios literários importantes, o Ulisses das narrativas gráficas. &lt;br /&gt;Particularmente, sou leitora moderada de HQs, mas encontrei, na obra, não apenas uma originalidade na arte do desenho e diagramação, mas um refinado e denso diálogo entre texto e imagem. Não há nada no livro que possa ser visto como uma facilitação ao leitor. Ao mesmo tempo se percebe que o desejo é de comunicar os sentimentos presentes na história, que gira em torno da vida de Jimmy, um homem de meia-idade perdido entre a infância e a vida adulta,  atormentado pela presença da mãe, à qual telefona todos os dias, numa dependência psicológica bem ao estilo da tradição freudiana. &lt;br /&gt;Para o leitor habitual de quadrinhos a experiência com “Jimmy Corrigan” não se assemelha a nada antes visto. A narrativa é complexa na estrutura e na história. Não há ações ou mesmo sucessão de fatos; a história é fragmentada tanto no tempo (passado e presente se confundem em “três gerações” de Jimmy: ele próprio, seu pai e seu avô) quanto na realidade (a fantasia se mescla à vida da personagem sem que haja qualquer fronteira e vemos os sonhos de Jimmy como extensão de seu cotidiano). &lt;br /&gt;Os desenhos configuram um universo simples nas linhas e cores, mas um emaranhado nas seqüências. O fluxo de consciência, já conhecida técnica literária moderna, é levado ao grau máximo de refinamento nos desenhos. A apresentação do livro é original e na capa se tem um resumo da proposta estética do autor, que utiliza técnicas da publicidade e do design gráfico americano, imprimindo uma voz autoral na exploração dos detalhes. &lt;br /&gt;O livro traz ainda descrições técnicas, receitas e moldes de brinquedos “inventados”, que aparecem repentinamente na história, além de explicações do que seria aquele “apólogo”. O título, que faz referência a um garoto, não é mais do que outra das ironias de Ware, pois o personagem Jimmy é um adulto. A intenção é mostrar que nos adultos habita a criança e que as distorções observadas na história de um país e de um sujeito têm suas bases  delineadas numa “infância”.    &lt;br /&gt;O trabalho temporal é também apurado, tanto na representação histórica do cenário, a velha Chicago, quanto nos hábitos e nos detalhes do cotidiano, pois Jimmy é fascinado pela história do seu avô e, à medida em que se manisfesta a sua insegurança de adulto, que não consegue se relacionar com as mulheres ou ter amigos, vamos acompanhando o passado de seu avô, num movimento circular de experiências sentimentais  que comunicam o que não sabemos de Jimmy. &lt;br /&gt;Os quadrinhos não são regulares nos tamanhos e nem nas sequências lógicas. Os ângulos escolhidos dependem muito mais da carga sentimental envolvida do que do sentido da história. Tecnicamente, o resultado é muito bem sucedido. Muitas vezes, não há como não parar diante de um único quadro cujo detalhe absorve toda a carga semântica do sentimento das personagens. E com poesia. Os sonhos também são outro canal de diálogo, e há temas que se repetem neles, como o primeiro dente que a criança perde, experiência densa de sentido, tanto na história de Jimmy quanto na do avô, cuja representação imagética fascina pelos sentimentos distintos que cada uma das sequências é capaz de despertar.&lt;br /&gt;A história traz cenas violentas e sentimentos obscuros potencializados num detalhe ou numa cor, sem uma seqüência narrativa autoexplicativa, com passagens de morte, nascimento, busca e solidão. Também não se ignora que por trás da história de Jimmy, autobiográfica em certos pontos, há uma nítida referência ao sentimento de decepção diante dos novos rumos da sociedade norteamericana, que perde o ideal romântico da liberdade e de uma vida perfeita, com desenvolvimento urbano, econômico e satisfação do sujeito, para cair num apelo político e num consumo desenfreado. &lt;br /&gt;Além do desencanto, há um olhar profundamente irônico sobre o sujeito contemporâneo que transita entre a vida cotidiana e a fantasia de heróis superpoderosos. Assim, não é de se espantar que Jimmy fique intrigado quando o superman, seu herói da infância, suicida-se, atirando-se do alto do edifício onde Jimmy trabalha, depois de lhe deixar um pequeno bilhete. &lt;br /&gt;Ware compartilha com o leitor uma seqüência de experiências, tanto visuais quanto históricas, numa poética textual e gráfica elaborada, levando o leitor a deparar-se com um sujeito fragmentado, solitário, frustrado, mas ainda em busca de respostas. &lt;br /&gt;Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo/Chris Ware/ Cia das Letras/388 p/R$ 49&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2543830869923790190?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2543830869923790190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/02/o-ulisses-dos-quadrinhos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2543830869923790190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2543830869923790190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/02/o-ulisses-dos-quadrinhos.html' title='O Ulisses dos quadrinhos'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S3CTdRfEBoI/AAAAAAAAAPY/1q8U0N55ThI/s72-c/jymmy+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2693982879962115822</id><published>2010-02-06T13:04:00.000-08:00</published><updated>2010-02-06T13:07:12.619-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Policial Detetive Luiz alfredo Garcia-Roza Poe  Mistério'/><title type='text'>Um céu de origamis em paisagem carioca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S23Z-lRFnwI/AAAAAAAAAPA/nenk03UVFfs/s1600-h/ceu+de+origami1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S23Z-lRFnwI/AAAAAAAAAPA/nenk03UVFfs/s320/ceu+de+origami1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435239994484956930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênero policial mais cedo ou mais tarde nos chega. Comigo foi ainda na adolescência, com Agatha Christie e seu Hercules Poirot e Arthur Conan Doyle com o detetive Sherlock Holmes. Um pouco mais tarde, veio a descoberta de Poe e Dupin ficaria para sempre, a tal ponto que, a cada par de anos, volto à rua Morgue. Há outras dessas personagens peculiares da linha detetivesca, certamente, como o Mandrake do Fonseca, mas, no Brasil, o gênero ainda possui poucos autores dedicando-se a criar investigadores inesquecíveis. &lt;br /&gt;Há tentativas, de certo modo até bem sucedidas, de se explorar mais o gênero na literatura brasileira contemporânea. O autor de “Céu de Origamis”, Luiz Alfredo Garcia-Roza, vem se dedicando a isso, e seu delegado Espinosa é seu parceiro, conseguindo uma consistente produção de romance de mistério. &lt;br /&gt;O autor, que já publicou nove livros do gênero, demonstra intimidade com a técnica narrativa de enigma e consegue segurar a curiosidade do leitor, dando-lhe algumas surpresas. A começar pela substituição de um crime por um desaparecimento, no desenrolar do mote inicial, já que, obviamente, romance policial que se preze deixa por aí um corpo.  Assim é que um dentista, numa certa manhã, após fazer tudo igual ao que sempre fez, desaparece e com isso temos o delegado Espinosa a postos. Com uma personagem femme fatale rondando-o, claro.&lt;br /&gt;A narrativa traz mudanças, leves, na figura de Espinosa (o delegado-detetive que aparece nos demais romances do autor), que agora ganha mais espaço de intimidade familiar, como a volta do filho que foi criado nos Estados Unidos e que, além de dar mais chance ao Espinosa de se mosrar uma personagem mais densa (notam-se conflitos ideológicos entre os dois que passam a dividir a casa pela primeira vez), vai deixar a trama mais inquietante, pois chega cheio de mistérios, nunca sabemos porque veio, e se envolve com uma das personagens ligadas ao dentista desaparecido.&lt;br /&gt;O delegado assume o caso, primeiramente, como amador, já que está afastado da delegacia por estar se recuperando do problema de saúde enfrentado no romance anterior, e depois como profissional, voltando a sua delegacia, e essa mistura faz bem ao romance, porque explora-se mais a análise dos mistérios. O romance é até mais interessante na primeira parte.&lt;br /&gt;Apesar de se notar a habilidade narrativa de Garcia-Roza, o desenvolvimento das personagens é superficial e os clichês aparecem muitas vezes, ainda que se vislumbre um potencial psicológico por ali. Também há alguns erros na trama, estranhos para um autor experiente, como o fato de o filho do delegado descobrir que o restaurante no qual almoçou com a jovem envolvida no “crime” (com quem ele acaba desenvolvendo uma relação) não funciona como restaurante; o edifício que ela diz morar ninguém com seu nome vive; a jovem troca de nome e isso toma um tempo grande da trama, mas, esses fatos jamais voltam à tona; perdem-se por ali, revelando-se um deslize de continuidade.&lt;br /&gt;O romance, se lido dentro do conjunto da obra do autor, tem bastante qualidades. Os aspirais, as pistas e as confusões agarram e mantêm o leitor, e o delegado, menos impulsivo, menos de ação e mais observador e analítico, charmosamente, segura o crime e nos deixa sob um céu de origamis em uma Copacabana bem carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céu de origamis/Luiz Alfredo Garcia-Roza/Companhia das Letras/262p./39 reais&lt;br /&gt;Publicado no Jornal A tarde, caderno 2+,  06/02/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2693982879962115822?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2693982879962115822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/02/um-ceu-de-origamis-em-paisagem-carioca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2693982879962115822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2693982879962115822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/02/um-ceu-de-origamis-em-paisagem-carioca.html' title='Um céu de origamis em paisagem carioca'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S23Z-lRFnwI/AAAAAAAAAPA/nenk03UVFfs/s72-c/ceu+de+origami1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-6907658197567611984</id><published>2010-01-27T09:07:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T09:13:11.796-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hotel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ali smith'/><title type='text'>Vida e morte em corredores de hotel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S2B0Em5LeAI/AAAAAAAAAO4/6zrrv2nbie4/s1600-h/hotel+mundo+ft.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S2B0Em5LeAI/AAAAAAAAAO4/6zrrv2nbie4/s320/hotel+mundo+ft.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431468773117491202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S2B0EUXQEgI/AAAAAAAAAOw/x8D_FzOkioI/s1600-h/ali+smith.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 274px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S2B0EUXQEgI/AAAAAAAAAOw/x8D_FzOkioI/s320/ali+smith.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431468768143348226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu faria se tivesse só uma fração desse tempo com todo o peso do meu corpo de novo se pudesse (e dessa vez eu ia me jogar de propósito uuuuu –&lt;br /&gt;- huuuuu dessa vez eu ia contar no caminho, um elefante dois elef-ahh) se eu pudesse sentir de novo, como bati no chão, do porão, vinda de quatro andares de altura, dos pés à cabeça, morta à beça. Perna morta. Braço morto. Mão morta. Olho morto. Eu morta, quatro andares entre mim e o mundo, foi só isso que precisou para me levar, foi a medida, a dimensão e a morte, a curta desped-.”&lt;br /&gt; A sensação que eu tive foi a de que assistia a um filme de trás para a frente enquanto entrava na intimidade das personagens. Isso foi uma tacada de mestre da escritora escocesa Ali Smith: aproximar cinema e literatura, morte e vida, lugar nenhum e o lugar mais íntimo de cada um em seu livro “Hotel Mundo”, que venceu, em 2002, o “Scottish Arts Council Book of the Year Award”.&lt;br /&gt; Lançado no Brasil em 2009, o livro traz cinco personagens, todas mulheres, que tem as suas vidas vinculadas a um hotel. O que seria um final trágico é o início de tudo: a jovem camareira Sara cai do fosso do elevador do hotel em que trabalha e morre. E ela própria nos conta isso.&lt;br /&gt;Descrito, o acidente, com uma linguagem criativa e fragmentada, mas com o ritmo de uma queda e do que seriam aqueles milésimos de segundos que se desdobram em mil, conforme se prega a lenda de quem esteve à beira da morte, o leitor consegue, como se diante de uma tela de cinema, experimentar as imagens detalhadamente enquanto mergulha com Sara nas suas memórias de viva e nas suas descobertas de morta. &lt;br /&gt;A duração da queda é uma unidade de tempo importante e revela as peças de um jogo da autora: o tempo não é físico,  é linguagem e é metáfora de como se sente a vida, assim como o hotel, mesmo que um espaço físico no romance e o cenário de cinco narrativas, é também uma metáfora de transitoriedade, de “lugar nenhum”. É nesse jogo que consiste, talvez, os grandes movimentos literários feitos por Smith, pois o espaço, o tempo, a vida e a morte se transformam em matéria e se deslocam de seu propósito.&lt;br /&gt;A banalidade do cotidiano é transformada em algo profundo; cada fragmento de vida daquelas mulheres não é desprovido de sentimentos; cada detalhe da história interage com um ponto de desejo, lembrança, desespero ou solidão. &lt;br /&gt;As personagens, desde Sara, que passa a vagar por uma cidade qualquer depois de sua morte, passando por Else, uma moradora de rua que questiona o “outro” que invade o seu espaço, a irmã caçula de Sara, Claire, que mergulha em uma busca pela tragédia de sua irmã para não perder a si mesma diante daquela falta, Lise, a recepcionista que desdobra-se em desejo de ser uma pessoa melhor e de deixar o mundo das “doenças”, e até a redatora de guia de hotéis Penny, entediada e desiludida, vão seguir um caminho: aproximar e ao mesmo tempo distanciar o leitor a uma terceira realidade, a que não está na vida e nem na morte, mas nos mistérios que envolvem morte e vida.&lt;br /&gt;O fluxo de consciência das personagens, usado pela autora em todas as seqüências, cola-se aos fatos narrados e à linguagem inventiva, original e fragmentada. Com páginas inteiras sem pontuação, Ali Smith usa a estrutura da escrita de internet, da escrita de artigos e cartas, de oralidade e de verborrágicos tratados. O seu estilo narrativo, que muda a cada personagem que é introduzida, e o evidente jogo de espelhos, multiplica as possibilidades de que haja uma história maior, uma que possivelmente vai mostrar que tudo aquilo é memória  de “uma só”. &lt;br /&gt;Ali Smith já havia deixado suas marcas em outras obras, como “Por acaso” e “Garota encontra garoto”, mas “Hotel Mundo” é um grande livro que condensa o que de melhor há nos anteriores. E ainda nos deixa o gosto de autores que poderíamos colecionar por ali, de diferentes tradições e países, como Joyce, Ana Cristina César, Clarice, Diamela Eltit. &lt;br /&gt; “Hotel Mundo” poderia ser um filme. Denso, não linear e cheio de flash back. Mas é literatura e diante disso não se escapa: a nossa alma está presa ao olho “de dentro”. Ver desde ali, daquele ponto cego interno, a queda de Sara, é a única forma de ver tudo o que o olho “não vê”. Mortos e vivos podem ser uma coisa só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hotel Mundo/Ali Smith/ Trad. Caetano W. Galindo/Companhia das Letras/ 232 p/R$ 45&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ 25/01/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-6907658197567611984?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/6907658197567611984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/vida-e-morte-em-corredores-de-hotel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6907658197567611984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/6907658197567611984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/vida-e-morte-em-corredores-de-hotel.html' title='Vida e morte em corredores de hotel'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S2B0Em5LeAI/AAAAAAAAAO4/6zrrv2nbie4/s72-c/hotel+mundo+ft.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-5657389453575332144</id><published>2010-01-19T10:04:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T10:09:25.683-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Le Clezio Bolero Fome Ilhas Maurício'/><title type='text'>Refrão da Fome, de J.M.G Le Clézio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1S6LEmlI/AAAAAAAAAOo/Az9iNeaoT2c/s1600-h/refrao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1S6LEmlI/AAAAAAAAAOo/Az9iNeaoT2c/s200/refrao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428514631067146834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1STtb4wI/AAAAAAAAAOg/v6UD1jlzcZk/s1600-h/bolero-poster.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 137px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1STtb4wI/AAAAAAAAAOg/v6UD1jlzcZk/s200/bolero-poster.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428514620742296322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1SCU3_qI/AAAAAAAAAOY/9pFgviUlm8w/s1600-h/Trish-Biddle-Bolero-20079.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1SCU3_qI/AAAAAAAAAOY/9pFgviUlm8w/s200/Trish-Biddle-Bolero-20079.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428514616075878050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1R6WUxgI/AAAAAAAAAOQ/gJ-9oWe6G2s/s1600-h/Jean-Marie_Le_Clezio_imagen_archivo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 147px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1R6WUxgI/AAAAAAAAAOQ/gJ-9oWe6G2s/s200/Jean-Marie_Le_Clezio_imagen_archivo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428514613934474754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há  pouco tempo saiu, no Brasil, o último romance do vencedor do Nobel de 2008, Jean Marie Gustave Le Clézio, “Refrão da fome”. O autor francês, que fez das Ilhas Maurício o seu lar, traz mais uma obra com inspiração autobiográfica.&lt;br /&gt;O livro está centrado na figura da mãe do autor, uma moça que cresceu em Paris no período entre as guerras mundiais. Na figura da personagem Ethel e nas rodas de imigrantes da primeira geração, chegada das Ilhas Maurício, a fantasia convive de forma perigosa e suicida com a realidade. A história narra a falência econômica da burguesa família Brun, originária das colônias, em paralelo com a história da neurótica preparação ambiental da Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;  A família é composta por três pessoas, mãe, pai e a única filha, a jovem Ethel, uma adolescente vivaz, criativa, que perde seu avô a quem devotava uma profunda amizade e vivencia a solidão da adolescência entre o mundo dos adultos, os quais descobre ardis e maquiavélicos, e a atraente cena à margem de casa.  Experimentando, entre mundos e sentimentos ligados ao maravilhoso, os primeiros amores por uma amiga de sua idade e depois descobrindo a realidade de forma bastante crua, Ethel vai direcionar o leitor para ser o espectador de uma história familiar, conservada com tons de memória grandiosa, ao mesmo tempo em que se observam os ecos de uma tragédia para o mundo.&lt;br /&gt; Le Clézio, que foi um escritor experimental e mais ousado na sua juventude, é mesmo um mestre em narrar sem que aparentemente ocorram grandes fatos e quando, no “Refrão”, descreve-nos o céu, os caminhos, as casas, as pessoas e os encontros, está mostrando a ascenção de Hitler, a ocupação alemã na França, o extermínio dos judeus, a queda do nazismo e a vitória dos aliados. O autor se mostra muito equilibrado no manejo da linguagem e do ritmo, e por trás de uma aparente simplicidade esconde-se uma complexidade e um trabalho artesanal de muito tempo que não deixa de ser percebido. &lt;br /&gt;Entretanto, há um excesso de recordações na narrativa que parece ter mais sentido para o autor do que para o próprio romance, este oferecido aos leitores como um manancial de experiências. Muitas vezes, a sensação é de estar sendo testemunha não da história do outro, mas da tentativa do outro de contar a sua história, a qual se escuta mais por educação do que por interesse. Isso ocorre em algumas das passagens do livro. Com mais de duzentas páginas, muitas dedicadas às lembranças das Ilhas Maurício, a narrativa se torna um pouco cansativa com tanta evocação, já que o leitor comprometido tenta submergir-se nesse convite à memória alheia, tarefa que em duzentas páginas resulta ingrata se não é  oferecida algum tipo de recompensa.&lt;br /&gt; Mas ainda com esse perigo, o bolero que se pode escutar no romance e a caminhada de Ethel naquele mundo burguês se fraturando, entre o medo, a tensão e a vontade, enquanto a cena lá fora também se tensiona e se mostra terrivelmente cinza, fazem do romance uma obra que merece a atenção do leitor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refrão da fome/ J.M.G. Le Clézio/Cosac Naify/ 249 p/ $ 49 reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal A tarde, caderno 2+ 16/01/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-5657389453575332144?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/5657389453575332144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/refrao-da-fome-de-jmg-le-clezio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5657389453575332144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/5657389453575332144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/refrao-da-fome-de-jmg-le-clezio.html' title='Refrão da Fome, de J.M.G Le Clézio'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1X1S6LEmlI/AAAAAAAAAOo/Az9iNeaoT2c/s72-c/refrao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2868514665130676288</id><published>2010-01-19T10:00:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T10:03:34.778-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Infantil Religião Luiz Antonio Daniel Kondo Minhas Contas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Museu Trompo Magico'/><title type='text'>Vestindo cores, usando contas e discutindo Deus: a fé das crianças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1Xz781_DqI/AAAAAAAAAOI/IeqqceIW1pg/s1600-h/minhascontas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1Xz781_DqI/AAAAAAAAAOI/IeqqceIW1pg/s320/minhascontas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428513137135390370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1Xz7jiZJvI/AAAAAAAAAOA/XjobNDXWveg/s1600-h/minhas+contas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 220px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1Xz7jiZJvI/AAAAAAAAAOA/XjobNDXWveg/s320/minhas+contas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428513130342328050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Encontrei Pedro e expliquei que todas as religiões são especiais. Que, até se a pessoa não tiver religião nenhuma, a gente tem que respeitar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Muito bem recebido é o livro “Minhas Contas”, de Luiz Antonio, que está sendo lançado pela Cosac Naify e foi um dos finalistas do prêmio Jabuti na categoria infantil. O livro, ilustrado pelo artista Daniel Kondo, narra a história da amizade entre Nei e Pedro, duas crianças de religiões diferentes, muito amigos, que de repente se vêem obrigados a se afastar por conta dos adultos preconceituosos.  &lt;br /&gt;Esse mundo que vivemos sonhando para as crianças, o mundo da diversidade e da harmonia entre os diferentes, é também o que cada vez mais se torna intolerante.Talvez um dos temas mais tensos da atualidade seja mesmo o da religião, afinal, é em nome dela que toda uma guerra se dá no Oriente Médio. Mas aqui, ao nosso lado, seja entre os edifícios ou as gameleiras, o tema também gera graves conflitos e não são poucos os que o discutem. Assim, a literatura para crianças também se mostra um espaço de representação e experimentação dessas tensões, como se pode ver em “Minhas Contas”. &lt;br /&gt;Há poesia na obra de Antonio. O lúdico se une ao sério em frases sólidas e belas, sem desperdícios poéticos e sem excessos. Nei é um menino do Candomblé, que todos os dias usa as suas contas coloridas e vai brincar com seu inseparável amiguinho Pedro. Um dia, a mãe de Pedro proíbe Nei de freqüentar a sua casa e de brincar com o filho porque ele usa “coisas de macumbeiro”. A partir daí, vamos acompanhando o dilema do menino,  tanto nas descrições de seus pensamentos quanto nas imagens e cores que vão dar ao leitor um retrato de suas emoções.  &lt;br /&gt;A linguagem verbal e não verbal se aproximam muitas vezes, complementando-se, como nas partes  em que lemos os fatos ocorridos e vemos detalhes ligados à indumentária, acessórios e mitologia do candomblé, mas, em outros instantes, essas linguagens têm cada uma a sua dimensão própria e são, para mim, os momentos mais férteis, pois as imagens revelam a profundidade dos sentimentos do menino de forma quase abstrata, com cores e nuances propondo as mudanças desses sentimentos e revelando a intensidade dos mesmos. São momentos, no livro, em que a força do preconceito aparece fortemente trabalhada, emocionando-nos com as representações da depressão, dos conflitos, do medo, da dúvida e da dor de perder um amigo amado por conta de seu amor ao seus deuses. O trabalho visual mais abstrato de Daniel Kondo impressiona pela combinação de cores e traços, cada uma das técnicas deixando a sua força. &lt;br /&gt;O autor estreante Luiz Antonio é um paulistano que descobriu e vivenciou aspectos ligados ao candomblé e se uniu ao artista Daniel, do Rio Grande do Sul, para deixar às crianças, e aos adultos, essa lúdica e sensível incursão por um tema delicado e carente ainda de muitas discussões, especialmente junto aos pequenos. O livro conta com uma ilustração já famosa, tendo sido escolhida para representar o Brasil num catálogo internacional, no Museu Trompo Mágico, no México. &lt;br /&gt;Apesar de que, em alguns momentos, o tom pedagógico seja demasiado visível, a obra se revela digna das cabeceiras e rodas de leitura e vai somar ao leque da crescente produção para crianças que, diga-se de passagem, vem crescendo em qualidade e conta com alguns bons nomes. &lt;br /&gt; Para as crianças e para nós os crescidinhos, vale a pena pensar nas palavras que a avó de Nei lhe diz: “Se Deus é um só em todas as religiões, por que as pessoas se preocupam com o jeito com que os outros amam esse Deus? Cada um ama de um jeito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas Contas/ Luiz Antonio/ Ilustração/ Daniel Kondo/Cosac Naify/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no A tarde, caderno 2+&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2868514665130676288?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2868514665130676288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/vestindo-cores-usando-contas-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2868514665130676288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2868514665130676288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/vestindo-cores-usando-contas-e.html' title='Vestindo cores, usando contas e discutindo Deus: a fé das crianças'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S1Xz781_DqI/AAAAAAAAAOI/IeqqceIW1pg/s72-c/minhascontas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-7888600618513241672</id><published>2010-01-10T12:05:00.000-08:00</published><updated>2010-01-10T12:06:01.534-08:00</updated><title type='text'>Curto circuito - Farol da Barra</title><content type='html'>http://picasaweb.google.com/baixaresolucao/CurtoCircuitoBARRA#&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7888600618513241672?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7888600618513241672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/curto-circuito-farol-da-barra.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7888600618513241672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7888600618513241672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/curto-circuito-farol-da-barra.html' title='Curto circuito - Farol da Barra'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1747829071116979730</id><published>2010-01-08T05:24:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T10:16:48.995-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carrinho multimídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ana dumas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maira cristina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catharina paraguassú'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='farol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='marcela bellas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='silvana rezende'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='karina rabinovitz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mario mukeka'/><title type='text'>Sound Sister's e carrinho multimídia</title><content type='html'>O coletivo de mulheres, ultramoderno e criativo, Sound Sister lançou mais uma ação neste verão que começa. O curto circuito foi do Farol ao Porto da Barra e contou com a participação da cantora baiana Marcela Bellas (bela voz, trabalho original, performance impecável: cd imperdível) e da Escola de Samba Catharina Paraguassú (com uma percussão feita de antena parabólica! todo mundo pode chegar e tocar, os inventos são assinados por Mário Mukeka: bem a la Smetak). As sisters da vez foram Miss Blecape dirigindo o carro e comandando a festa, Dj Maira Cristina nos Ipods, a artista audiovisual Silvana Rezende cinegrafando e Karina Rabinovitz na poesia. Foi linda a festa, é bacana o movimento e o projeto das sisters. Quem acha que tradição e tecnologia, rua e arte ou sol e festa não "combinam" está bem por fora. E o manifesto do coletivo do carrinho é tudo de bom para quem pensa a arte e a democracia da arte. Vale a pena conferir e aderir.Um videozinho de ensaio no farol...&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-97ad0684439ce339" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" 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href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S0PA5U7ISSI/AAAAAAAAANM/LSMvNV5_VlE/s1600-h/clarice_lispector2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 306px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S0PA5U7ISSI/AAAAAAAAANM/LSMvNV5_VlE/s320/clarice_lispector2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423390467386001698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S0PA5bngMMI/AAAAAAAAANE/tz0fUeIf3S8/s1600-h/clarice%2Bbenjamin-moser1557224856.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S0PA5bngMMI/AAAAAAAAANE/tz0fUeIf3S8/s320/clarice%2Bbenjamin-moser1557224856.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423390469182730434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milena Britto – Professora do Instituto de Letras da UFBA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora brasileira mais enigmática é Clarice Lispector. E talvez por isso seja difícil não se comover diante da promessa de revelações sobre a sua vida. Há duas semanas, desde que recebi o exemplar da sua nova biografia (ou talvez mais acertadamente “ensaio biográfico”, como sugere Rachel Lima), que eu andava perplexa diante da possibilidade de descobertas naquelas páginas. &lt;br /&gt;A obra do tradutor e crítico literário Benjamin Moser, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Why this world&lt;/span&gt;, recebeu, em português, o bem pensado título &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Clarice&lt;/span&gt;,. Assim mesmo, o primeiro nome dela acompanhado de uma vírgula –– a própria Clarice adotou uma vírgula como início de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres&lt;/span&gt; –– e pode ser lido como uma espécie de vocativo ou como o início de uma explicação sobre o “objeto”. E às duas coisas se presta, de fato, o título. &lt;br /&gt;Mas porque querer saber tanto sobre ela? É a pergunta primeira. Assim, Moser surge como uma espécie de lighthouse man  e queremos dele tudo o que nos ajude a decifrar Clarice, “uma esfinge” como bem lembrou Nancy Vieira, para chegar mais perto de sua obra.&lt;br /&gt;Nascida em um pequeno povoado da Ucrânia, Clarice carregou a marca de estrangeira, a despeito de sua intenção de tornar menor e imperceptível o fato de ser uma judia nascida em outro país. Era o Brasil que ela queria como sua terra, conforme ela mesma diz em uma de suas muitas viagens, olhando desde um terraço para uma floresta escura e gelada na Rússia, lugar mais próximo de sua terra a que chegou: “Mas eu pertenço mesmo é ao Brasil”. Esse é um dos temas sobre os quais se debruça o autor da mais recente e extensa biografia de Clarice: sua origem. E com isso traz a reconstrução histórica do período em que a família Lispector se vê obrigada a deixar a Ucrânia para não sucumbir aos cruéis horrores que os sionistas experimentavam depois da Revolução Russa.&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Clarice,&lt;/span&gt; acaba de ser publicado no Brasil, mas já causou alvoroço nos Estados Unidos, ganhando destaque no New York Times e no Economist, e chegando à lista dos 10 livros mais “notáveis” de 2009. É a primeira biografia de Clarice a sair lá, enquanto aqui temos a de Olga Borelli. &lt;br /&gt;Moser escolheu seguir um caminho didático e cronológico, explorando o contexto histórico em que viviam os pais de Clarice, e termina por oferecer dados significativos sobre a situação dos judeus no Brasil. Contudo, algumas das alusões à família são frágeis, pois não passa de interpretação sobre as obras escritas por Elisa, irmã de Clarice, e de fragmentos da escrita da própria biografada. Um exemplo é o suposto estupro sofrido pela mãe da escritora  e a sífilis que a teria acometido como conseqüência da violência sofrida, o que a teria levado, depois de muito sofrimento, a uma morte dolorosa que estaria para sempre na memória de Clarice e de suas irmãs.&lt;br /&gt;O autor, com a sua excelente condição de pesquisa, percorreu quase todos os lugares pelos quais teria passado Clarice e recolheu, de fato, muitas informações relevantes. Em alguns momentos, as aproximações feitas entre obra e vida soam forçadas, mas, em outros, Benjamin realmente encontra ecos da vida na obra, o que não é de se estranhar em se tratando de escrita tão visceralmente íntima. Assim, uma Clarice mais completa vai surgindo, transparente em alguns momentos, complexa em outros. &lt;br /&gt;A relação com as irmãs e com o marido, a sua paixão por Lúcio Cardoso e por Paulo Mendes Campos, a sua impotência desesperada diante da enfermidade de Pedro, o filho que desenvolveu esquizofrenia ainda criança, a sua crescente dependência de antidepressivos e a sua tristeza depois da grave queimadura que sofreu, quando adormeceu com um cigarro aceso incendiando a casa,  revela uma Clarice absurdamente humana, como ela sempre desejou.&lt;br /&gt;E foi seguindo as pistas de Moser que parei, diante do pôr-do-sol da Barra, com o livro abraçado ao corpo, perguntando-me como Clarice poderia sair daquela sombra que pairava sobre ela. E a resposta simples, oferecida por Sérgio Cerqueda, quase constrange-me: “Mas Clarice nunca foi sombra, ela é pura luz”. Está, portanto, resolvido o problema. Benjamin não ilumina Clarice, ela, sim, a ele e a nós, deixando-nos mais perto do que lhe é mais caro: sua literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice,/Benjamin Moser /Editora Cosac Naify/ tradução de José Geraldo Couto/ 648 páginas/ R$ 79&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trechos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Tornou-se cada vez mais comum referir-se a Clarice como um monstre sacré, uma pessoa cuja combinação de gênio e estranheza situavam de algum modo fora da sociedade humana normal. O epíteto lhe desagradava terrivelmente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não  havia característica que Clarice Lispector mais quisesse perder do que o local de nascimento. Por essa razão, a despeito da língua que a prendia lá, a despeito da honestidade por vezes terrível de sua escrita, sua reptuação é de ter sido um tanto mentirosa. Mentiras inocentes, como os poucos anos que tendia a subtrair de sua idade, são vistas como coqueterias de uma bela mulher. No entanto, quase todas as mentiras que contou tinham a ver com as circunstâncias de seu nascimento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Enquanto Clarice tentava, ainda que de modo doloroso e incompleto, abrir-se para o mundo, seu primeiro amor, o herói de sua adolescência, Lúcio Cardoso, estava morrendo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Numa época em que até visitas ao psicanalista muitas vezes eram realizadas às escondidas, em que qualquer problema psicológico era visto como uma vergonha, Clarice não tinha a quem recorrer, e à medida que Pedro [o filho] ficava mais doente a sensação de solidão dela foi se tornando implacável.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ulisses [o cão] era um amigo para Clarice, é claro, e o amor dela por animais e crianças era um amor por sua inocência e ternura. Eles absorviam avidamente o amor que, quando dirigido a adultos, trouxera a ela tantas decepções.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Publicado no caderno 2+ do A tarde em 02/01/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7907270407747929661?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7907270407747929661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/um-por-do-sol-com-clarice.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7907270407747929661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7907270407747929661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2010/01/um-por-do-sol-com-clarice.html' title='Um pôr-do-sol com Clarice'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/S0PA5tqVAUI/AAAAAAAAANU/A0RQN8hQ4SU/s72-c/clarice-lispector1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2670297093107320337</id><published>2009-12-29T10:01:00.000-08:00</published><updated>2009-12-29T10:03:05.380-08:00</updated><title type='text'>Maria Del Carmen Perez Sola</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpEUV_h-OI/AAAAAAAAAM8/MlOIoAQvLeQ/s1600-h/livio_itapecerica-sola.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpEUV_h-OI/AAAAAAAAAM8/MlOIoAQvLeQ/s320/livio_itapecerica-sola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420720217785497826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpEUO8G_PI/AAAAAAAAAM0/ltMYCA0m6wI/s1600-h/perez_sola.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 298px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpEUO8G_PI/AAAAAAAAAM0/ltMYCA0m6wI/s320/perez_sola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420720215892098290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2670297093107320337?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2670297093107320337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/maria-del-carmen-perez-sola.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2670297093107320337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2670297093107320337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/maria-del-carmen-perez-sola.html' title='Maria Del Carmen Perez Sola'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpEUV_h-OI/AAAAAAAAAM8/MlOIoAQvLeQ/s72-c/livio_itapecerica-sola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-7526187871748403050</id><published>2009-12-29T09:59:00.000-08:00</published><updated>2009-12-29T10:01:26.381-08:00</updated><title type='text'>Käthe Kollwitz</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpD7bXCFsI/AAAAAAAAAMs/pToXpFu3OEc/s1600-h/kathekollwitz.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 217px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpD7bXCFsI/AAAAAAAAAMs/pToXpFu3OEc/s320/kathekollwitz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420719789729519298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-7526187871748403050?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/7526187871748403050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/kathe-kollwitz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7526187871748403050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/7526187871748403050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/kathe-kollwitz.html' title='Käthe Kollwitz'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/SzpD7bXCFsI/AAAAAAAAAMs/pToXpFu3OEc/s72-c/kathekollwitz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-2099912150338591203</id><published>2009-12-21T09:10:00.000-08:00</published><updated>2010-05-21T19:05:50.799-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dan Brown Maçonaria Símbolo Washington best-seller'/><title type='text'>Os labirintos da maçonaria</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sy-s3K0LinI/AAAAAAAAAMk/Uo-IAvX5bQM/s1600-h/14_MVG_cult_simbolo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sy-s3K0LinI/AAAAAAAAAMk/Uo-IAvX5bQM/s320/14_MVG_cult_simbolo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417738940545993330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Naquela noite, enquanto Mal’akh descia a rampa, os sigilos e sinais tatuados em sua carne pareciam ganhar vida sob o brilho celeste da iluminação do porão. Antes de adentrar a névoa azulada, ele passou por várias portas fechadas e encaminhou-se diretamente para o maior dos cômodos, no final do corredor.”&lt;br /&gt;Perante a quantidade de críticas impiedosas que o novo best-seller de Dan Brown, O símbolo perdido, vem recebendo pelo mundo afora, é difícil ser original e dizer algo que não tenha sido dito. É que, no fim das contas, não é preciso grande erudição para perceber a falta de qualidades literárias numa obra desenhada para, no máximo, entreter e, sobretudo, para vender. Trata-se, em realidade, de uma repetição nada imaginativa da mesma fórmula usada em O Código Da Vinci: uma conspiração tramada por um vilão e a correria do protagonista Langdon para desvendar o mistério oculto, pseudo-ciência barata, uma dose de polêmica religiosa (bem mais moderada, no caso de O símbolo perdido), infinidade de clichês e lugares comuns disfarçados de revelações filosóficas e um suspense fácil que é a chave do page turner. O resultado é, como disse o crítico espanhol Rodrigo Fresán, “um folhetim cruzado com guia de turismo e a reciclagem de inverossímeis teorias já enunciadas até o cansaço”. &lt;br /&gt;Entretanto, imunes à crítica e demais advertências (um jornal católico italiano esbraveja por não ser o romance suficientemente hostil à maçonaria, a Sociedade Maçônica o critica por conter erros e mistificações, amantes de Washington lamentam a imagem criada da cidade), leitores de todo o mundo correm às livrarias, atingidos por esse fenômeno inexplicável da indústria do best-seller. Em dois dias, mais de um milhão de cópias foram vendidas nos Estados Unidos, Canadá e no Reino Unido. Segundo informações divulgadas pela Doubleday, a primeira edição é de 6,5 milhões (a maior edição na história da Random House). O precedente de O Código de Da Vinci (mais de 81 milhões de livros vendidos desde o seu lançamento em 2003 e um filme homônimo protagonizado por Tom Hanks que ganhou mais de 758 milhões de dólares), somado à expectativa de seis anos de espera, garante a este novo romance vendas milionárias.&lt;br /&gt;Mas o fenômeno não é tão inexplicável assim. A estrutura de folhetim, usando aqui a associação feita pela pesquisadora Nancy Vieira, com elementos de romance policial e os mistérios que envolvem religião, é por demais atraente. Leitores se sentem verdadeiros detetives e, ao mesmo tempo, sentem que vão ser especiais ao descobrirem o mistério religioso que as tramas de Dan Brown oferecem. A atração por isso chega a ser quase inevitável e não foram poucos os que, mesmo se dizendo críticos e amantes de Literatura, submeteram-se compulsivamente à leitura do Código Da Vinci. Esta que vos escreve agora passou também por isso. Contudo, a curiosidade se esgota logo diante das fórmulas repetitivas e depois nada fica dessas personagens, ao contrário de outros livros, como “O nome da rosa”.&lt;br /&gt;Se a fórmula da construção do romance é a mesma utilizada no Código, a temática e o local da história são diferentes. Em vez da Igreja Católica e a Opus Dei, temos a maçonaria; em vez de Paris, temos Washington. O vilão, neste caso, chama-se Mal’akh, um eunuco musculoso e tatuado dos pés a cabeça, que seqüestra o amigo e mentor Peter Salomon, numa sequência de ações misteriosas, envolvidas em tensões e quebra-cabeças. Nem ele nem as outras personagens são desenvolvidas para além da superfície, e suas ações não fazem necessariamente muito sentido, mas isso não deixa preocupado o autor. A única coisa que parece lhe importar é criar os cenários e as situações necessárias para uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, mesmo que inverossímeis. &lt;br /&gt;A fascinação geral pelo mistério e pelo oculto é explorada nos segredos da maçonaria (sem que, evidentemente, o autor tenha tido acesso a eles), e o gosto pelo esoterismo e o além é satisfeito por uma mistura bizarra de suposta ciência e fórmulas(inhas) fáceis do “poder da mente sobre a matéria”, chamada “ciência noética”. E o pior: o autor tenta nos dizer que isso tudo “é verdade”… e podemos entrever um sorrisinho cínico e nada elogioso para a nossa inteligência.&lt;br /&gt;Com essas matérias primas está posta a andar a engrenagem da máquina de fazer dinheiro. Milhões de livros vendidos e muitos mais por vender, traduções às pressas a dezenas de línguas, um filme em vias de criação por Columbia Pictures, “Dan Brown tours” aos locais em Washington onde se desenvolve a história, videogames e toda a enxurrada de subprodutos imagináveis. It’s show business.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Símbolo perdido/ Dan Brown/Sextante Ficção/512 p/R$39,90&lt;br /&gt;Publicado no caderno 2 do Jornal A tarde em 19/12/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-2099912150338591203?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/2099912150338591203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/os-labirintos-da-maconaria.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2099912150338591203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/2099912150338591203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/os-labirintos-da-maconaria.html' title='Os labirintos da maçonaria'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sy-s3K0LinI/AAAAAAAAAMk/Uo-IAvX5bQM/s72-c/14_MVG_cult_simbolo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-22145428734254883</id><published>2009-12-18T03:47:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T03:52:09.440-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aldeia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amós Oz'/><title type='text'>A aldeia de Amós Oz</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Syts4Da2JaI/AAAAAAAAAMc/ZYadwA6qJ7Q/s1600-h/cenas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Syts4Da2JaI/AAAAAAAAAMc/ZYadwA6qJ7Q/s320/cenas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416542687089534370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Milena Britto – Professora do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias em “Cenas da vida na aldeia”, de Amós Oz, deixam-nos suspensos de perplexidade, com uma sensação de angústia nebulosa, de perda e de incompletude. Sem falar de nenhum evento político envolvendo Israel e Palestina, Amós consegue trazer ao leitor uma atmosfera ríspida e incitá-lo no desejo de adentrar-se pelos arquétipos humanos que levam uma vida simples, aparentemente, mas com um peso não dito impossível de se ignorar. Tel Ilan, aldeia imaginária nas montanhas de Menashé, em Israel, é o cenário onde todas as histórias (menos a última) se desenvolvem. Aldeia antiga “que já completou os cem anos”, repete o narrador insistentemente, chamando a atenção para a relação do tempo com a geografia, num paradoxal sentimento do que é considerado velho, pois cem anos é absolutamente nada para uma aldeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance é composto de histórias que, lidas individualmente, são contos inteiramente independentes. As personagens de quem trata cada “conto” reaparecem em outros capítulos, mas apenas como figurantes, como pano de fundo para outras histórias. Multiplicidade de experiências individuais (cenas de vida) que compõem um panorama mais amplo que, lido como um todo, adquire uma unidade e um sentido distinto. Essa estrutura de capítulos independentes, o recurso de personagens reaparecerem e a mesma cidade ser cenário de todas as narrativas é, sem dúvida, uma referência ao escritor norte americano Sherwood Anderson, assumidamente uma influência para Oz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fio condutor que une as histórias é a perda (de pessoas, de passados, de liberdade). O sobrinho que a doutora Steiner espera não chega no ônibus onde deveria estar. O presidente do conselho procura sua mulher, que deixou um bilhete dizendo que ele não deve se preocupar e desaparece de casa. O ex-deputado Pessach Kedem briga, inconformado, com um passado traído e um presente desprovido de sonhos. A própria aldeia parece estar se perdendo, os seus habitantes se tornando apenas curiosidades exóticas de um passado anacrônico. Enquanto o turismo invade a aldeia, as casas transformam-se em pousadas, abrem-se boutiques e restaurantes. O passado parece estar se desmoronando, como se algo estivesse sendo cavado sob os alicerces, como na casa de Pessach Kedem, onde todas as noites se escuta o trabalho de gente misteriosa cavando sob o porão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, neste sentimento de perda, uma dose de melancolia, de saudade de tempos outros. Mas há, também, uma sensação de que, nesse passado, escondem-se fantasmas, coisas que amedrontam, pequenos e grandes crimes, transgressões irresolutas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda, porém, não leva ao fatalismo, à imobilidade ou ao desespero, mas a uma busca contínua. Trata-se de buscas inconclusas, do mesmo jeito que as próprias histórias são inconclusas. Essa falta de fechamento, esse suspense no qual o autor nos deixa uma e outra vez, faz-nos pensar que nem tudo foi dito. O mundo que Amós Oz nos mostra é sombrio, mas não desprovido de esperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenas da vida na aldeia pode ser lido como uma alegoria do Estado de Israel (embora o autor não goste disso), ou como um comentário sobre a angústia dos nossos tempos, ou até como uma reflexão sobre a idade e o processo de envelhecer. Certamente o conto (ou capítulo) “Os que cavam” contém comentários muito agudos sobre o Israel e as relações entre os judeus e os árabes. Quando Pessach Kedem questiona Adel, o jovem árabe que trabalha na sua casa, qual é a diferença entre israelenses e palestinos, Adel responde que ambos são infelizes, porém “Nossa infelicidade é por nossa causa e também por causa de vocês. Mas a infelicidade de vocês vem da alma.” E quando Pessach Kedem, desconfiado, diz à sua filha que Adel não gosta deles, ele acrescenta: “E por que gostaria de nós? Eu também não gosto de nós. Simplesmente não há do que gostar.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, qualquer interpretação redutiva faz violência à obra de Amós Oz. O romance é isso tudo (comentário político, reflexão existencial), mas é muito mais. O romance não é uma alegoria; é um olhar à complexidade da alma humana, retratada nas imagens e, sobretudo, nos silêncios destas cenas da vida na aldeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenas da vida na aldeia/Amós Oz/Trad. Paulo Geiger/Companhia das Letras/184 p./ 38 reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado em A tarde, caderno 2+ em 12/12/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-22145428734254883?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/22145428734254883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/aldeia-de-amos-oz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/22145428734254883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/22145428734254883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/aldeia-de-amos-oz.html' title='A aldeia de Amós Oz'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Syts4Da2JaI/AAAAAAAAAMc/ZYadwA6qJ7Q/s72-c/cenas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-1304928697732676017</id><published>2009-12-07T14:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T16:06:21.353-08:00</updated><title type='text'>The Soloist (O solista) - 2009</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sx2FrLRnZ_I/AAAAAAAAAMM/jX97zT4r5Oc/s1600-h/the-soloist1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sx2FrLRnZ_I/AAAAAAAAAMM/jX97zT4r5Oc/s320/the-soloist1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412629303976749042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu fui sozinha e, quem sabe por isso mesmo, gostei muito, me emocionei. Dois filmes com a forte presença da música... Dessa vez, eram cenários já muito conhecidos para mim. Posso quase dizer que já vi o carrinho do Nathanael e já convivi com alguns Steves. De todo modo, me impressionaram as cenas de Los Angeles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1244918232356778940-1304928697732676017?l=maistemporadadepatos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/feeds/1304928697732676017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/soloist-o-solista-2009.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1304928697732676017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1244918232356778940/posts/default/1304928697732676017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maistemporadadepatos.blogspot.com/2009/12/soloist-o-solista-2009.html' title='The Soloist (O solista) - 2009'/><author><name>temporada de patos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05704454724234573999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Ss1O1di7coI/AAAAAAAAADg/azgsff5vqpA/S220/Pinup1_finalizada_web.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sx2FrLRnZ_I/AAAAAAAAAMM/jX97zT4r5Oc/s72-c/the-soloist1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1244918232356778940.post-3433069671929570761</id><published>2009-12-07T07:52:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T16:45:29.345-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='De profundis Musica desenho'/><title type='text'>De profundis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sx0mA_JlPQI/AAAAAAAAAME/O5S-XxzcW40/s1600-h/03_de_profundis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 235px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dFtMuY63YLo/Sx0mA_JlPQI/AAAAAAAAAME/O5S-XxzcW40/s320/03_de_profundis.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412524125562682626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui com dois amigos, o C e a J, ver o filme "De profundis" de Miguelanxo Prado. Gostei tanto que resolvi, então, postar por aqui a
